domingo, 24 de janeiro de 2010

Coragem! A vida é um grande desafio.

Todos os dias somos chamados a um grande desafio, o desafio da vida. De descobrir os seus mistérios, de vencer os obstáculos, de si superar. Só experimenta a vitória quem tem coragem de ariscar a investir a sua vida na vida. Quanta gente sem vontade de viver, ou que não são preparadas para enfrentar a vida como ela é cheia de obstáculos para transpor, de problemas a resolver e conflitos interiores e exteriores. É preciso ter arte para viver, é preciso viver para aprender a arte e o sabor da vida: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (João 10,10). Mesmo a vida cristã é um labirinto, que necessita muitas vezes se “perder” para encontrar sua saída, ou suas saídas secretas, o mapa do coração e da mente do homem.

O ser humano é um mistério e meio. Para tentar entender o mistério da pessoa é preciso se aventurar a mergulhar no mistério de Deus e ser insaciável, pois assim como Deus, o ser humano nunca será totalmente desvendado, se não deixaria de ser mistério. Mas o mistério não limita a sua revelação, que se dá como a gente menos imagina ou gostaria que fosse. Uma derrota, um fracasso ou um grande momento de crise é uma grande ocasião de descobrir-se e de descobrir o outro. A pessoa é uma caixinha de surpresas e nós precisamos querer abri-la sempre sem medo. Coragem! A vida é e sempre será um grande desafio a ser vencido.

Estamos criando pessoas com medo de entrar em si mesmas, a geração do tudo pronto, do imediato, do paliativo, a pessoa se constrói, se trabalha, como um diamante bruto que precisa ser ferido para ser lapidado, e isso leva tempo, paciência e muita arte. Os desafios da vida nos ensinam a viver, nós nos formamos na escola da vida, lutando e aprendendo, a cada dia uma vitória. A vida nos reserva lutas, obstáculos e vitórias a cada dia. É preciso amar a vida e querer vivê-la com toda a intensidade, a cada momento, vivendo o presente, construindo a vida. Eu estou escrevendo para quem perdeu por qualquer motivo a vontade de viver, de lutar, de continuar a acreditar em si e nos outros. A palavra que eu te apresento é esperança: “virtude, ação de esperar o que se deseja confiança, expectativa otimista”. O que tem motivado a sua vida e as suas expectativas?

Uma palavra hoje muito usada nas empresas e para definir qualidades de pessoas que sabem sair de situações difíceis. A Resiliência: Capacidade de superar, de recuperar-se das adversidades, tanto físicas quanto emocionais, ouvindo o Monsenhor Jonas pregar percebe que resiliência é um dom do Espírito Santo, que vem em socorro daqueles que clamam, daqueles que reconhecem seus limites, mas não ficam parados sabem a quem recorrer, a força de Deus para de fracos nos fazer fortes: E me comprazo nas fraquezas, nos insultos, nas dificuldades, nas perseguições e nas angústias por causa de Cristo. Pois, quando estou fraco, então é que sou forte (II Coríntios 12,10).

Pai santo, fonte de toda vida, tu tens o mapa do nosso coração. Revela aos poucos a nós pelo Divino Espírito Santo os passos que precisamos dar em direção do sentido da vida e do gosto de viver. De experimentar as coisas boas e de não fugir dos desafios que a vida nos apresenta. Concede-nos o dom da resiliência, para superarmos os nossos limites e nunca esmorecer e desistir de viver. Quero te agradecer pelo dom supremo da vida, quero viver, quero vencer a cada dia e contigo, minha família e meus amigos vencermos os desafios. A cada instante quero agradecer o pulsar do meu coração, bendito seja o Deus da Vida que nunca nos deixa sem o seu auxilio e socorro. Amém.

Minha benção fraterna +
Padre Luizinho,
Sacerdote Canção Nova.

Haiti: Há milagres no meio da desolação!


Nos últimos dias, todos nós estivemos horrorizados pelas cenas de morte e destruição no Haiti. Milhões de pessoas como nós buscam formas de aliviar o sofrimento do povo haitiano. Não há dúvida de que, nos próximos dias, serão pronunciadas milhares de homilias para nos ajudar a compreender porque um Deus de amor pode permitir tamanho sofrimento. Hoje nesta quinta-feira de Adoração rezemos pelos nossos irmãos do Haiti.

Quando o silêncio era rompido pelas lágrimas, e meus olhos teimavam em ver toda aquela situação. A luta dos guerreiros chamados bombeiros, soldados e voluntários, salva vidas.
Para resgatar, quem sabe encontrar um sinal de vida no meio de tanta destruição.
Não precisa ter tanta fé, para ver o milagre.
Eu posso afirmar com certeza: Deus não queria isso não!
Pois diz a Sua palavra: “Não tenho prazer na morte do pecador, mas que ele se converta e viva” (cf. Ezequiel 33,11).
Deus me chama a conversão, mudar de vida.
E me faz refletir, é preciso estar sempre preparado, não posso perder tempo.
Enquanto muitos ficavam fixados na tragédia, na dor, na indignação.
Eu via muitos milagres que aconteceram ao redor, dos escombros dos olhos que não querem ver, nem ouvir.
Da enfermeira grávida que foi salva pela equipe de resgate dias depois, da menina que o mundo inteiro conheceu sua fé de que iria sobreviver. Daquele homem que embaixo do seu mercado viveu de esperança e pasta de amendoim, daquela idosa de mais de 70 anos que encheu de lagrimas os olhos dos “Anjos de resgate”…
Os olhos assustados da menina agradeciam pela vida.
Isso sim não tem explicação, isso é milagre!
Isso é ver com outros olhos, é enxergar com o coração.
Aquela tragédia, que mexeu com o nosso coração,
Mas que no meio de tantos destroços, para quem quer ver e ouvir;
Encontrão - se milagres, sinal de esperança no meio da desolação!
Há quanto tempo aquele povo sofre, o país mais pobre das Américas, nisto sim precisa acontecer um milagre, as nações que não se entenderão em Copenhague, agora se unem em favor dos irmãos. Prova para todos nós que a “natureza” que dividiu, agora pode unir as forças.
Mas não julguemos não, pois quem abre os olhos é Deus.
Como da mesma forma, só Ele consegue tirar de um grande mal um bem ainda maior.
Cabe a nós, disso tudo tirar uma grande lição, eu já tenho tirado a minha e você?
Continuemos a rezar, pois a revolta não levará a nada,
Mas o milagre da vida pode mudar o destino do nosso mundo e daquelas pessoas.
Convido você a ver diferente, a enxergar com o coração, a continuar tento fé.
arregacemos as mangas e ajudemos nosso Deus a promover mais milagres naqueles haitianos que vem tentando sobreviver muito antes do terremoto.
Qual o milagre Já se realizou ou precisa se realizar em sua vida?

Minha benção,

Padre Luizinho,
Com. Canção Nova.

Para refletir e rezar: O santo e o jarrão.

Jesus tocava fundo os corações quando contava historias e ensinava através de parábolas. A pedagogia do Mestre de Nazaré até hoje é copiada e tem enormes resultados dentro e fora da fé. Seguindo os ensinamentos de Jesus, quero iniciar o nosso dia usando a Sua sabedoria para refletir e rezar. Parábola: ‘O Santo e o Jarrão’.

Um santo vivia ansioso com o desejo de ver Deus. Depois de muito assim desejar, Deus lhe falou em um sonho e marcou um encontro com Ele no alto de uma montanha, a sós, para poder abraçá-lo.
O santo acordou vibrando! Nem poderia acreditar! Era tudo o que mais desejava na vida: ver Deus! Abraçar o próprio Deus!
Aí, começou a pensar: ‘O que vou levar para oferecer a Deus? Não poderei encontrá-lo assim, de mãos vazias… ‘ Vou levar o meu Jarrão! O meu precioso jarrão!
Mas… não posso levá-lo vazio… tenho que enchê-lo de ouro, prata, pedras preciosas… mas, tudo isso, nada vale aos olhos de Deus! É… vou enchê-lo com o que tenho de melhor: minhas orações!’
A partir desse dia, aquele santo duplicou suas orações e, por cada uma delas, colocava no jarrão uma pedrinha… quando estivesse cheio, ele subiria ao monte para encontrar-se com Deus e lhe oferecer aquele presente.
Chegou finalmente o dia! E o velho santo, vibrando de alegria e de expectativa, subiu ao monte, carregando seu precioso jarrão, cheio de orações.
Quando lá chegou, ficou a espera… mas nada de Deus se manifestar. Começou o santo a ficar inquieto… e acabou reclamando do próprio Deus… afinal, ele tinha feito a sua parte, tinha se preparado para aquele momento… e Deus, que o havia convidado, agora nem aparece!
Depois de muita reclamação, eis que se ouve uma voz a dizer:
- ‘Onde estás? O que colocaste entre nós, que não consigo te ver? Por que te escondes de mim?
E o santo respondeu com prontidão: _ ‘Aqui, Senhor! Sou eu! Trouxe um jarrão cheio com as minhas orações!
- Mas eu não te vejo! Por que te escondes atrás desse enorme jarrão?! Assim não posso te ver! Como poderei te abraçar?! Joga fora esse jarrão!’
- ‘Jogar fora o meu precioso jarrão?!’. Respondeu o santo admirado. ‘Eu o trouxe como presente para Ti!’
- ‘Joga ele fora!’ - Falou Deus. ‘Quero abraçar-te! É você que eu quero!’

Medite um pouco… Repasse a cena colocando-se no lugar daquele santo e depois responda: Nestes últimos tempos, tenho andado a esconder-me de Deus? Como e em quê isso se manifesta na minha vida? O que eu coloquei entre eu e Deus, nestes tempos?

Leitura Bíblica: Filipe disse a Jesus: «Senhor mostra-nos o Pai e isso nos basta». Jesus respondeu: «Há tanto tempo que estou no meio de vós e ainda não Me conheces, Filipe? Quem me viu, viu o Pai. Como é que dizes: “Mostra-nos o Pai”? Não acreditas que Eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que vos digo não as digo por Mim mesmo, mas o Pai que permanece em Mim, Ele é que realiza as suas obras. Acreditai em Mim: Eu estou no Pai e o Pai está em Mim. Acreditai nisto, ao menos por causa destas obras». (Jo 14, 8-11)

A face do Pai está revelada em Jesus, ou seja, Jesus revela a face do Pai! Recordemos!!!

Este texto nos fala de nossa vida de oração, do nosso relacionamento com Deus. Leia novamente, faça a sua reflexão e tire as suas conclusões, as lições para sua vida. Hoje ela pode orientar e conduzir o nosso dia, quando a gente pensa, reflete e se questiona crescemos por dentro e os primeiros a notar serão aqueles que convivem conosco.

Padre Luizinho,
Com. Canção Nova.

Qual o meio de adquirir e conservar o santo recolhimento?


A virtude característica e dominante de um adorador deve ser o recolhimento, pelo qual dirige e governa os sentimentos e a alma, sob o olhar de Deus e impelido pela graça. Os diversos estados de vida tem o seu curso especial e condição própria de felicidade; alguns a encontram na penitencia, outros no silêncio, e outros, ainda, no zelo. Para os adoradores é o santo recolhimento em Deus, como criancinha, que somente é feliz no seio da família querida, como o eleito no céu, no seio de Deus.

A alma recolhida é semelhante ao piloto que com o seu pequeno leme dirige à vontade um grande barco; é também qual superfície de uma água calma e cristalina em que Deus, como num espelho, se contempla com delicias; é ainda, por assim dizer, uma lamina de prata em que Deus se revê no esplendor se sua própria luz, que se reflete tão bem na alma recolhida aos seus pés.

Oh! Que felicidade a desta alma bem-amada, pois não perde uma só palavra de Deus, o mais suave influxo de sua voz, nenhum de seus olhares. Qual o meio de adquirir e conservar o santo recolhimento?

Começai fechando as portas e as janelas de vossa alma. Recolher-se é fugir do exterior para o interior, em Deus; fazer um ato de recolhimento é colocar-se inteiramente à disposição de Deus; ter espírito de recolhimento é nele se comprazer. O recolhimento, porem, não se limita a viver pela graça; pede um centro divino. É em Jesus, e em Jesus infinitamente bom e amável, que deveis estabelecer o centro de vida do recolhimento, porque somente nEle encontrareis a completa liberdade, a verdade sem nuvens, a santidade em sua fonte.

É a vós, que desejais viver da Eucaristia, que Jesus Cristo diz em particular: “Quem come a minha Carne e bebe o Meu Sangue, permanece em Mim e Eu nele” (Jo 6, 56). Eis, portanto, o poder e a força do santo recolhimento: esta habitação mútua, esta sociedade divino-humano que se estabelece na alma, no interior, com Jesus Cristo, presente por seu Espírito.

São Pedro Julião Eymard, apóstolo da Eucaristia.

Aqui na minha casa em Lavrinhas tem uma placa com uma frase do Papa Bento XVI no jardins de nossa casa que sempre me chama atenção: “Sem recolhimento não há profundidade!” na maioria das vezes estou tão distraído, viajando em minhas preocupações e tantas coisas e essa frase sempre me chama para o eixo de não viver a vida sem recolher o melhor, a graça, a vontade de Deus. Peço a você que hoje neste dia especial de Adoração pare um pouquinho e tente se recolher no coração de Jesus.

Oremos: Senhor Jesus Cristo presente neste admirável sacramento, recolhido por tão grande amor a cada um de nós. Venho te pedir a graça da quietude do coração, toma todas as minhas preocupações e ansiedades, distrações e tudo aquilo que não permite que eu contemple a sua face e colha do Teu Sagrado coração a paz que eu tanto necessito. Deixo o lado aberto de Tua infinita misericórdia tudo aquilo, situações e pessoas que me tiram à paz, meus pecados e sofrimentos e todas as pessoas que pediram minhas orações. Graças e louvores se dêem a todo o momento, ao Santíssimo e divinissimo Sacramento.


Conte com as minhas orações.

Padre Luizinho,
Missionário Canção Nova.

Deus está no controle

Existem momentos em nossa vida que não entendemos o porquê de muitas situações. Mesmo não havendo um motivo aparente, tudo parece “desmoronar” diante de nós. E mesmo estando perto de muitas pessoas nos sentimos sós. Muitas vezes passamos por grandes lutas, desilusões, situações adversas, decepções e angústias que tentam nos afogar. E com isso nos falta forças; só conseguimos chorar, lamentar, clamar por uma reposta que às vezes não vem.

Nessa hora, então, tendemos a fazer uma retrospectiva interior e nos perguntamos: Será que em algum momento “caímos?” Será que perdemos o primeiro amor? Desviamos do caminho? Desobedecemos? A resposta que recebemos vem do próprio Senhor: NÃO. Nada aconteceu. Nada fizemos para receber o “mal” do Senhor, assim como Jó.

Mas muitas vezes é difícil entender que para tudo existe um tempo determinado, há tempo para todo propósito. Como está descrito em Eclesiastes 3. O texto é claro quando nos diz que: “Há tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar; tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guerra, e tempo de paz.” Há um tempo para tudo, e por isso devemos passar por cada fase! São momentos duros, difíceis, que nos fazem chorar, nos deixam abatidos, nos sentimos “sozinhos”, incompreendidos...

Entretanto, é maravilhoso saber que em todo o tempo, seja de guerra, ou de paz, de choro ou de riso, de pranto ou dança, Jesus sempre está conosco, ao nosso lado! Ele nunca nos deixa só! “Eis que estou com vocês todos os dias” (Mateus 28.20). Todos os dias! Não apenas nos bons momentos, mas também nos maus.

Portanto, você, que passa por momentos de dor, assim como eu nesta hora, pode se alegrar, porque por mais difícil que sejam as circunstâncias, você pode olhar para Jesus. Veja o que Jesus disse no célebre discurso chamado de Sermão do Monte a uma multidão que o seguia: “Bem aventurados os que CHORAM, pois serão consolados.” (Mateus 5.4.) Há consolo para mim e para você! Jesus NUNCA mente! Ele não é homem para mentir! Ele é fiel! Por isso confie! Descanse! Se alegre! Pois ”o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã” (Salmo 30.5b).

:: Por Renata Lima

Pedagoga, – Salvador - Bahia.

* Namorar sem “avançar o sinal”. A beleza do namoro cristão.


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Pe. Marcos Chagas
As amizades e os namoros devem ser marcados pelo autêntico desejo de uma autoconstrução positiva, no respeito recíproco, no domínio de si, na dedicação a deveres assumidos com seriedade e responsabilidade. São ocasiões de crescimento verdadeiro.

O tempo que antecipa a vivência do matrimônio deve ser uma etapa de mútuo conhecimento, diálogo, oração e descoberta da pessoa amada numa acolhida positiva e fecunda.
É um tempo de aprender a superar os conflitos e conviver sadiamente com as diferenças. Seguramente exigirá algumas renúncias; estas, assumidas com coragem e generosidade, criarão nos noivos ou namorados capacidades e possibilidades de assumirem sempre novas renúncias e os desafios próprios na vivência madura de um matrimônio autenticamente cristão.

O deterioramento de certos casamentos pode ter como causa o desgaste. E por que este amor esfriou e acabou? Por faltarem bases sólidas. O amor, durante o tempo do namoro, foi superficial, muito apegado aos prazeres e às facilidades. Faltou a renúncia, a oblatividade. Talvez tenha sido marcado pela incapacidade de sofrer e dar a vida pela pessoa amada. Sem o espírito altruísta, sem a gratuidade que se consolida no sacrifício e na renúncia, o amor não se sustenta.

Quem pode garantir que haverá fidelidade nas tribulações, nas crises matrimoniais, nas doenças, nas dificuldades econômicas, nos desafios do controle de natalidade responsável, da gestação e da criação dos filhos, nas tentações de outros amores que prometem e parecem resolver todos os problemas? Os noivos, na liturgia do matrimônio, prometem ser fiéis um ao outro “na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, amando-se e respeitando-se todos os dias da própria vida”. Estas promessas não serão cumpridas quando o amor é hedonista, egoísta, superficial, sem nenhuma capacidade de abraçar renúncias e sofrimentos. A intimidade – tantas vezes entendida como acesso ao corpo do outro – “acontece quando um indivíduo é capaz de equilibrar o dar e o receber e pode buscar satisfazer mais o outro do que simplesmente buscar a auto-satisfação e o sucesso”

Relacionamentos superficiais e instrumentalizadores da pessoa do outro em proveito próprio (do próprio prazer) podem gerar frustrações, desconfianças e medo de viver um relacionamento profundo e verdadeiro.

É bem verdade que um desejo de manifestar fisicamente o amor, o afeto profundo, é natural e compreensível. Mas quando assume conotações claramente sexuais (através de carícias que induzem ao uso da genitalidade) esse relacionamento queima etapas e assume atitudes que são próprias do matrimônio enquanto convívio estável na manifestação de um amor esponsal sacramentalizado com finalidades unitivas (o bem dos cônjuges) e procriativas (abertura à geração de filhos), formando assim uma família.

Se o amor humano, na sua expressividade sexual-genital e demais dimensões, foi elevado à dimensão de sacramento, então significa que o uso da sexualidade-genitalidade antes do matrimônio não manifesta só a ausência de um rito, mas a ausência da Igreja e, por conseguinte, de Cristo.

Na intimidade sexual, e também nas demais expressões da união matrimonial, Deus se serve da mediação dos esposos para manifestar o seu amor. Deus ama o esposo através da esposa e a esposa através do esposo. E quem introduz Cristo e sua graça no convívio estável de uma vida a dois entre um homem e uma mulher é exatamente o sacramento do matrimônio. Por isso, seria banalizar o matrimônio todo reducionismo da sexualidade ao prazer genital ou destituir tal prazer da necessidade de uma inclusão integrada na esfera do amor a dois elevado à dignidade de sacramento.

Bem nos ensina o prof. Felipe Aquino: A vida sexual de um casal não pode começar de qualquer jeito, às vezes dentro de um carro numa rua escura, ou mesmo num motel, que é um antro de prostituição. (…). O namoro é tempo de conhecer o coração do outro, não o seu corpo; é tempo de explorar a sua alma, não o seu físico. (…). Espere a hora do casamento, e então você poderá viver a vida sexual por muitos anos e com a consciência em paz, certo de que você não vai complicar a sua vida, a da sua namorada, e nem mesmo a da criança inocente.

A partir disso, a pessoa estrategicamente vai evitando tudo o que de alguma maneira pode excitá-la ou agitá-la sexualmente, tendo sempre em vista um bem maior. Assim, namorados e noivos evitarão carícias exageradas, uma vez que isso levará a certos movimentos hormonais e psíquicos que direcionarão a uma busca de prazer, culminando no uso da genitalidade. Se, por exemplo, o encontro dos namorados é em lugar isolado e esta solidão constitui a possibilidade de certas liberdades, seria bom passar a namorar em lugar mais iluminado e freqüentado por outras pessoas.

Bom seria dialogar mais, algumas vezes rezar juntos etc. Um namoro autêntico não se esgota nas manifestações afetivas de ordem física. O importante é usar de sinceridade consigo mesmo e com Deus. O senso da medida, a prudência e a temperança, o bom senso e o discernimento evangélico vão abrindo os caminhos para namoros e noivados santos e maduros. Quem aprendeu a se controlar e a viver estas saudáveis renúncias agora, se capacitará para viver as renúncias que lhe serão exigidas no matrimônio.

Além disso, o auxílio divino é sempre indispensável. “Tu me ordenas a continência: concede-me o que ordenas, e ordena o que quiseres”.

Rezar e viver a amizade com o Senhor ajuda a entender que, mesmo existindo elementos de ordem biológica e psíquica ou mesmo influências de ordem sociocultural, existem também forças espirituais que atuam nesse contexto.

Não nos iludamos, nossa luta não é apenas “contra a carne e o sangue, mas contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra os espíritos malignos espalhados pelos ares” (Ef 6,12).
Poderíamos até considerar ingenuidade o fato de tantas pessoas atribuírem somente à esfera bio-psíquica uma realidade que também comporta um acirrado combate espiritual!

Diz o apóstolo que “Deus não nos chamou à impureza, mas à santidade” (1Ts 4,7), e para tanto ele exorta: “Mortificai, pois, os vossos membros terrenos: fornicação, impureza, paixão, desejos maus, e a cupidez, que é idolatria” (Cl 3,5).

O próprio Mestre Divino aborda o assunto afirmando essa necessidade: “Por isso, se o teu olho direito é para ti ocasião de queda, arranca-o e lança-o para longe de ti, porque é melhor para ti que se perca um dos teus membros, do que todo o teu corpo seja lançado na geena. E, se tua mão direita é para ti causa de queda, corta-a e lança-a para longe de ti, porque é melhor para ti que se perca um dos teus membros do que todo o teu corpo seja lançado na geena” (Mt 5,29-30).

Note-se, porém, que este arrancar não deve ser entendido no sentido literal, pois tudo o que Deus colocou no corpo humano tem uma finalidade boa, um sentido positivo, válido e significativo: “Deus viu tudo o que tinha feito; e era muito bom” (Gn 1,31). Todas as pessoas, tanto os celibatários quanto os casados, precisam tomar consciência que os órgãos sexuais continuam sendo sagrados e fazem parte do grande tabernáculo do Espírito Santo que é corpo humano e integram a dignidade da pessoa humana.

Portanto, o sentido do cortar, arrancar, lançar fora não diz respeito ao anular, destruir ou sufocar, mas envolve um direcionamento que leve a integrar, direcionar, sublimar numa dinâmica positiva de abertura ao querer de Deus.

Para que este processo atinja níveis de bom êxito na vivência da castidade, vai ser muito útil que a vontade seja sadiamente exercitada, iluminada por uma consciência bem esclarecida; eis a importância dos estudos, da reflexão da Escritura e, sobretudo, da intimidade com Deus na oração.

O Senhor também diz que o “olho é a lâmpada do corpo. Se o teu olho for são, todo o teu corpo terá luz. Mas se o teu olho for defeituoso, todo o teu corpo estará em trevas” (Mt 6,22-23). Portanto, se a inteligência e a vontade do homem forem obscurecidas e corrompidas pelo apego aos bens passageiros da terra ou pelas paixões ou apetites desordenados, toda a vida espiritual da pessoa ficará comprometida e corrompida pelo vício e como que lançada na escuridão, sem possibilidade de discernir o bem do mal e apreciar as coisas retamente.

À luz desta indicação que o Senhor nos oferece, importa abraçar com generosidade uma vida de sacrifício. É tolice imaginar que terá domínio e controle sereno de seus impulsos sexuais quem se expõe às ocasiões, quem tem vida mole, folgada, vive no conforto, na preguiça, no espontaneísmo, na falta de disciplina pessoal.

Os casais de namorados e noivos, bem como cada indivíduo, busquem trabalhar-se corajosamente, encontrar soluções e não desistir de conduzir livremente a própria vida exercendo um decidido senhorio sobre seus impulsos, tendo por base os valores evangélicos e o equilíbrio afetivo.

A felicidade é também uma conquista que brota do autodomínio. A Igreja nos instrui que o domínio de si mesmo “é um trabalho a longo prazo. Nunca deve ser considerado definitivamente adquirido. Supõe um esforço a ser retomado em todas as idades da vida” (Cat, 2342). A quem sinceramente se empenhar para atingir este bem-aventurado autodomínio, não faltará o auxílio generoso e abundante da graça divina. Vale a pena conferir!
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LIDZ, T. La Persona Umana. Suo sviluppo attraverso il ciclo della vita. Roma: Astrolabio, 1971, p. 380.
Cf. GATTI, G. Morale sessuale, educazione dell’amore. Leumann (Torino): Elle Di Ci, 1988, p. 143.
AQUINO, F. Jovem, levanta-te! Lorena: Cléofas, 2001, p. 99.
S. AGOSTINHO, Confissões, livro 10, n. 40.
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