quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

O AMOR TUDO TRANSFORMA

"Amar uma pessoa não significa fazer as coisas por ela,

mas ajudá-la a descobrir sua própria beleza, unicidade,

a luz escondida no seu coração e o significado da vida. 

Através do amor uma nova esperança é comunicada a essa pessoa

e um desejo de crescer e viver." 

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Espiritualidade PHN - Por Hoje Não ...
Não é fácil dizer ‘não’ ao pecado quando se vive sozinho
Nós temos descoberto, ao longo desses anos de PHN, que o dia de hoje é o dia de fazer a coisa certa. Existem pessoas que vivem o dia de hoje preocupadíssimas. Cada dia da nossa vida é uma “batalha”; não adianta você ficar preocupado com toda a “guerra”. Vence a guerra quem venceu todas as batalhas, ou a maioria delas, as mais importantes.
A grande inspiração que venho sentindo desde o início do PHN é que viver o PHN sozinho não dá. Eu preciso de amigos. Deus não entra na sua vida sem você querer. Deus não vai “forçar a barra”, ou seja, forçá-lo a fazer algo. Deus precisa de uma lágrima sua, um sorriso, uma palavra com o sentido de socorro. Ele vê uma brecha, mesmo que pequenininha, e é o suficiente para Ele entrar.
O fato de estar disposto a mudar prova que você já teve anjos e mais anjos, amigos e mais amigos que venceram seu mau humor, sua resistência. Assim o auxílio de Deus chegou até você. Talvez esta pessoa ao seu lado tenha lhe falado de Deus. Eu quero que você reflita: “Eu tenho amigos? Será que por intermédio do meu pai (mãe), meu esposo (esposa), meus filhos (filhas), meu irmão (irmã) tenho percebido que Deus tem falado comigo? Tenho traduzido as palavras dessas pessoas, que são meus anjos, como as palavras de Deus na minha vida?”
Não é fácil dizer “não” ao pecado quando se vive sozinho. Mas quando tenho você do meu lado – para me corrigir, guiar, iluminar – é mais fácil. A partir de dois já entramos na dinâmica de Jesus: “Porque onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, aí Eu estarei no meio deles” (Mateus 18,20). Então, somos três.
O pecado paralisa a nossa vida, engessa, faz com que os sonhos de família, de profissão, de filhos travem. Então, vem o amigo e fala: “Vamos lá, meu irmão! Vamos recomeçar!”
Quem quer ser amigo de Cristo? Para sermos amigos de Cristo precisamos permanecer firmes até o fim. Ir até o final. Quando é o fim? Não sei. Mas é preciso ir até o fim.
Coragem, meu irmão. Agüente! É possível!
Dunga
Comunidade Canção Nova

Disciplina na Vida Espiritual


A vida espiritual é um dom. É o dom do Espírito Santo, que nos introduz no reino do amor de Deus.
Mas dizer que ser introduzido no reino de Deus é um dom divino não quer dizer que esperamos
passivamente até que o dom se nos ofereça. Jesus nos fala para buscar o reino. Buscar alguma coisa envolve não somente aspiracão séria mas também determinacão forte. A vida espíritual requer esforço humano.(...)

A vida espiritual sem disciplina é impossível. Disciplina é o outro lado do discipulado. A prática de uma disciplina espiritual nos torna mais sensíveis à voz tranquila e suave de Deus. O profeta Elias não encontrou Deus no vento forte nem no terremoto e nem no fogo, mas no cicio tranquilo (1 Rs 19:11-13).

Através da prática de uma disciplina espiritual tornamo-nos sensíveís a essa voz tranquila e prontos a responder quando a ouvimos.(...)

(...) Muitas vezes tornamo-nos surdos, incapazes de saber quando Deus nos chama, incapazes de entender em que direcção nos chama. Desta forma nossas vidas se tornam um absurdo. Na palavra absurdo encontramos a palavra latina surdus, que significa "surdo". A vida espiritual requer disciplina porque precisamos aprender a ouvir a Deus que constantemente fala, mas a quem raramente ouvimos. Porém, quando aprendemos a ouvir, nossas vidas se tornam vidas obedientes. A palavra obediente vem da palavra latinaobaudire, que significa "ouvir". É necessário ter uma disciplina espiritual se quisermos mudar lentamente de uma vida absurda para uma vida obediente, de uma vida cheia de preocupações agitadas para uma vida em que há espaço livre no nosso interior para ouvir o nosso Deus e seguir a sua orientação. A vida de Jesus foi uma vida de obediência. Estava sempre escutando o Pai, sempre atento à sua voz, sempre alerta ás suas direcções.
Jesus era "todo ouvidos". Isto é a verdadeira oração: ser todo ouvido para Deus. O cerne de toda oração é realmente ouvir, permanecer obedientemente na presença de Deus.
Uma disciplina espiritual, portanto, é um esforço concentrado para criar um pouco de espaço interior e exterior nas nossas vidas, onde esta obediência pode ser praticada. Através de uma disciplina espiritual impedimos que o mundo preencha as nossas vidas de tal forma que não haja mais lugar para ouvir. Uma disciplina espiritual nos liberta para orar, ou melhor dizendo, liberta o Espírito de Deus para orar em nós.

Henri Nouwen
"Quande se ama alguém, dá-se-lhe a vida,
dá-se-lhe confiança em si próprio,
mostra-se-lhe como é belo,
revela-se-lhe o poder do amor que está nele
e a sua capacidade para dar a vida.

Dizendo a essa mulher da Samaria que nela a água que Ele, Jesus, lhe ia dar
se tornaria nela "nascente de água jorrando para a vida eterna",
Jesus revela-lhe que há nela um poço,
uma nascente, uma fonte divina.

Nós não sabemos que há em nós essa nascente.
Sabemos que temos uma inteligência, sabemos que podemos produzir coisas,
sabemos que temos emoções, desejos, pulsões,
mas ignoramos que há em nós
um poço de ternura,
uma fonte que pode dar a vida,
uma nascente que pode comunicar o próprio amor de Deus.

Jesus revela à samaritana este mistério que está nela: ela é capaz de amar,
pode tornar-se um poço, uma nascente de vida eterna
se matar a sede na nascente que é Jesus.

É o grande segredo para cada um de nós: se bebemos na nascente que é Jesus,
podemos tornar-nos fonte de ternura que dá vida ao mundo
e corresponder ao desejo de Jesus de que sejamos fecundos e produzamos muito fruto."

Jean Vanier, em "A Fonte das Lágrimas"

A HORA DE FALAR ACABOU

"Não percas de vista o final da vida. Não esqueças o teu propósito e destino como criatura de Deus. O que tu és à vista Dele é o que tu és, e nada mais. Lembra-te que quando deixares esta terra não poderás levar contigo nada que recebeste - sinais efémeros de honra, paramentos do poder -, mas apenas o que te foi dado: um coração pleno enriquecido por honesto serviço, amor, sacrifício e coragem." - Francisco de Assis
Para Francisco, o discipulado - seguir a Cristo - não era apenas a coisa mais importante da vida - era a única coisa. Era literalmente uma questão de vida ou morte: sou o que sou aos olhos de Deus e nada mais. O discipulado exige que coloquemos de lado os acessórios, paremos de fazer jogos de palavras e cheguemos á essência das coisas.
Para o seguidor de Jesus a essência está em viver pela fé e não pela religião. Viver pela fé consiste em constantemente redefinir e reafirmar a nossa identidade com Jesus, medindo-nos a partir do padrão que é Ele - não medindo a Ele a partir dos nossos dogmas eclesiásticos e heróis locais.
Jesus é a luz do mundo. Na sua luz descobrimos que não é mera retórica o que Jesus exige, mas renovação pessoal, fidelidade à Palavra e conduta criativa. Como disse Emile Leger quando deixou a sua mansão em Montreal para viver numa colónia de leprosos em África: "A hora de falar acabou."

Brennan Manning, em "A assinatura de Jesus"

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

A REVOLUÇÃO DO AMOR

O eixo da revolução moral cristã é o amor (Jesus o classificou como o sinal pelo qual o discípulo seria reconhecido). O perigo espreita em nossas tentativas subtis de minimizar, racionalizar e justificar nossa moderação a esse respeito. Oferecer a outra face, caminhar a milha extra, não devolver os insultos, reconciliar-se um com o outro e perdoar setenta vezes sete vezes não são caprichos arbitrários do Salvador. Ele não prefaciou o Sermão do Monte com "seria bom se...". O novo mandamento estrutura a nova aliança no seu sangue. Tão central é o preceito do amor que Paulo o chamou cumprimento da Lei.

Segundo John McKenzie, "a razão demanda moderação no amor, como em todas as coisas; a fé, aqui, destrói a moderação. A fé não tolera um amor moderado por um companheiro humano mais do que tolera um amor moderado entre Deus e o homem".O mandamento do amor é o completo código moral do cristão. Thomas Merton declarou que um "bom" cristão que abriga ódio no coração por qualquer pessoa ou grupo étnico é objectivamente um apóstata da fé.
Brennan Manning, em "Convite à Loucura"

domingo, 13 de dezembro de 2009

VIVER E PENSAR COMO JESUS


«Quando os olhos de Jesus observavam as ruas e ladeiras, ele sentia compaixão porque as pessoas estavam desorientadas. Ele lamentou por Jerusalém. Suas palavras não vinham carregadas de repreensão e humilhação, castigo e moralismo, acusação e condenação, ridicularização e depreciação, ameaça e chantagem, avaliação e rotulagem.
Sua mente era constantemente habitada pelo perdão de Deus.Ele tomou a iniciativa de procurar os pecadores e justificou sua incrível facilidade e familiaridade com eles por meio de parábolas de misericórdia divina. (...)

Ele era impiedoso somente com aqueles que mostravam desprezo pela dignidade humana, e não tinha compaixão dos que punham intoleráveis fardos nas costas de outros, eles próprios se recusando a carregá-los. Jesus desmascarou as ilusões e boas intenções superficiais dos fariseus pelo que eles eram, chamando-os hipócritas: "Raça de víboras" (Mt 12:34). Ele não compactuava com os que não mostravam misericórdia ou compaixão.
Viver e pensar como Jesus é descobrir a sinceridade, a bondade e a verdade muitas vezes ocultas por trás do grosso e áspero exterior de nossos semelhantes. É ver nos outros o bem que eles próprios não vêem e afirmá-lo em face de poderosas evidências em contrário. (...)

Brennan Manning, em "Convite à loucura"

domingo, 8 de fevereiro de 2009

CONTEMPLAR JESUS

Atticus Finch disse: "Você nunca entenderá um homem enquanto não calçar seus sapatos e olhar o mundo através de seus olhos".

Paulo olhava de forma tão resoluta para si mesmo, para outros e para o mundo, através dos olhos de Jesus, que Cristo se tornou o ego do apóstolo — "Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim" (Gl 2:20). Dídimo de Alexandria disse que "Paulo estava pleno de Cristo".(...)

A contemplação, definida como olhar para Jesus enquanto o amamos, leva não somente à intimidade, mas também à transformação da pessoa que o contempla.
No famoso conto de Nathaniel Hawthorne, The great stone face, um garotinho olha fixamente para a face esculpida no granito e sempre pergunta aos turistas, na cidade, se sabem a identidade da face na montanha. Ninguém sabe. Na vida adulta, na meia-idade e na idade avançada, ele continua olhando fixamente para a face na montanha, até que, num dia, um turista que ia passando exclama àquele garotinho, que agora é um homem velho, desgastado pelo tempo: "É sua a face na montanha!"

A consciência contemplativa do Jesus ressurreto forma nossa semelhança com ele, e nos torna as pessoas que Deus pretendia que fôssemos.»

Brennan Manning, em "O Impostor que vive em mim"

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

O Filho Amado (2ª parte)

A morte de Jesus na cruz dá a forma final, definitiva e eterna de sua identidade espiritual e confiança íntima, amorosa em Deus.

John Shea comenta: "Deus não ressuscitou Jesus dos mortos porque este nunca hesitou, replicou ou questionou, mas, havendo hesitado, replicado e questionado, ele permaneceu fiel".

A autoconsciência de Jesus e o zelo incansável demonstrado em seu ministério devem ser compreendidos como relacionados direta e incessantemente à sua vida interior de crescente intimidade com o Pai. Não devemos perder de vista esta ligação lógica: a primazia da missão e seu profundo zelo em proclamar o reino de Deus não derivam de reflexão teológica, do desejo de edificar os outros, da espiritualidade da moda ou de um sentimento indefinido de boa vontade para com o mundo. Sua fonte é a santidade de Deus e a autoconsciência que Jesus possui de sua relação com Deus. (...)

O coração de Deus é o esconderijo de Jesus, um forte e protetor espaço onde Deus está próximo, onde a relação é renovada, onde a confiança, o amor e a autoconsciência nunca morrem, mas são continuamente reacesos. 

Em tempos de oposição, rejeição, ódio e perigo, Jesus retira-se para aquele esconderijo onde é amado. Em tempos de fraqueza e temor, nasce ali um vigor suave e uma perseverança poderosa. Em face ao aumento da incompreensão e da desconfiança, somente o Pai o compreende. "Ninguém sabe quem é o Filho, a não ser o Pai..." (Lc 10:22). (...)

Muitas vezes nos esquecemos de que temos o mesmo acesso a Deus desfrutado por Jesus. Mas jamais deveríamos nos esquecer de que o nosso Criador cuida de nós. Deus conhece cada um de nós pelo nome e está profundamente envolvido nos dramas de nossa existência pessoal.

"Até os cabelos da cabeça de vocês estão todos contados" (Lc 12:7).

Dentro desse clima de confiança, podemos tranquilamente procurar discernir a vontade de Deus. É em tal atmosfera que todas as decisões se tornam claras e todas as ações florescem. O resultado é menos vago, ambíguo e incerto do que poderíamos supor.
Os sons da paz interior ressoam no coração afinado com Deus, enquanto o coração desafinado, iludido em cantar sua própria canção, pulsa com agitação, conflito, dissonância e contratempos.

Brennan Manning, em "Convite à Loucura"

domingo, 1 de fevereiro de 2009

O Filho Amado (1ª parte)


Quando Jesus recebeu o batismo de João no rio Jordão, passou por uma fundamental experiência de identidade. Os céus se abriram, o Espírito desceu na forma de uma pomba e Jesus ouviu a voz de seu Pai: "Tu és o meu Filho amado; em ti me agrado" (Lc 3:22). (...)

Independentemente das evidências externas, Jesus experimentou no Jordão uma confirmação interior, decisiva, de que era o Filho, o Servo e o Amado do Pai. George Aschenbrenner diz: "Essa clara e essencial experiência de identidade origina-se da profunda intimidade com o seu Pai, é por ela produzida e a celebra". (...)

As tentações no deserto desafiaram a autenticidade da experiência do Jordão. Todos os três estratagemas de Satanás ("se és o Filho de Deus...") tiveram a intenção de enfatizar a mesma questão: Jesus era realmente o Filho-Servo amado? Ou a experiência no Jordão foi somente uma ilusão? Alguém mais ouviu a voz que Jesus ouviu? (...)

Na aridez, na simplicidade, na vastidão e no despojamento do deserto, Jesus interpretou, em novo e decisivo nível, sua existência e sua missão no mundo, emergindo do deserto com o sopro de Deus em sua face. (...)

A confiança de Jesus no Pai não se amparava em uma única decisão que o deixava certo da sua missão e imune ao Tentador. A luta com o Diabo no deserto foi o primeiro de uma série de desafios à sua autoconsciência e identidade interna como Filho-Servo-Amado do Pai.

A constante tentação de seu ministério seria a de cumprir sua missão de modo contrário ao propósito de Deus. Ele poderia começar com uma demonstração flamejante de poder, transformando pedras em pão, e terminar com uma exibição sensacional de poder, descendo da cruz para vingar-se dos inimigos de Deus. O fascínio pelo aumento de segurança, prazer e poder é o caminho mundano de Satanás. Jesus rejeitou isso totalmente.

Brennan Manning, em "Convite à Loucura"

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Jesus Vive! (2ª parte)

«O actual carácter ressurrecto de Jesus como "Espírito que dá vida" significa que posso enfrentar qualquer coisa. Não estou sozinho. "Oro também para que [...] vocês conheçam [...] a incomparável grandeza do seu poder para connosco..." (Ef 1:18-19).

Como o Espírito do Senhor, que dá vida, manifesta-se em "dias difíceis"?

Na nossa disposição de permanecer firmes, na nossa recusa de fugir e nos esconder num comportamento autodestrutivo. O poder da ressurreição capacita-nos a entrar num confronto selvagem com emoções indomadas, a aceitar a dor... por mais atroz que possa ser. E, durante esse processo, descobrimos que não estamos sós, que podemos permanecer firmes na consciência do actual estado ressurrecto de Jesus e assim nos tornamos discípulos mais plenos, mais profundos, mais ricos.

"Este mistério, [...] Cristo em vocês, [é] a esperança da glória" (Cl 1:27).

A esperança sabe que, se forem evitadas as grandes provações, grandes feitos permanecem por fazer e aborta-se a possibilidade da alma ser grande. O pessimismo e a derrota jamais são fruto do Espírito que dá vida, mas antes revelam que não estamos conscientes do actual estado ressurrecto.» (Brennan Manning, em "O Obstinado Amor de Deus")

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

JESUS VIVE! (1ª parte)

"O Poder transformador da Palavra reside no Senhor ressurrecto, que sustenta esse poder. Permita-me dizer outra vez: o poder dinâmico do Evangelho flui da ressurreição. Quando pela fé aceitamos plenamente que Jesus é quem afirma ser, experimentamos o Cristo ressurecto. A Escritura apresenta somente duas alternativas:ou crês na ressurreição e crês em Jesus de Nazaré, ou não crês na ressurreição nem crês em Jesus de Nazaré.


Para mim, a exigência mais radical da fé cristã reside em criar coragem para dizer "sim" ao carácter ressurrecto de Jesus Cristo."(Brennan Manning, em "O Obstinado Amor de Deus")

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

COMO CRIANÇAS

«As qualidades positivas da criança - franqueza, dependência confianteespírito lúdicosimplicidade, sensibilidade aos sentimentos - impedem-nos de nos fechar para as novas ideias, para as surpresas do Espírito e para as oportunidades arriscadas de crescimento. A minha criança interior é o filho de Aba, bem firme nos seus braços, tanto na luz quanto na sombra.
Considere as palavras de Frederick Buechener:

"Somos criança, talvez, no exacto momento em que sabemos que é na qualidade de crianças que Deus nos ama - não porque tenhamos merecido o Seu amor, nem apesar da nossa indignidade; não porque tenhamos tentado, nem porque reconhecemos a inutilidade das nossas tentativas; mas simplesmente porque Ele escolheu nos amarSomos crianças porque Ele é o nosso Pai; e todos os nossos esforços, frutíferos e infrutíferos, de fazer o bem, de falar a verdade, de entender, são os esforços de crianças que, mesmo com toda a precocidade, são ainda crianças, uma vez que, antes de O amarmos, Ele nos amou, como filhos, por meio de Jesus Cristo, Nosso Senhor." » (Brennan Manning, em "O Obstinado Amor de Deus")

domingo, 10 de agosto de 2008

ALGUÉM AMADO POR CRISTO

«Deus criou-nos para a união com Ele. Esse é o propósito original da nossa existência. E Deus é definido como Amor (1 Jo 4:16). Viver com a percepção de quanto somos amados é o eixo em torno do qual gira a vida cristã. Ser amados é a nossa identidade,o âmago da nossa existência.(...)


Quando preciso buscar uma identidade externa a mim, sou então atraído pelo acúmulo de riquezas, poder e honra. Posso também encontrar o meu centro gravitacional nos relacionamentos. Quando extraio vida e significado de qualquer outra fonte que não o facto de eu ser amado, estou espiritualmente morto. (...)


"Quem sou eu?", perguntou Thomas Merton, ao que ele mesmo respondeu: "Sou alguém amado por Cristo".» (Brennan Manning, em "O Obstinado Amor de Deus")

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Dominique Voillaume - Viver para Deus (2ª parte)

Certa manhã Dominique deixou de aparecer no seu banco no parque. Os homens ficaram preocupados. Poucas horas depois ele foi encontrado morto na sua modesta habitação. Morreu na obscuridade de um cortiço parisiense.

Dominique Voillaume nunca tentou impressionar ninguém, nunca se perguntou se a sua vida era útil ou o seu testemunho significativo. Nunca sentiu que tinha de fazer algo grande para Deus.
O que ele de facto fez foi manter um diário. Foi encontrado pouco depois da sua morte na mesa-de-cabeceira junto da sua cama.
A sua última entrada é uma das coisas mais espantosas que já li:

«Tudo o que não é amor de Deus não tem sentido para mim. Posso honestamente dizer que não tenho interesse em coisa alguma que não seja o amor de Deus que está em Cristo Jesus. Se Deus quiser, a minha vida será inútil pela minha palavra e o meu testemunho. Se Ele quiser, a minha vida dará fruto através das minhas orações e sacrifícios. Mas a utilidade da minha vida é preocupação dEle, não minha. Seria indecente da minha parte preocupar-me com isso.»

Em Dominique Voillaume vi a realidade da vida vivida integralmente para Deus e para os outros. Depois de uma noite inteira de vigília de oração por parte dos seus amigos, ele foi enterrado numa caixa de pinho sem nenhum adorno no quintal da casa dos Irmãozinhos em Saint-Remy. Mais de sete mil pessoas de toda a Europa juntaram-se para presenciar o seu funeral.



Brennan Manning, em "O Evangelho Maltrapilho"

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Dominique Voillaume - Viver para Deus(1ª parte)


Dominique Voillaume é para a maioria de nós um completo desconhecido, um ser anónimo, um nome estranho. Para mim, também o era, até conhecer um pouco da sua história de vida através das palavras de Brennan Manning.

Brennan Manning conviveu muito de perto com Dominque, viveu e partilhou existência comunitária com ele. A forma como ele descreve o modo de vida, a maneira de ser, a capacidade de amar e doar-se de Dominique não nos pode deixar indiferentes perante o seu exemplo de serviço a Deus e ao próximo; o seu testemunho simples de fidelidade ao amor de Deus. 

Eu não podia deixar de partilhar esta história real com todos vós, caros leitores, amigos, irmaõs...
Estou certo que todos os que lerem esta história serão enriquecidos e receberão motivação especial e forte encorajamento para prosseguir no Caminho.

O texto é extenso, por isso dividi-o em duas partes. Se Deus quiser, a 2ª parte será postada amanhã.

Brennan Manning diz: "Dominique Voillaume influenciou a minha vida como poucas pessoas fizeram...". Apesar de não conhecer pessoalmente Dominique, posso afirmar que o pouco que conheço do seu testemunho de vida influenciou profundamente a minha maneira de olhar e compreender o mundo, as pessoas, o perdão, o amor, o Evangelho...

Eis uma forma verdadeira, autêntica, simples, despojada, desinteressada e honesta de viver o Evangelho, de obedecer ao mandamento essencial que o Mestre Jesus nos deixou: «O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei.» (João 15:12)

«Dominique Voillaume influenciou a minha vida como poucas pessoas fizeram. Certa manhã de ano novo em Saint-Remy, na França, sete de nós na comunidade dos Irmãozinhos de Jesus estávamos sentados ao redor de uma mesa numa antiga casa de pedra. Estávamos vivendo uma vida contemplativa e sem clausura entre os pobres, tendo os dias devotados ao trabalho manual e as noites envolvidas em silêncio e oração.
A mesa do café da manhã ganhou ânimo quando a nossa conversa direccionou-se para o nosso ofício diário. Um irmão alemão observou que o nosso salário estava abaixo do mínimo (sessenta centavos por hora). Comentei que os nossos empregadores nunca eram vistos na igreja da paróquia no domingo de manhã. Um irmão francês sugeriu que isso demonstrava hipocrisia. Um irmão espanhol disse que eles eram grosseiros e gananciosos. A tonalidade foi tornando-se mais cáustica e as salvas mais inclementes. Concluímos que os nossos patrões avarentos eram cretinos, mesquinhos e egocêntricos, que dormiam o domingo inteiro e jamais alçavam a mente em acção de graças a Deus.

Dominique estava sentado na ponta da mesa. Ao longo de toda a nossa discussão ele não havia aberto a boca. Olhei de relance para a ponta da mesa e vi lágrimas rolando ao longo das suas faces.
- Qual é o problema, Dominique? - perguntei.
A sua voz era quase inaudível. Tudo o que ele disse foi:
Ils ne comprennent pas.
Eles não entendem.

Quantas vezes desde aquela manhã de ano novo essa única frase foi capaz de transformar o meu ressentimento em compaixão?
Quantas vezes tenho relido a história de paixão de Jesus nos evangelhos através dos olhos de Dominique Voillaume, visto Jesus nos espasmos da agonia da morte, espancado e intimidado, flagelado e cuspido, dizendo: "Pai, perdoa-os, ils ne comprennent pas".

No ano seguinte, Dominique, um sujeito esguio e musculoso de um metro e noventa de altura, sempre usando uma boina azul-marinho, descobriu aos 54 anos que estava a morrer de um cancro inoperável. Com a permissão da comunidade ele mudou-se para uma vizinhança pobre de Paris e começou a trabalhar como guarda nocturno numa fábrica. Voltando para casa todas as manhãs às oito ele ia directamente para um parquezinho no lado oposto da rua em que vivia e sentava-se num banco de madeira. Vadiando pelo parque havia marginais - vagabundos, bêbados e fracassados, velhos sujos que olhavam provocativamente as mulheres que passavam.
Dominique nunca os criticava, censurava ou repreendia. Ele ria, contava histórias, dividia os doces que trazia, aceitava-os como eram. Por viver tanto tempo do seu santuário interior ele transmitia uma paz, um sereno senso de autodomínio e hospitalidade de coração que levava os jovens cínicos e velhos derrotados a gravitarem ao redor dele como ovos ao redor do bacon. O seu testemunho simples consistia em aceitar os outros como eram sem fazer perguntas e permitindo que eles se sentissem em casa no seu coração. Dominique foi a pessoa menos incriminatória que jamais conheci. Ele amava com o coração de Jesus Cristo». (continua)


Brennan Manning, em "A assinatura de Jesus"

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Indecisão

«Indecisão quer dizer que paramos de crescer por um período indefinido de tempo; ficamos travados. Com a paralisia da análise, o espírito humano começa a murchar. A consciência clara da nossa resistência à graça e da nossa recusa em permitir que o amor de Deus faça de nós quem realmente somos produz uma sensação de opressão. A nossa vida torna-se fragmentada, inconsistente, carente de harmonia e fora de sincronia. (...)

Apenas Jesus Cristo nos liberta da indecisão. As Escrituras não oferecem qualquer outra base para a conversão que não o magnetismo pessoal do Mestre.»

Brennan Manning, em "O Evangelho Maltrapilho"



Que Deus nos dê fé, humildade, coragem e capacidade de abnegação para viver as palavras desta oração na sua plenitude:

Oração do abandono (Charles Foucauld)
Meu Pai,
Eu me abandono a Ti,
Faz de mim o que quiseres.
O que fizeres de mim,
Eu Te agradeço.
Estou pronto para tudo, aceito tudo.
Desde que a Tua vontade se faça em mim
E em tudo o que Tu criastes,
Nada mais quero, meu Deus.
Nas Tuas mãos entrego a minha vida.
Eu Te a dou, meu Deus,
Com todo o amor do meu coração,
Porque Te amo
E é para mim uma necessidade de amor dar-me,
Entregar-me nas Tuas mãos sem medida
Com uma confiança infinita
Porque Tu és... Meu Pai!
(Charles de Foucauld)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Autenticidade

"A vida em torno do falso eu gera o desejo compulsivo de apresentar ao público uma imagem perfeita, de modo que todos nos admirem e ninguém nos conheça."
"Só pode haver dois amores fundamentais, escreveu Agostinho,"o amor a Deus, numa negligência do meu eu, ou o amor do eu, numa negligência de Deus."
Thomas Merton disse que a vida dedicada à sombra é uma vida de pecado. Pequei na minha recusa covarde - por temer ser rejeitado - de pensar, de sentir, de agir, de responder e de viver a partir do meu eu autêntico. Recusamos ser o nosso verdadeiro eu até mesmo com Deus - e depois perguntamo-nos por que nos falta intimidade com Ele.(...)

Aceitar a realidade da nossa pecaminosidade, significa aceitar o nosso eu autêntico. Judas não conseguiu encarar a sua sombra; Pedro conseguiu.(...)
Quando aceitamos a verdade do que realmente somos e a rendemos a Jesus Cristo, somos envoltos em paz, quer nos sintamos em paz, quer não. Quero dizer com isso que a paz que ultrapassa o entendimento não é uma sensação subjectiva de paz; se estamos em Cristo, estamos em paz, mesmo quando não sentimos nenhuma paz.

manning

Brennan Manning, em "O Obstinado Amor de Deus"

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

"Quem sou eu?"

Viver com a percepção de quanto somos amados é o eixo em torno do qual gira a vida cristã. Ser amados é a nossa identidade, o âmago da nossa existência. Não se trata apenas de um pensamento que reflecte o nosso senso de grandeza. É o nome pelo qual Deus nos conhece, e o meio de Ele se relacionar connosco (Ap 2:17).

Quando preciso buscar uma identidade externa a mim, sou então atraído pelo acúmulo de riquezas, poder e honra. Posso também encontrar o meu centro gravitacional nos relacionamentos. Quando extraio vida e significado de qualquer outra fonte que não o facto de eu ser amado, estou espiritualmente morto. (...)

"Quem sou eu?", perguntou Thomas Merton, ao que ele mesmo respondeu: "Sou alguém amado por Cristo"


Brennan Manning, em "O Obstinado amor de Deus"

domingo, 23 de dezembro de 2007

O Melhor Presente do mundo


Então... como é costume dizer-se por estes dias: Desejo do fundo do coração, a todos vós, um Feliz e Santo Natal!
Este post é dedicado a todos os meus visitantes, amigos e irmãos em Cristo. Peço-vos que o leiam com o coração aberto e disponível e gravem no fundo do vosso ser as palavras que mais vos tocarem e enternecerem.

Uma pergunta muito comum por estes dias: Já receberam os vossos presentes?

Para mim, o melhor e mais precioso Presente que alguma vez recebi (incluindo todos os natais da minha infância) foi-me dado por Deus, o meu Amoroso e Ternurento Aba Pai.
Um "Presente" dado com um Amor que "nenhum pensamento o pode conter; nenhum vocábulo o pode exprimir. Ele está além de tudo o que possamos racionalizar ou imaginar " (1).
Ofereceu-me o "Presente" com estas palavras:" Amei o mundo, de tal maneira, que dei o meu Filho unigénito, para que todos aqueles que nele creiam, não pereçam, mas tenham a vida eterna." (parafraseando João 3:16).
Meu irmão e Apóstolo João também me ensinou que é desta forma que se manifesta o Amor de Deus para connosco (1 João 4:9).

O meu coração foi tocado por esse "Presente" divino que me foi entregue na Pessoa de Jesus - o Filho unigénito.
Jesus veio cheio de Amor, Graça e Misericódia à imagem e semelhança do Pai Ternurento e Amoroso. Em Jesus, Aba revela-Se a nós em toda a Sua Plenitude, Verdade e Vida Abundante. (Colossenses 1:19; João 14:6).

Um dia, "ouvi" estas palavras de Jesus: «Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. (...) e tudo quanto pedirdes em meu nome, eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. (Lucas 11:9; João 14:13).
Então eu pedi em oração: Senhor Jesus, eu quero um coração novo. Quero um coração como o Teu, para amar como Tu me amas, e para amar o próximo com o Amor com que Tu nos amas.(João 13:34-35)
Quero um coração renovado, restaurado e transformado pelo poder, a ternura e a força do Teu Espírito.

Peço-Te um coração purificado e livre do egoísmo; dos maus pensamentos; dos falsos e injustos julgamentos; da mentira; da luxúria; do medo; do rancor; da inveja; da desconfiança; da ira; da autocondenação; da autosuficiência...
É do coração que "(...) procedem os maus pensamentos, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfémias." (Mateus 15:19)

Peço-Te, meu Amado e Amigo Jesusque pelo Dom da Tua Graça, transformes o meu coração de pedra em coração de carne.Senhor Jesus, "eu quero ser um cristão no meu coração" (2)

Meu Amável e Compassivo Mestre"ajuda-me a ver as pessoas com os teus olhos. Relembra-me de que sou muito perdoado. Enche-me até extravasar com o Teu Espírito Santo, de modo que possa derramar apenas amor para as pessoas(...)" (3)

Meu Terno e Amoroso Mestrequero tanto permanecer em Ti e no Teu Amor Sem Limites. Não quero que me digas que "te honro com os lábios, mas que o meu coração está longe de Ti." (Mateus 15:8). "Quero ser um Cristão no meu coração".

Senhor Jesusquero tanto "... mais claramente ver-te, mais intensamente amar-te, mais proximamente seguir-te..." (4)

Meu Querido e Adorado Mestrequero que estas palavras sejam verdade e realidade no meu coração e na minha vida: "Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim." (Gálatas 2:20)



(1) Brennan Manning, O Obstinado Amor de Deus, pag 10.

(2) Dallas Willard, A Renovação do Coração, pag 25, verso de um hino tradicional americano de autoria desconhecida (N. da T.)

(3) Brennan Manning, O Obstinado Amor de Deus, pag 58.

(4) Idem, pag 20.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

A Cruz e o Perdão


«Se há sabedoria rasa e pouco poder na nossa adoração e ministério, creio que é porque tão poucos de nós se entregaram ao que Paulo chama de morrer diariamente para o egocentrismo em todas as suas formas, incluindo a autopromoção e a autocondenação.

Fui padre franciscano durante 26 anos. Durante esse tempo, compreendi o motivo de o fundador da nossa comunidade, Francisco de Assis, não conseguir comer uma refeição num aposento onde tivessse uma Cruz ou crucifixo pendurada sem que lágrimas rolassem pelo seu rosto. É lembrado como o santo mais jubiloso da história cristã. Isso foi possível porque o foco da atenção de Francisco não estava no sofrimento em si, mas no Cristo sofredor. Francisco sabia que se ele tivesse sido a única pessoa a jamais caminhar sobre a terra, Jesus teria suportado a vergonha da Cruz por ele apenas(....)

O reconhecimento da dor de Cristo não pode estar separada do conhecimento do seu amor. Jesus Cristo crucificado não é meramente algum exemplo heróico para a igreja. É o poder e a sabedoria vivos de Deus, capacitando-nos a estender uma mão de cura a pessoas que nos defraudaram, prejudicaram ou nos voltaram as costas. Quando ouvimos a sua oração pelos seus executores: "Pai, perdoa-lhes pois não sabem o que fazem" (Lucas 23: 34), Ele lentamente transforma o nosso coração de pedra em coração de carne. Ao pé da cruz reconhecemos a nós mesmos como inimigos perdoados de Deus e somos capacitados a estender esse perdão e reconciliação.

Retorcendo-se em agonia na Cruz, Jesus diz: "Eu conheço cada momento de pecado, egocentrismo, desonestidade e amor degradado que tem desfigurado a tua vida, e eu não te julgo indigno de compaixão, perdão e salvação. Agora sê assim com os outros. Não julgues ninguém".

Apenas quando reivindicamos o amor do Cristo crucificado com convicção sentida, esse amor que transcende todos os julgamentos, somos capazes de superar qualquer medo de julgamento. Enquanto continuarmos a viver como se fossemos o que fazemos, como se fossemos o que possuímos, e como se fossemos o que os outros pensam de nós, permaneceremos repletos de julgamentos, opiniões, avaliações e condenações. Permaneceremos viciados à necessidade de colocar as pessoas nos seus lugares.»

Brennan Manning, em "A Assinatura de Jesus"

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Metanóia vs Paranóia

«A palavra bíblica para conversão é metanóiaque significa uma transformação radical do eu interior. Descobrimos que um relacionamento pessoal com Jesus Cristo não pode mais ser contido num código de faça e não faça. Ele torna-se, como escreveu Jeremias, uma aliança escrita nas tábuas de carne do coração egravada no coração mais profundo do nosso ser.
A conversão abre-nos para uma nova agenda, novas prioridades, uma diferente hierarquia de valores.

"O oposto de conversão é aversão. O outro lado da metanóia éparanóia. A paranóia é normalmente compreendida em termos psicológicos. É caracterizada por medo, suspeita, fuga da realidade. A paranóia resulta comumente em elaboradas alucinações e auto-ilusão. No contexto bíblico a paranóia implica mais do que desequilíbrio emocional ou mental. Ela diz respeito a umaatitude de seruma postura do coração. A paranóia espiritual é uma fuga de Deus e do nosso verdadeiro eu.
É uma tentativa de escapar da responsabilidade pessoal. É a tendência de evitar o custo do discipulado e buscar uma rota de fuga das exigências do evangelho. A paranóia de espírito é uma tentativa de negar a realidade de Jesus de tal modo que racionalizamos o nosso comportamento e escolhemos o nosso próprio caminho." - John Heagle, On the Way».( os grifos são meus)

Fonte: Brennan Manning, em "A assinatura de Jesus"

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

"A Hora de Falar Acabou"


"Não percas de vista o final da vida. Não esqueças o teu propósito e destino como criatura de Deus. O que tu és à vista Dele é o que tu és, e nada mais. Lembra-te que quando deixares esta terra não poderás levar contigo nada que recebeste - sinais efémeros de honra, paramentos do poder -, mas apenas o que te foi dado: um coração pleno enriquecido por honesto serviço, amor, sacrifício e coragem." - Francisco de Assis

Para Francisco, o discipulado - seguir a Cristo - não era apenas a coisa mais importante da vida - era a única coisa. Era literalmente uma questão de vida ou mortesou o que sou aos olhos de Deus e nada mais. O discipulado exige que coloquemos de lado os acessórios, paremos de fazer jogos de palavras e cheguemos á essência das coisas.
Para o seguidor de Jesus a essência está em viver pela fé e não pela religião. Viver pela fé consiste em constantemente redefinir e reafirmar a nossa identidade com Jesus, medindo-nos a partir do padrão que é Ele - não medindo a Ele a partir dos nossos dogmas eclesiásticos e heróis locais.
Jesus é a luz do mundo. Na sua luz descobrimos que não é mera retórica o que Jesus exige, mas renovação pessoal, fidelidade à Palavra e conduta criativa. Como disse Emile Leger quando deixou a sua mansão em Montreal para viver numa colónia de leprosos em África: "A hora de falar acabou."


Brennan Manning, em "A assinatura de Jesus"

domingo, 9 de dezembro de 2007

Viver como Jesus viveu

John Poulton, escreveu: "A pregação mais eficaz provém daqueles que vivem conforme aquilo que dizem. Eles próprios são a mensagem. Os cristãos têm de ser semelhantes àquilo que falam. A comunicação acontece fundamentalmente a partir da pessoa, não de palavras ou ideias. É no mais íntimo das pessoas que a autenticidade se faz entender; o que agora se transmite com eficácia é, basicamente, a autenticidade pessoal".
Havia um professor universitário hindu na Índia que, certa vez, sabendo que um dos seus alunos era cristão, disse-lhe: "Se vocês, cristãos, vivessem como Jesus Cristo viveu, a Índia estaria aos seus pés amanhã mesmo".
Eu penso que a Índia já estaria aos seus pés hoje mesmo, se os cristãos vivessem como Jesus viveu. Oriundo do mundo islâmico, o Reverendo Iskandar Jadeed, árabe e ex-muçulmano, disse: "Se todos os cristãos fossem cristãos — isto é, semelhantes a Cristo —, hoje o islã não existiria mais". - Ed René Kivitz

«Se de facto vivessemos uma vida de imitação à sua, o nosso testemunho seria irresistível. Se ousássemos viver além da preocupação connosco; se recusássemos recuar diante da possibilidade de sermos vulneráveis; se não assumíssemos coisa alguma para além de uma atitude compassiva em relação ao mundo; se fossemos uma contracultura ao desejo insano da nossa nação pelo orgulho da posição, do poder e dos bens materiais; se preferíssemos ser fiéis a sermos bem-sucedidos, as muralhas da indiferença contra Jesus ruiriam. Um punhado de nós seria talvez ignorado pela sociedade; mas, centenas, milhares, milhões desses servos poderiam abalar o mundo. Cristaõs cheios do compromisso autêntico e da generosidade de Jesus seriam o sinal mais espectacular da história da raça humana. O chamado de Jesus é revolucionário. Se o implementássemos, mudaríamos o mundo em poucos meses.» - Brennan Manning, em "A assinatura de Jesus"