domingo, 24 de janeiro de 2010

Coragem! A vida é um grande desafio.

Todos os dias somos chamados a um grande desafio, o desafio da vida. De descobrir os seus mistérios, de vencer os obstáculos, de si superar. Só experimenta a vitória quem tem coragem de ariscar a investir a sua vida na vida. Quanta gente sem vontade de viver, ou que não são preparadas para enfrentar a vida como ela é cheia de obstáculos para transpor, de problemas a resolver e conflitos interiores e exteriores. É preciso ter arte para viver, é preciso viver para aprender a arte e o sabor da vida: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (João 10,10). Mesmo a vida cristã é um labirinto, que necessita muitas vezes se “perder” para encontrar sua saída, ou suas saídas secretas, o mapa do coração e da mente do homem.

O ser humano é um mistério e meio. Para tentar entender o mistério da pessoa é preciso se aventurar a mergulhar no mistério de Deus e ser insaciável, pois assim como Deus, o ser humano nunca será totalmente desvendado, se não deixaria de ser mistério. Mas o mistério não limita a sua revelação, que se dá como a gente menos imagina ou gostaria que fosse. Uma derrota, um fracasso ou um grande momento de crise é uma grande ocasião de descobrir-se e de descobrir o outro. A pessoa é uma caixinha de surpresas e nós precisamos querer abri-la sempre sem medo. Coragem! A vida é e sempre será um grande desafio a ser vencido.

Estamos criando pessoas com medo de entrar em si mesmas, a geração do tudo pronto, do imediato, do paliativo, a pessoa se constrói, se trabalha, como um diamante bruto que precisa ser ferido para ser lapidado, e isso leva tempo, paciência e muita arte. Os desafios da vida nos ensinam a viver, nós nos formamos na escola da vida, lutando e aprendendo, a cada dia uma vitória. A vida nos reserva lutas, obstáculos e vitórias a cada dia. É preciso amar a vida e querer vivê-la com toda a intensidade, a cada momento, vivendo o presente, construindo a vida. Eu estou escrevendo para quem perdeu por qualquer motivo a vontade de viver, de lutar, de continuar a acreditar em si e nos outros. A palavra que eu te apresento é esperança: “virtude, ação de esperar o que se deseja confiança, expectativa otimista”. O que tem motivado a sua vida e as suas expectativas?

Uma palavra hoje muito usada nas empresas e para definir qualidades de pessoas que sabem sair de situações difíceis. A Resiliência: Capacidade de superar, de recuperar-se das adversidades, tanto físicas quanto emocionais, ouvindo o Monsenhor Jonas pregar percebe que resiliência é um dom do Espírito Santo, que vem em socorro daqueles que clamam, daqueles que reconhecem seus limites, mas não ficam parados sabem a quem recorrer, a força de Deus para de fracos nos fazer fortes: E me comprazo nas fraquezas, nos insultos, nas dificuldades, nas perseguições e nas angústias por causa de Cristo. Pois, quando estou fraco, então é que sou forte (II Coríntios 12,10).

Pai santo, fonte de toda vida, tu tens o mapa do nosso coração. Revela aos poucos a nós pelo Divino Espírito Santo os passos que precisamos dar em direção do sentido da vida e do gosto de viver. De experimentar as coisas boas e de não fugir dos desafios que a vida nos apresenta. Concede-nos o dom da resiliência, para superarmos os nossos limites e nunca esmorecer e desistir de viver. Quero te agradecer pelo dom supremo da vida, quero viver, quero vencer a cada dia e contigo, minha família e meus amigos vencermos os desafios. A cada instante quero agradecer o pulsar do meu coração, bendito seja o Deus da Vida que nunca nos deixa sem o seu auxilio e socorro. Amém.

Minha benção fraterna +
Padre Luizinho,
Sacerdote Canção Nova.

Haiti: Há milagres no meio da desolação!


Nos últimos dias, todos nós estivemos horrorizados pelas cenas de morte e destruição no Haiti. Milhões de pessoas como nós buscam formas de aliviar o sofrimento do povo haitiano. Não há dúvida de que, nos próximos dias, serão pronunciadas milhares de homilias para nos ajudar a compreender porque um Deus de amor pode permitir tamanho sofrimento. Hoje nesta quinta-feira de Adoração rezemos pelos nossos irmãos do Haiti.

Quando o silêncio era rompido pelas lágrimas, e meus olhos teimavam em ver toda aquela situação. A luta dos guerreiros chamados bombeiros, soldados e voluntários, salva vidas.
Para resgatar, quem sabe encontrar um sinal de vida no meio de tanta destruição.
Não precisa ter tanta fé, para ver o milagre.
Eu posso afirmar com certeza: Deus não queria isso não!
Pois diz a Sua palavra: “Não tenho prazer na morte do pecador, mas que ele se converta e viva” (cf. Ezequiel 33,11).
Deus me chama a conversão, mudar de vida.
E me faz refletir, é preciso estar sempre preparado, não posso perder tempo.
Enquanto muitos ficavam fixados na tragédia, na dor, na indignação.
Eu via muitos milagres que aconteceram ao redor, dos escombros dos olhos que não querem ver, nem ouvir.
Da enfermeira grávida que foi salva pela equipe de resgate dias depois, da menina que o mundo inteiro conheceu sua fé de que iria sobreviver. Daquele homem que embaixo do seu mercado viveu de esperança e pasta de amendoim, daquela idosa de mais de 70 anos que encheu de lagrimas os olhos dos “Anjos de resgate”…
Os olhos assustados da menina agradeciam pela vida.
Isso sim não tem explicação, isso é milagre!
Isso é ver com outros olhos, é enxergar com o coração.
Aquela tragédia, que mexeu com o nosso coração,
Mas que no meio de tantos destroços, para quem quer ver e ouvir;
Encontrão - se milagres, sinal de esperança no meio da desolação!
Há quanto tempo aquele povo sofre, o país mais pobre das Américas, nisto sim precisa acontecer um milagre, as nações que não se entenderão em Copenhague, agora se unem em favor dos irmãos. Prova para todos nós que a “natureza” que dividiu, agora pode unir as forças.
Mas não julguemos não, pois quem abre os olhos é Deus.
Como da mesma forma, só Ele consegue tirar de um grande mal um bem ainda maior.
Cabe a nós, disso tudo tirar uma grande lição, eu já tenho tirado a minha e você?
Continuemos a rezar, pois a revolta não levará a nada,
Mas o milagre da vida pode mudar o destino do nosso mundo e daquelas pessoas.
Convido você a ver diferente, a enxergar com o coração, a continuar tento fé.
arregacemos as mangas e ajudemos nosso Deus a promover mais milagres naqueles haitianos que vem tentando sobreviver muito antes do terremoto.
Qual o milagre Já se realizou ou precisa se realizar em sua vida?

Minha benção,

Padre Luizinho,
Com. Canção Nova.

Para refletir e rezar: O santo e o jarrão.

Jesus tocava fundo os corações quando contava historias e ensinava através de parábolas. A pedagogia do Mestre de Nazaré até hoje é copiada e tem enormes resultados dentro e fora da fé. Seguindo os ensinamentos de Jesus, quero iniciar o nosso dia usando a Sua sabedoria para refletir e rezar. Parábola: ‘O Santo e o Jarrão’.

Um santo vivia ansioso com o desejo de ver Deus. Depois de muito assim desejar, Deus lhe falou em um sonho e marcou um encontro com Ele no alto de uma montanha, a sós, para poder abraçá-lo.
O santo acordou vibrando! Nem poderia acreditar! Era tudo o que mais desejava na vida: ver Deus! Abraçar o próprio Deus!
Aí, começou a pensar: ‘O que vou levar para oferecer a Deus? Não poderei encontrá-lo assim, de mãos vazias… ‘ Vou levar o meu Jarrão! O meu precioso jarrão!
Mas… não posso levá-lo vazio… tenho que enchê-lo de ouro, prata, pedras preciosas… mas, tudo isso, nada vale aos olhos de Deus! É… vou enchê-lo com o que tenho de melhor: minhas orações!’
A partir desse dia, aquele santo duplicou suas orações e, por cada uma delas, colocava no jarrão uma pedrinha… quando estivesse cheio, ele subiria ao monte para encontrar-se com Deus e lhe oferecer aquele presente.
Chegou finalmente o dia! E o velho santo, vibrando de alegria e de expectativa, subiu ao monte, carregando seu precioso jarrão, cheio de orações.
Quando lá chegou, ficou a espera… mas nada de Deus se manifestar. Começou o santo a ficar inquieto… e acabou reclamando do próprio Deus… afinal, ele tinha feito a sua parte, tinha se preparado para aquele momento… e Deus, que o havia convidado, agora nem aparece!
Depois de muita reclamação, eis que se ouve uma voz a dizer:
- ‘Onde estás? O que colocaste entre nós, que não consigo te ver? Por que te escondes de mim?
E o santo respondeu com prontidão: _ ‘Aqui, Senhor! Sou eu! Trouxe um jarrão cheio com as minhas orações!
- Mas eu não te vejo! Por que te escondes atrás desse enorme jarrão?! Assim não posso te ver! Como poderei te abraçar?! Joga fora esse jarrão!’
- ‘Jogar fora o meu precioso jarrão?!’. Respondeu o santo admirado. ‘Eu o trouxe como presente para Ti!’
- ‘Joga ele fora!’ - Falou Deus. ‘Quero abraçar-te! É você que eu quero!’

Medite um pouco… Repasse a cena colocando-se no lugar daquele santo e depois responda: Nestes últimos tempos, tenho andado a esconder-me de Deus? Como e em quê isso se manifesta na minha vida? O que eu coloquei entre eu e Deus, nestes tempos?

Leitura Bíblica: Filipe disse a Jesus: «Senhor mostra-nos o Pai e isso nos basta». Jesus respondeu: «Há tanto tempo que estou no meio de vós e ainda não Me conheces, Filipe? Quem me viu, viu o Pai. Como é que dizes: “Mostra-nos o Pai”? Não acreditas que Eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que vos digo não as digo por Mim mesmo, mas o Pai que permanece em Mim, Ele é que realiza as suas obras. Acreditai em Mim: Eu estou no Pai e o Pai está em Mim. Acreditai nisto, ao menos por causa destas obras». (Jo 14, 8-11)

A face do Pai está revelada em Jesus, ou seja, Jesus revela a face do Pai! Recordemos!!!

Este texto nos fala de nossa vida de oração, do nosso relacionamento com Deus. Leia novamente, faça a sua reflexão e tire as suas conclusões, as lições para sua vida. Hoje ela pode orientar e conduzir o nosso dia, quando a gente pensa, reflete e se questiona crescemos por dentro e os primeiros a notar serão aqueles que convivem conosco.

Padre Luizinho,
Com. Canção Nova.

Qual o meio de adquirir e conservar o santo recolhimento?


A virtude característica e dominante de um adorador deve ser o recolhimento, pelo qual dirige e governa os sentimentos e a alma, sob o olhar de Deus e impelido pela graça. Os diversos estados de vida tem o seu curso especial e condição própria de felicidade; alguns a encontram na penitencia, outros no silêncio, e outros, ainda, no zelo. Para os adoradores é o santo recolhimento em Deus, como criancinha, que somente é feliz no seio da família querida, como o eleito no céu, no seio de Deus.

A alma recolhida é semelhante ao piloto que com o seu pequeno leme dirige à vontade um grande barco; é também qual superfície de uma água calma e cristalina em que Deus, como num espelho, se contempla com delicias; é ainda, por assim dizer, uma lamina de prata em que Deus se revê no esplendor se sua própria luz, que se reflete tão bem na alma recolhida aos seus pés.

Oh! Que felicidade a desta alma bem-amada, pois não perde uma só palavra de Deus, o mais suave influxo de sua voz, nenhum de seus olhares. Qual o meio de adquirir e conservar o santo recolhimento?

Começai fechando as portas e as janelas de vossa alma. Recolher-se é fugir do exterior para o interior, em Deus; fazer um ato de recolhimento é colocar-se inteiramente à disposição de Deus; ter espírito de recolhimento é nele se comprazer. O recolhimento, porem, não se limita a viver pela graça; pede um centro divino. É em Jesus, e em Jesus infinitamente bom e amável, que deveis estabelecer o centro de vida do recolhimento, porque somente nEle encontrareis a completa liberdade, a verdade sem nuvens, a santidade em sua fonte.

É a vós, que desejais viver da Eucaristia, que Jesus Cristo diz em particular: “Quem come a minha Carne e bebe o Meu Sangue, permanece em Mim e Eu nele” (Jo 6, 56). Eis, portanto, o poder e a força do santo recolhimento: esta habitação mútua, esta sociedade divino-humano que se estabelece na alma, no interior, com Jesus Cristo, presente por seu Espírito.

São Pedro Julião Eymard, apóstolo da Eucaristia.

Aqui na minha casa em Lavrinhas tem uma placa com uma frase do Papa Bento XVI no jardins de nossa casa que sempre me chama atenção: “Sem recolhimento não há profundidade!” na maioria das vezes estou tão distraído, viajando em minhas preocupações e tantas coisas e essa frase sempre me chama para o eixo de não viver a vida sem recolher o melhor, a graça, a vontade de Deus. Peço a você que hoje neste dia especial de Adoração pare um pouquinho e tente se recolher no coração de Jesus.

Oremos: Senhor Jesus Cristo presente neste admirável sacramento, recolhido por tão grande amor a cada um de nós. Venho te pedir a graça da quietude do coração, toma todas as minhas preocupações e ansiedades, distrações e tudo aquilo que não permite que eu contemple a sua face e colha do Teu Sagrado coração a paz que eu tanto necessito. Deixo o lado aberto de Tua infinita misericórdia tudo aquilo, situações e pessoas que me tiram à paz, meus pecados e sofrimentos e todas as pessoas que pediram minhas orações. Graças e louvores se dêem a todo o momento, ao Santíssimo e divinissimo Sacramento.


Conte com as minhas orações.

Padre Luizinho,
Missionário Canção Nova.

Deus está no controle

Existem momentos em nossa vida que não entendemos o porquê de muitas situações. Mesmo não havendo um motivo aparente, tudo parece “desmoronar” diante de nós. E mesmo estando perto de muitas pessoas nos sentimos sós. Muitas vezes passamos por grandes lutas, desilusões, situações adversas, decepções e angústias que tentam nos afogar. E com isso nos falta forças; só conseguimos chorar, lamentar, clamar por uma reposta que às vezes não vem.

Nessa hora, então, tendemos a fazer uma retrospectiva interior e nos perguntamos: Será que em algum momento “caímos?” Será que perdemos o primeiro amor? Desviamos do caminho? Desobedecemos? A resposta que recebemos vem do próprio Senhor: NÃO. Nada aconteceu. Nada fizemos para receber o “mal” do Senhor, assim como Jó.

Mas muitas vezes é difícil entender que para tudo existe um tempo determinado, há tempo para todo propósito. Como está descrito em Eclesiastes 3. O texto é claro quando nos diz que: “Há tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar; tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guerra, e tempo de paz.” Há um tempo para tudo, e por isso devemos passar por cada fase! São momentos duros, difíceis, que nos fazem chorar, nos deixam abatidos, nos sentimos “sozinhos”, incompreendidos...

Entretanto, é maravilhoso saber que em todo o tempo, seja de guerra, ou de paz, de choro ou de riso, de pranto ou dança, Jesus sempre está conosco, ao nosso lado! Ele nunca nos deixa só! “Eis que estou com vocês todos os dias” (Mateus 28.20). Todos os dias! Não apenas nos bons momentos, mas também nos maus.

Portanto, você, que passa por momentos de dor, assim como eu nesta hora, pode se alegrar, porque por mais difícil que sejam as circunstâncias, você pode olhar para Jesus. Veja o que Jesus disse no célebre discurso chamado de Sermão do Monte a uma multidão que o seguia: “Bem aventurados os que CHORAM, pois serão consolados.” (Mateus 5.4.) Há consolo para mim e para você! Jesus NUNCA mente! Ele não é homem para mentir! Ele é fiel! Por isso confie! Descanse! Se alegre! Pois ”o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã” (Salmo 30.5b).

:: Por Renata Lima

Pedagoga, – Salvador - Bahia.

* Namorar sem “avançar o sinal”. A beleza do namoro cristão.


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Pe. Marcos Chagas
As amizades e os namoros devem ser marcados pelo autêntico desejo de uma autoconstrução positiva, no respeito recíproco, no domínio de si, na dedicação a deveres assumidos com seriedade e responsabilidade. São ocasiões de crescimento verdadeiro.

O tempo que antecipa a vivência do matrimônio deve ser uma etapa de mútuo conhecimento, diálogo, oração e descoberta da pessoa amada numa acolhida positiva e fecunda.
É um tempo de aprender a superar os conflitos e conviver sadiamente com as diferenças. Seguramente exigirá algumas renúncias; estas, assumidas com coragem e generosidade, criarão nos noivos ou namorados capacidades e possibilidades de assumirem sempre novas renúncias e os desafios próprios na vivência madura de um matrimônio autenticamente cristão.

O deterioramento de certos casamentos pode ter como causa o desgaste. E por que este amor esfriou e acabou? Por faltarem bases sólidas. O amor, durante o tempo do namoro, foi superficial, muito apegado aos prazeres e às facilidades. Faltou a renúncia, a oblatividade. Talvez tenha sido marcado pela incapacidade de sofrer e dar a vida pela pessoa amada. Sem o espírito altruísta, sem a gratuidade que se consolida no sacrifício e na renúncia, o amor não se sustenta.

Quem pode garantir que haverá fidelidade nas tribulações, nas crises matrimoniais, nas doenças, nas dificuldades econômicas, nos desafios do controle de natalidade responsável, da gestação e da criação dos filhos, nas tentações de outros amores que prometem e parecem resolver todos os problemas? Os noivos, na liturgia do matrimônio, prometem ser fiéis um ao outro “na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, amando-se e respeitando-se todos os dias da própria vida”. Estas promessas não serão cumpridas quando o amor é hedonista, egoísta, superficial, sem nenhuma capacidade de abraçar renúncias e sofrimentos. A intimidade – tantas vezes entendida como acesso ao corpo do outro – “acontece quando um indivíduo é capaz de equilibrar o dar e o receber e pode buscar satisfazer mais o outro do que simplesmente buscar a auto-satisfação e o sucesso”

Relacionamentos superficiais e instrumentalizadores da pessoa do outro em proveito próprio (do próprio prazer) podem gerar frustrações, desconfianças e medo de viver um relacionamento profundo e verdadeiro.

É bem verdade que um desejo de manifestar fisicamente o amor, o afeto profundo, é natural e compreensível. Mas quando assume conotações claramente sexuais (através de carícias que induzem ao uso da genitalidade) esse relacionamento queima etapas e assume atitudes que são próprias do matrimônio enquanto convívio estável na manifestação de um amor esponsal sacramentalizado com finalidades unitivas (o bem dos cônjuges) e procriativas (abertura à geração de filhos), formando assim uma família.

Se o amor humano, na sua expressividade sexual-genital e demais dimensões, foi elevado à dimensão de sacramento, então significa que o uso da sexualidade-genitalidade antes do matrimônio não manifesta só a ausência de um rito, mas a ausência da Igreja e, por conseguinte, de Cristo.

Na intimidade sexual, e também nas demais expressões da união matrimonial, Deus se serve da mediação dos esposos para manifestar o seu amor. Deus ama o esposo através da esposa e a esposa através do esposo. E quem introduz Cristo e sua graça no convívio estável de uma vida a dois entre um homem e uma mulher é exatamente o sacramento do matrimônio. Por isso, seria banalizar o matrimônio todo reducionismo da sexualidade ao prazer genital ou destituir tal prazer da necessidade de uma inclusão integrada na esfera do amor a dois elevado à dignidade de sacramento.

Bem nos ensina o prof. Felipe Aquino: A vida sexual de um casal não pode começar de qualquer jeito, às vezes dentro de um carro numa rua escura, ou mesmo num motel, que é um antro de prostituição. (…). O namoro é tempo de conhecer o coração do outro, não o seu corpo; é tempo de explorar a sua alma, não o seu físico. (…). Espere a hora do casamento, e então você poderá viver a vida sexual por muitos anos e com a consciência em paz, certo de que você não vai complicar a sua vida, a da sua namorada, e nem mesmo a da criança inocente.

A partir disso, a pessoa estrategicamente vai evitando tudo o que de alguma maneira pode excitá-la ou agitá-la sexualmente, tendo sempre em vista um bem maior. Assim, namorados e noivos evitarão carícias exageradas, uma vez que isso levará a certos movimentos hormonais e psíquicos que direcionarão a uma busca de prazer, culminando no uso da genitalidade. Se, por exemplo, o encontro dos namorados é em lugar isolado e esta solidão constitui a possibilidade de certas liberdades, seria bom passar a namorar em lugar mais iluminado e freqüentado por outras pessoas.

Bom seria dialogar mais, algumas vezes rezar juntos etc. Um namoro autêntico não se esgota nas manifestações afetivas de ordem física. O importante é usar de sinceridade consigo mesmo e com Deus. O senso da medida, a prudência e a temperança, o bom senso e o discernimento evangélico vão abrindo os caminhos para namoros e noivados santos e maduros. Quem aprendeu a se controlar e a viver estas saudáveis renúncias agora, se capacitará para viver as renúncias que lhe serão exigidas no matrimônio.

Além disso, o auxílio divino é sempre indispensável. “Tu me ordenas a continência: concede-me o que ordenas, e ordena o que quiseres”.

Rezar e viver a amizade com o Senhor ajuda a entender que, mesmo existindo elementos de ordem biológica e psíquica ou mesmo influências de ordem sociocultural, existem também forças espirituais que atuam nesse contexto.

Não nos iludamos, nossa luta não é apenas “contra a carne e o sangue, mas contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra os espíritos malignos espalhados pelos ares” (Ef 6,12).
Poderíamos até considerar ingenuidade o fato de tantas pessoas atribuírem somente à esfera bio-psíquica uma realidade que também comporta um acirrado combate espiritual!

Diz o apóstolo que “Deus não nos chamou à impureza, mas à santidade” (1Ts 4,7), e para tanto ele exorta: “Mortificai, pois, os vossos membros terrenos: fornicação, impureza, paixão, desejos maus, e a cupidez, que é idolatria” (Cl 3,5).

O próprio Mestre Divino aborda o assunto afirmando essa necessidade: “Por isso, se o teu olho direito é para ti ocasião de queda, arranca-o e lança-o para longe de ti, porque é melhor para ti que se perca um dos teus membros, do que todo o teu corpo seja lançado na geena. E, se tua mão direita é para ti causa de queda, corta-a e lança-a para longe de ti, porque é melhor para ti que se perca um dos teus membros do que todo o teu corpo seja lançado na geena” (Mt 5,29-30).

Note-se, porém, que este arrancar não deve ser entendido no sentido literal, pois tudo o que Deus colocou no corpo humano tem uma finalidade boa, um sentido positivo, válido e significativo: “Deus viu tudo o que tinha feito; e era muito bom” (Gn 1,31). Todas as pessoas, tanto os celibatários quanto os casados, precisam tomar consciência que os órgãos sexuais continuam sendo sagrados e fazem parte do grande tabernáculo do Espírito Santo que é corpo humano e integram a dignidade da pessoa humana.

Portanto, o sentido do cortar, arrancar, lançar fora não diz respeito ao anular, destruir ou sufocar, mas envolve um direcionamento que leve a integrar, direcionar, sublimar numa dinâmica positiva de abertura ao querer de Deus.

Para que este processo atinja níveis de bom êxito na vivência da castidade, vai ser muito útil que a vontade seja sadiamente exercitada, iluminada por uma consciência bem esclarecida; eis a importância dos estudos, da reflexão da Escritura e, sobretudo, da intimidade com Deus na oração.

O Senhor também diz que o “olho é a lâmpada do corpo. Se o teu olho for são, todo o teu corpo terá luz. Mas se o teu olho for defeituoso, todo o teu corpo estará em trevas” (Mt 6,22-23). Portanto, se a inteligência e a vontade do homem forem obscurecidas e corrompidas pelo apego aos bens passageiros da terra ou pelas paixões ou apetites desordenados, toda a vida espiritual da pessoa ficará comprometida e corrompida pelo vício e como que lançada na escuridão, sem possibilidade de discernir o bem do mal e apreciar as coisas retamente.

À luz desta indicação que o Senhor nos oferece, importa abraçar com generosidade uma vida de sacrifício. É tolice imaginar que terá domínio e controle sereno de seus impulsos sexuais quem se expõe às ocasiões, quem tem vida mole, folgada, vive no conforto, na preguiça, no espontaneísmo, na falta de disciplina pessoal.

Os casais de namorados e noivos, bem como cada indivíduo, busquem trabalhar-se corajosamente, encontrar soluções e não desistir de conduzir livremente a própria vida exercendo um decidido senhorio sobre seus impulsos, tendo por base os valores evangélicos e o equilíbrio afetivo.

A felicidade é também uma conquista que brota do autodomínio. A Igreja nos instrui que o domínio de si mesmo “é um trabalho a longo prazo. Nunca deve ser considerado definitivamente adquirido. Supõe um esforço a ser retomado em todas as idades da vida” (Cat, 2342). A quem sinceramente se empenhar para atingir este bem-aventurado autodomínio, não faltará o auxílio generoso e abundante da graça divina. Vale a pena conferir!
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LIDZ, T. La Persona Umana. Suo sviluppo attraverso il ciclo della vita. Roma: Astrolabio, 1971, p. 380.
Cf. GATTI, G. Morale sessuale, educazione dell’amore. Leumann (Torino): Elle Di Ci, 1988, p. 143.
AQUINO, F. Jovem, levanta-te! Lorena: Cléofas, 2001, p. 99.
S. AGOSTINHO, Confissões, livro 10, n. 40.
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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

A oração em línguas


A oração em línguas é o único carisma voltado para a edificação pessoal

A oração em línguas é um dom do Espírito Santo (1 Cor 12,10). São Paulo faz vária citações sobre esse carisma e sua importância para quem o põe em prática. Vemos o apóstolo delongar-se na instrução aos Coríntios sobre o uso do dom das línguas e na correção aos exageros que por vezes ocorriam; podemos perceber que esse era um dom usado com muita freqüência, um dom muito comum para eles e assim o foi, nos primórdios, para a Igreja.

Contudo, durante muito tempo esse dom ficou esquecido e ate parecia ter desaparecido do seio da Igreja, mas novamente essa forma de oração tem ganhado expressão e é cada vez mais comum a sua prática em meio a Renovação Carismática.

Quantas vezes nos vemos perdidos, sem saber como rezar? Faltam-nos as palavras. Outras vezes começamos a louvar a Deus e não somos capazes de permanecer sequer cinco minutos em Seu louvor. Outras, ainda, sentimos o coração quase sair do peito de tanta vontade de falar com o Senhor, mas toda palavra que nos chega á boca parece ser insuficiente.

É bom saber que não estamos sozinhos, o Espírito mesmo vem em auxilio à nossa fraqueza.

Porque não sabemos o que devemos pedir nem orar como convém, Ele mesmo se dispõe a orar em nós. Trata-se do próprio Deus, que habita em nossos corações, templos Seus, a orar em nós. Diz a Sagrada Escritura que Ele o faz com gemidos inefáveis, se maneira que a inteligência humana é incapaz de entender.

São gemidos, sílabas que se combinam de maneira inteligível, mas de grande significância. É Deus que, sendo Pai e conhecendo o nosso coração, quer nos levar a uma oração profunda.

Aquele que ora em línguas não diz coisas que a inteligência humana seja capaz de compreender; a sua oração brota do seu coração, do seu espírito, rumo ao coração de Deus; ninguém o compreende, nem mesmo ele próprio, porque diz coisas misteriosas sob a ação do Espírito Santo. Há aqui um obstáculo para as pessoas que racionalizam tudo em demasia. Essa oração é uma humilhação para a inteligência... Quantas pessoas ao orar em línguas perguntam a si mesmas se não estão fazendo papel de estúpidas, até mesmo se sentem ridículas por consentir em iniciar tal forma de oração. Contraditório seria entendê-la quando a Sagrada Escritura diz que não é possível fazê-lo.

Há muitos que dizem não querer saber de dons, que a caridade lhes basta, como se esta se contrapusesse aos carismas e vice-versa. O Espírito Santo nos ensina: “Empenhai-vos em procurar a caridade. Aspirai igualmente os dons espirituais...” Devemos aspirar à caridade na mesma intensidade, da mesma forma e profundidade que os dons espirituais ( que acabam por ser uma operação da própria caridade).

Felizes são aqueles que se ariscam e se aventuram, mesmo quando os sentimentos contrariam a intenção de se lançar nessa maravilhosa experiência, já que aquele que assim reza edifica-se a si mesmo. Todos os outros carismas são para as outras pessoas; a oração em línguas é o único carisma voltado para a edificação pessoal. Convém não desperdiçar.

Extraido do livro: "Quando só Deus é a resposta"

Liturgia das Horas


A Liturgia das Horas, também chamada Ofício Divino, é a oração pública e comunitária oficial da Igreja Católica. A palavra ofício vem do latim "opus" que significa "obra". É o momento de parar em meio a toda a agitação da vida e recordar que a Obra é de Deus. Consiste basicamente na oração quotidiana em diversos momentos do dia, através de Salmos e cânticos, da leitura de passagens bíblicas e da elevação de preces a Deus. Com essa oração, a Igreja procura cumprir o mandato que recebeu de Cristo, de orar incessantemente, louvando a Deus e pedindo-Lhe por si e por todos os homens

"A Liturgia das Horas, tal como as demais acções litúrgicas, não é acção privada, mas pertence a todo o corpo da Igreja, manifesta-o e afecta-o.” (Instrução Geral da Liturgia das Horas, 20). Por esse motivo, a Igreja recomenda que seja celebrada comunitariamente, pois assim se exprime melhor a sua essência intrínseca. Sempre que seja possível, a celebração em grupo, comunitariamente, é preferível à celebração individual. No entanto, a celebração individual continua a estar inserida na oração de toda a Igreja, pelo que toda a celebração da Liturgia das Horas é sempre a seu modo comunitária.

É uma oração destinada a todos os cristãos, pelo que a Igreja convida todos a tomarem parte dela, dentro das suas possibilidades, em conjunto ou ao menos privadamente. Mas os ministros ordenados, bispos, presbíteros e diáconos, têm a especial obrigação de a celebrar, para que essa função que é de toda a Igreja seja realizada pelo menos por eles, e assim a oração da Igreja seja realizada de forma ininterrupta.

Origem da Liturgia das Horas

A oração judaica
O costume de os cristãos rezarem regularmente a diversos momentos do dia tem origem no costume judaico. Os judeus, no tempo de Jesus Cristo, tinham uma oração pública e privada perfeitamente regulamentada quanto às horas, composta de salmos e de leituras do Antigo Testamento.

Jesus Cristo, enquanto judeu, terá certamente praticado este tipo de oração, e o mesmo terão feito os Apóstolos. Os cristãos continuaram com esse costume, praticamente nos mesmos moldes, dando-lhe, claro, um sentido cristão, pelo que às leituras do Antigo Testamento cedo se juntaram leituras dos Evangelhos e das Epístolas.


Oração de Cristo e oração da Igreja
Jesus Cristo, ao longo dos Evangelhos, aparece frequentemente em oração, que aparece como parte essencial do seu ministério terreno. Do mesmo modo, recomenda aos seus discípulos que façam o mesmo e que “orem sem cessar”. Por esse motivo, os primeiros cristãos levaram a sério esta recomendação, pelo que tinham a oração regular como elemento essencial da sua vida cristã. Assim, encontramos nos Actos dos Apóstolos frequentes referências à oração dos primeiros cristãos e a horas determinadas em que essa oração era praticada, sempre com a intenção de cumprir o mandamento de Cristo.


Desenvolvimento da oração comunitária
Com o progressivo distanciamento dos judeus, sobretudo desde a destruição de Jerusalém e a diáspora, os cristãos foram desenvolvendo um esquema próprio de oração. Ao longo dos séculos, toma forma a oração regular nas cidades, sob a presidência do bispo, centrada em dois pólos: a manhã e a tarde. Todos os cristãos eram convidados a tomar parte nesta oração pública e comunitária, ainda que sem obrigação.

A recitação privada das diversas horas primeiramente não existia, mas foi sendo recomendada àqueles que não podiam participar na celebração comunitária.


A oração das horas e a vida monástica
No quinto século da era cristã. Benedito estruturou o Ofício Divino em oito períodos, incluindo um no meio da noite especificamente para os monges. A Regra de S. Bento se tornou um dos documentos mais importantes na formação da cultura ocidental. [2]

Com o aparecimento do monaquismo, a oração regular passa a fazer parte integrante da vida consagrada. O facto de ser realizada por pessoas que dedicavam grande parte do seu dia à oração levou a que essa oração se desenvolvesse e aumentasse, incluindo várias horas durante o dia, além das tradicionais de manhã e à tarde. Mais elaborada e comprida, a oração monástica acabou por influenciar a oração das catedrais, que integrou horas tipicamente monásticas.


A privatização da oração da Igreja
No início, a oração da Igreja era presidida pelo bispo, rodeado pelos seus presbíteros e diáconos e pelo povo cristão. Ora, com o desaparecimento dos diáconos e o envio dos presbíteros para zonas mais distantes da diocese, onde se estabeleceram como enviados do bispo, tal celebração comunitária acabou por cair em desuso. Os presbíteros passaram então a rezar privadamente as diversas horas.

Além disso, a oração da Igreja foi-se tornando progressivamente desconhecida para o povo cristão, pelo facto de ser mantida em latim, língua que o povo do império romano foi progressivamente abandonando e deixando de entender.

Isto motivou que a oração das horas se tornasse na prática algo reservado aos clérigos, mentalidade que se enraizou na consciência dos cristãos e que se mantém até hoje, apesar de não ser o seu sentido original.

As diversas horas litúrgicas

As diversas horas de oração existentes atualmente foram-se formando e sofrendo alterações ao longo dos tempos. Além disso, não têm todas a mesma importância. Os dois principais momentos da Liturgia das Horas são as Laudes e as Vésperas. “As Laudes, oração da manhã, e as Vésperas, oração da noite, tidas como os dois pólos do Ofício quotidiano pela tradição venerável da Igreja universal, devem considerar-se as principais Horas e como tais celebrar-se” (Sacrosanctum Concilium 89). Segue-se em importância o Ofício das Leituras e, por fim, a Hora intermédia e as Completas.

Ao iniciar a primeira hora litúrgica do dia, seja ela Laudes ou Ofício de Leitura, é costume rezar o Invitatório, que serve de introdução à oração de todo esse dia.


Laudes
Trata-se da oração realizada de manhã, tendo como objetivo consagrar o dia a Deus. Recorda ainda a Ressurreição de Cristo, que está associada à manhã.

Vésperas
Celebram-se ao fim da tarde, aproximadamente à hora do pôr-do-sol. Tem por objetivo agradecer o dia que termina. Recorda ainda a morte de Cristo e a sua Última Ceia.


Ofício de Leitura
Outrora feito durante a madrugada, trata-se duma oração que pode ser feita a qualquer hora do dia, consistindo essencialmente numa leitura longa da Bíblia e dum texto patrístico, hagiográfico ou do Magistério eclesial.


Hora intermédia
É um nome recente dado ao conjunto de três horas chamadas “menores”, pelo fato de terem menos importância no contexto das horas litúrgicas. São elas:


Completas
São a última oração do dia, mais breve, rezada antes de deitar.


Outras horas:
Antigamente existiam ainda outras horas litúrgicas:

Matinas: Oração longa constituída por salmos e leituras bíblicas e patrísticas, para ser rezada durante a madrugada, foi adaptada após o Concílio Vaticano II, para ser celebrada a qualquer hora do dia, e recebeu nome de Ofício de Leitura.
Prima: uma das horas menores, como as da atual Hora intermédia, a ser celebrada pelas 7h00. Foi abolida pelo Concílio Vaticano II, por se sobrepor à hora de Laudes.

Note-se que estas horas foram suprimidas na atual Liturgia das Horas, mas continuam a manter-se no Ofício divino anterior à reforma litúrgica, de uso opcional.


Estrutura das Horas

Laudes (Oração da manhã)

· Invitatório : V. Abri, Senhor os meus lábios. R. E minha boca anunciará vosso louvor. V. Glória ao Pai... R. Como era...
· Salmo Invitatório (geralmente o 94, mas pode ser também o 23, o 66 ou o 99).
· Hino : um para cada dia, exceto em tempos fortes (quando o hino é próprio).
· Salmodia : dois Salmos intercalados por um Cântico do AT.
· Leitura Breve
· Responsório breve
· Cântico Evangélico : Benedictus
· Preces
· Pai Nosso
· Oração final

Horas Intermediárias (Nove, Doze, Quinze)
· Introdução : V. Vinde o Deus em meu auxílio. R. E minha boca proclamará vosso louvor. V. Glória... R. Como era..

· Hino (fixo para cada hora)
· Salmodia : Três Salmos ou 1 menor e outro maior dividido em duas partes
· Leitura breve
· Responsório breve
· Oração final


Vésperas (Oração da Tarde)


· Introdução : V. Vinde o Deus em meu auxílio. R. E minha boca proclamará vosso louvor. V. Glória... R. Como era..
· Hino : um para cada dia, exceto em tempos fortes (quando o hino é próprio).
· Salmodia : dois Salmos seguidos de um Cântico do NT.
· Leitura Breve
· Responsório breve
· Cântico Evangélico : Magnificat
· Preces
· Pai Nosso
· Oração final


Completas (antes do repouso da noite)

· Introdução : Vinde o Deus...
· Hino : fixo
· Salmodia : um Salmo ou dois
· Leitura breve
· Responsório breve (fixo)
· Cântico Evangélico : Nunc dimittis
· Oração final


· Antífona final à Nossa Senhora

Ofício das Leituras (sem hora marcada)

· Introdução : Vinde o Deus...
· Hino
· Salmodia : geralmente um Salmo dividido em três partes
· Leitura Bíblica
· Responsório breve
· Leitura Hagiográfica (de um santo) ou Patrística (de um dos primeiros escritores da Igreja)
· Responsório breve.
· Oração final

Tabela dos dias litúrgicos


I

1. Tríduo pascal da Paixão e Ressurreição do Senhor.
2. Natal do Senhor, Epifania, Ascensão e Pentecostes.
Domingos do Advento, da Quaresma e da Páscoa.
Quarta-feira de Cinzas.
Férias da Semana Santa, da Segunda à Quinta-feira inclusive.
Dias dentro da Oitava da Páscoa.

3. Solenidades do Senhor, da Virgem Santa Maria
e dos Santos inscritos no Calendário geral.
Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos.

4. Solenidades próprias, a saber:
a) Solenidade do Padroeiro principal do lugar, da cidade ou da nação.
b) Solenidade da Dedicação e do aniversário da Dedicação da igreja própria.
c) Solenidade do Título da igreja própria.
d) Solenidade do Título ou do Fundador ou do Padroeiro principal da Ordem ou Congregação.


II

5. Festas do Senhor inscritas no Calendário geral.

6. Domingos do Tempo do Natal e Domingos do Tempo Comum.

7. Festas da Virgem Santa Maria e dos Santos inscritas no Calendário geral.

8. Festas próprias, a saber:
a) Festa do Padroeiro principal da diocese.
b) Festa do aniversário da Dedicação da igreja catedral.
c) Festa do Padroeiro principal da região ou da província, da nação ou de um território mais vasto.
d) Festas do Título, do Fundador, do Padroeiro principal da Ordem ou Congregação e da província religiosa, salvo o que se prescreve no n. 4.
e) Outras festas próprias de cada igreja.
f) Outras festas inscritas no Calendário de cada diocese, Ordem ou Congregação.

9. Férias do Advento, do dia 17 ao dia 24 de Dezembro inclusive.
Dias da Oitava do Natal.
Férias da Quaresma.


III

10. Memórias obrigatórias do Calendário geral.

11. Memórias obrigatórias próprias, a saber:
a) Memórias do Padroeiro secundário do lugar, da diocese, da região ou da província, da nação ou de um território mais vasto, da Ordem ou Congregação e da província religiosa.
b) Outras memórias obrigatórias inscritas no Calendário de cada diocese, Ordem ou Congregação.

12. Memórias facultativas que também se podem celebrar nos dias referidos no n. 9, segundo o modo peculiar descrito nas Instruções do Missal Romano e sobre a Liturgia das Horas. Podem celebrar-se na mesma forma como memórias facultativas as memórias obrigatórias eventualmente, ocorrem nas férias da Quaresma.

13. Férias do Advento até ao dia 16 de Dezembro inclusive.
Férias do Tempo do Natal, desde o dia 2 de Janeiro até ao Sábado depois da Epifania.
Férias do Tempo Pascal, desde a Segunda-feira depois da Oitava da Páscoa até ao Sábado antes do Pentecostes inclusive.
Férias do Tempo Comum.

O ano litúrgico e o calendário

O ano litúrgico e o calendário


O dia litúrgico em geral
1. O dia litúrgico começa à meia noite e termina na meia noite seguinte. Mas a celebração do domingo e das solenidades começa na tarde do dia precedente (AC 3: EDREL 633).

O domingo
2. O domingo deve considerar-se como o dia de festa primordial (AC 4: EDREL 634). Pela sua peculiar importância, o domingo cede a sua celebração somente às solenidades e às festas do Senhor. Mas os domingos do Advento, da Quaresma e da Páscoa têm a precedência sobre todas as festas do Senhor e sobre todas as solenidades. As solenidades que coincidem com estes domingos são transferidas para a segunda-feira seguinte, excepto quando se trata de ocorrência no Domingo de Ramos ou no Domingo da Ressurreição do Senhor (AC 5: EDREL 635).

As solenidades, as festas e as memórias
3. As celebrações, segundo a importância que lhes é atribuída, distinguem-se e são denominadas desta forma: solenidade, festa, memória (AC 10: EDREL 640).
4. As solenidades são os dias principais. A sua celebração inicia-se com as Vésperas I no dia anterior. Algumas solenidades têm também Missa própria da vigília, que se utiliza na tarde do dia anterior, se a Missa se celebra nas horas vespertinas (AC 11: EDREL 641).
5. As festas celebram-se dentro do limite do dia natural; não têm, portanto, Vésperas I, a não ser que se trate de festas do Senhor que coincidem com um domingo do Tempo Comum ou do Tempo do Natal; neste caso substituem o Ofício do domingo (AC 13: 643).
6. As memórias são obrigatórias ou facultativas; a sua celebração ordena-se com a das férias ocorrentes, segundo as normas descritas nas Instruções gerais do Missal Romano e da Liturgia das Horas.
As memórias obrigatórias que coincidem com as férias da Quaresma só podem ser celebradas como memórias facultativas.
Quando ocorrem no mesmo dia várias memórias facultativas, só uma delas pode ser celebrada, omitindo as outras (AC 14: EDREL 644).
7. Nos sábados do Tempo Comum, em que não ocorre uma memória obrigatória, pode celebrar-se a memória facultativa de Nossa Senhora (AC 15: EDREL 645).

As férias
8. Os dias da semana que se seguem ao domingo chamam-se férias; a sua celebração difere segundo a importância de cada uma (AC 16: EDREL 646).

O Tríduo pascal
9. O Tríduo pascal da Paixão e Ressurreição do Senhor inicia-se com a Missa da Ceia do Senhor, tem o seu centro na Vigília Pascal e termina nas Vésperas do domingo da Ressurreição (AC 19: EDREL 649).

O Tempo Pascal
10. Os cinquenta dias que se prolongam desde o domingo da Ressurreição até ao domingo do Pentecostes celebram-se na alegria e exultação como um único dia de festa, melhor, como «um grande Domingo» (AC 22: EDREL 652).
11. Os oito primeiros dias do Tempo Pascal constituem a Oitava da Páscoa e celebram-se como solenidades do Senhor (AC 24: EDREL 654).

O Tempo da Quaresma
12. O Tempo da Quaresma decorre desde a Quarta-Feira de Cinzas até à Missa da Ceia do Senhor exclusive (AC 28: EDREL 658).

O Tempo do Natal
13. O Tempo do Natal decorre desde as Vésperas I do Natal do Senhor até ao domingo depois da Epifania, isto é, até ao domingo a seguir ao dia 6 de Janeiro inclusive (AC 33: EDREL 663).

O Tempo do Advento
14. O Tempo do Advento começa com as Vésperas I do domingo que ocorre no dia 30 de Novembro ou no mais próximo a este dia e termina antes das Vésperas I do Natal do Senhor (AC 40: EDREL 670).

O Tempo Comum
15. O Tempo Comum começa na Segunda-feira a seguir ao domingo que ocorre depois do dia 6 de Janeiro e prolonga-se até à Terça-‑feira antes da Quaresma inclusive; retoma-se na Segunda-feira a seguir ao Domingo do Pentecostes e termina antes das Vésperas I do Domingo I do Advento (AC 44: EDREL 674).

As Rogações e as Quatro Têmporas
16. Para que as Rogações e as Quatro Têmporas se adaptem às diversas necessidades dos fiéis, é conveniente que as Conferências Episcopais determinem o tempo e o modo de as celebrar (AC 46: EDREL 676).
Assim, a Conferência Episcopal Portuguesa decidiu:
a) manter as Rogações, embora reduzindo a um só dia a sua celebração;
b) fixar essa celebração na Quinta-feira após o VI Domingo da Páscoa, podendo rezar-se ou cantar-se as Ladainhas dos Santos e fazer-se a procissão, conforme o costume antigo, porventura com a bênção dos campos;
c) sugerir que se usem os textos indicados pelo Missal Romano para a Missa pela santificação do trabalho humano e para a Missa em qualquer necessidade, ou, no caso de não haver Missa, que se faça uma celebração da Palavra adequada, devendo, em ambos os casos, escolher-se as respectivas leituras entre as que são propostas pelo Leccionário;
d) suprimir a celebração litúrgica das Quatro Têmporas.

Ocorrência de celebrações litúrgicas
17. Quando no mesmo dia coincidem várias celebrações, faz-se aquela que na tabela dos dias litúrgicos tem precedência (AC 60: EDREL 690).
18. Se em determinado ano uma solenidade for impedida por um dia litúrgico que tenha precedência sobre ela, transfere-se para o dia mais próximo que esteja livre das celebrações enumeradas nos nn. 1-8 da referida tabela. As outras celebrações omitem-se nesse ano (AC 60: EDREL 690).
19. As solenidades que coincidem com os domingos do Advento, da Quaresma e da Páscoa são transferidas para a segunda-feira seguinte, excepto quando se trata de ocorrência no Domingo de Ramos ou no Domingo da Ressurreição do Senhor (AC 5: EDREL 635).
20. Quando no mesmo dia coincidem as Vésperas do Ofício corrente com as Vésperas I do dia seguinte, celebram-se as Vésperas da celebração que, na tabela dos dias litúrgicos, tem precedência; em caso de igualdade, celebram-se as Vésperas do dia corrente (AC 61: EDREL 691).

Transferência para os domingo do Tempo Comum
de celebrações que ocorrem num dia de semana
21. Para o bem pastoral dos fiéis, podem transferir-se para os domingos do Tempo Comum as celebrações que ocorrem num dia de semana e que são de especial devoção dos fiéis, contanto que estas celebrações, na tabela dos dias litúrgicos, tenham precedência sobre os domingos (AC 58: EDREL 688).

Jesus Eucarístico: Deus no meio de nós!


O sacramento da Eucaristia é junto com devoção à Virgem Maria, a mais bela riqueza que temos na nossa Igreja.

O papa da Eucaristia, S. Pio X dizia:

“A devoção à Eucaristia é a mais nobre de todas as devoções, porque tem o próprio Deus por seu objeto; o Autor da graça; e é a mais suave ,pois suave é o Senhor”.
A Eucaristia é Jesus Amor. Por isso ela é Sacramento do Amor, é uma resposta e um sinal para um mundo com tanto desamor. Neste Sacramento está Jesus Vivo e Verdadeiro, o “Deus Amor” (Jo 4,8), o Deus que nos amou e nos ama até o fim (cf. Jo 13,1).

Todas as expressões de amor estão contidas na Eucaristia: o Amor Encarnado, o amor Crucificado, o Amor de União, o Amor que inebria, o Amor Apaixonado...

São Pedro Julião dizia: “Ser possuído por Jesus, e possuí-lo: eis o Reino perfeito do Amor.” A Eucaristia é este “Reino Perfeito”: nós o possuímos e Ele nos possui; nós o recebemos escondido no Pão é Ele toma posse de todo nosso ser e nesta íntima e perfeita união realiza-se maravilhas na alma, porque Aquele que os anjos adoram vive e reina dentro de nós.

Não há nada que possa comparar com a alma que com devoção e humildade adora o Pão da Vida, se os católicos soubessem que efeito isto causa, trocaria suas prioridades, por tais momentos de oração, pois diante do trono, no tabernaculo os “verdadeiros adoradores” (cf. Jo 4,23) são capazes de abalar as “estruturas do inferno”. Podemos mudar o rumo da humanidade pela adoração ao Santíssimo.

Assim ocorreu com S. João Maria Vianey, uma alma apaixonada por Jesus Eucarístico, que chegando a pequena e pouco conhecida aldeia de Ars, verificou em que decadência e perversão encontravam-se aquele lugar e decidiu logo começar a agir e da forma mais sábia:

Ele não implantou já pastorais e muito menos fez campanhas sociais; o neo-sacerdote levantava-se todo o dia a duas da madrugada, punha-se em oração junto ao altar, dentro da escura igreja e orava preparando-se para a Santa Missa, depois desta dava ação de graças e permanecia em adoração até o meio dia: sempre ajoelhado no piso nu da igreja, sem se apoiar em nada, com o terço nas mãos e o olhar fixo no sacrário.

Porém, isto não permaneceu por muito tempo, pois a fecundidade daquela adoração, começou a dar frutos e pouco a pouco as almas foram sendo atraídas e o santo precisou mudar o seu programa pois a Igreja foi considerada pequena para conter a multidão que vinha da própria aldeia e das romarias feitas pelas cidades vizinhas, enquanto o padre teve que por muitas vezes ficar atendendo confissão até por dezoito horas interruptas.

Quantos milagres, quantas conversões aconteceram naquele pequeno lugar na França. Tudo obra de profunda adoração a Jesus Eucarístico!

E, em tudo isso, o que é mais lindo: é a sua presença nos tabernáculos das nossas Igrejas, aprisionado por Amor a nós, esperando a nossa visita.

por: Irmã Cíntia Teixeira de Sousa, Asjm

Ensinamentos dos Santos sobre a Eucaristia



São João Crisóstomo
“Deu-se todo não reservando nada para si”.
“Não comungar seria o maior desprezo a Jesus que se sente “doente de amor” (Ct 2,4-5)”

São Boaventura
“Ainda que friamente aproxime-se confiando na misericórdia de Deus”

São Francisco de Sales
“Duas espécies de pessoas devem comungar com freqüência: os perfeitos para se conservarem perfeitos,
e os imperfeitos para chegarem à perfeição”

Santa Teresa de Ávila
“Não há meio melhor para se chegar à perfeição”.
“Não percamos tão grande oportunidade para negociar com Deus.
Ele [Jesus] não costuma pagar mau a hospedagem se o recebemos bem”.
“Devemos estar na presença de Jesus Sacramentado, como os Santos no céu, diante da Essência Divina”.

São Bernardo
“A comunhão reprime as nossas paixões: ira e sensualidade principalmente”.
“Quando Jesus está presente corporalmente em nós, ao redor de nós, montam guarda de amor os anjos”.

São Vicente Ferrer
“Há mais proveito na Eucaristia que em uma semana de jejum a pão e água"

Santo Ambrósio
“Eu que sempre peco, preciso sempre do remédio ao meu alcance”

São Gregório Nazianzeno
"Este pão do céu requer que se tenha fome. Ele quer ser desejado”.
“O Santíssimo Sacramento é fogo que nos inflama de modo que, retirando-no do altar,
espargimos tais chamas de amor que nos tornam terríveis ao inferno”

São Tomás de Aquino
“A comunhão destrói a tentação do demônio"

Concílio de Trento
“Remédio pelo qual somos livres das falhas cotidianas e preservados dos pecados mortais”

Santo Afonso de Ligório
“A comunhão diária não pode conviver com o desejo de aparecer, vaidade no vestir,
prazeres da gula, comodidades, conversas frívolas e maldosas. Exige oração, mortificação, recolhimento.”
“Ficai certos de que todos os instantes da vossa vida, o tempo que passardes diante do Divino Sacramento será o que vos dará mais força durante a vida, mais consolação na hora da morte e durante a eternidade”

São Pio X
“A devoção à eucaristia é a mais nobre de todas as devoções, porque tem
o próprio Deus por objeto; é a mais salutar porque nos dá o próprio autor
da graça; é a mais suave, pois suave é o Senhor”.
“Se os anjos pudessem sentir inveja, nos invejariam porque podemos comungar”

Santo Agostinho
“Não somos nós que transformamos Jesus Cristo em nós, como fazemos com os outros alimentos que tomamos,
mas é Jesus Cristo que nos transforma nele.”
“Sendo Deus onipotente, não pôde dar mais; sendo sapientíssimo, não soube dar mais;
e sendo riquíssimo, não teve mais o que dar.”
“ A Eucaristia é o pão de cada dia que se toma como remédio para a nossa fraqueza de cada dia.”
“Na Eucaristia Maria perpetua e estende a sua maternidade”

Papa Pio XII
“A fé da Igreja é esta: que um só e o mesmo é o Verbo de Deus e o Filho de Maria,
que sofreu na cruz, que está presente na Eucaristia, e que reina no céu”

São Gregório de Nissa
“Nosso corpo unido ao corpo de Cristo, adquire um princípio de imortalidade, porque se une ao Imortal”

São João Maria Vianney
“Cada hóstia consagrada é feita para se consumir de amor em um coração humano”

Santa Teresinha
“Não é para ficar numa âmbula de ouro, que Jesus desce cada dia do céu, mas para encontrar um outro céu, o da nossa alma, onde ele encontra as sua delícias”. “Quando o demônio não pode entrar com o pecado no santuário de uma alma, quer pelo menos que ela fique vazia, sem dono e afastada da comunhão”

Santa Margarida Maria Alacoque
“Nós não saberíamos dar maior alegria ao nosso inimigo, o demônio, do que afastando-nos de Jesus,
o qual lhe tira o poder que ele tem sobre nós”

São Filipe Neri
“A devoção ao Santíssimo Sacramento e a devoção à Santíssima Virgem são, não o melhor,
mas o único meio para se conservar a pureza. Somente a comunhão é capaz de conservar um coração puro aos 20 anos.
Não pode haver castidade sem a Eucaristia”

Santa Catarina de Gênova
“O tempo passado diante do Sacrário é o tempo mais bem empregado da minha vida”

São João Bosco
“Não omitais nunca a visita a cada dia ao Santíssimo Sacramento,
ainda que seja muito breve, mas contanto que seja constante”

Quereis que o Senhor vos dê muitas graças? Visitai-o muitas vezes. Quereis que Ele vos dê poucas graças?
Visitai-o poucas vezes. Quereis que o demônio vos assalte? Visitai raramente a Jesus Sacramentado.
Quereis que o demônio fuja de vós? Visitai a Jesus muitas vezes. Quereis vencer ao demônio?
Refugiai-vos sempre aos pés de Jesus. Quereis ser vencidos? Deixai de visitar Jesus...”

Imitação de Cristo (Tomás de Kempis)
“Ao sacerdote na consagração é dado ao que aos anjos não foi concedido”.
“Não há oblação mais digna, nem maior satisfação para expiar os pecados, que oferecer-se a si mesmo a Deus, pura e inteiramente, unido à oblação do Corpo de Cristo, na missa e na comunhão”.

“A Eucaristia é a saúde da alma e do corpo, remédio de toda enfermidade espiritual,
cura os vícios, reprime as paixões, vence ou enfraquece as tentações, comunica maior graça,
confirma a virtude nascente, confirma a fé, fortalece a esperança, inflama e dilata a caridade.

História da Solenidade de Corpus Christi


No final do século XIII surgiu em Lieja, Bélgica, um Movimento Eucarístico cujo centro foi a Abadia de Cornillon fundada em 1124 pelo Bispo Albero de Lieja. Este movimento deu origem a vários costumes eucarísticos, como por exemplo a Exposição e Bênção do Santíssimo Sacramento, o uso dos sinos durante a elevação na Missa e a festa do Corpus Christi.

Santa Juliana de Mont Cornillon, naquela época priora da Abadia, foi a enviada de Deus para propiciar esta Festa. A santa nasceu em Retines perto de Liège, Bélgica em 1193. Ficou órfã muito pequena e foi educada pelas freiras Agostinas em Mont Cornillon. Quando cresceu, fez sua profissão religiosa e mais tarde foi superiora de sua comunidade. Morreu em 5 de abril de 1258, na casa das monjas Cistercienses em Fosses e foi enterrada em Villiers.

Desde jovem, Santa Juliana teve uma grande veneração ao Santíssimo Sacramento. E sempre esperava que se tivesse uma festa especial em sua honra. Este desejo se diz ter intensificado por uma visão que teve da Igreja sob a aparência de lua cheia com uma mancha negra, que significada a ausência dessa solenidade.

Juliana comunicou estas aparições a Dom Roberto de Thorete, o então bispo de Lieja, também ao douto Dominico Hugh, mais tarde cardeal legado dos Países Baixos e Jacques Pantaleón, nessa época arquidiácolo de Lieja, mais tarde o Papa Urbano IV.

O bispo Roberto focou impressionado e, como nesse tempo os bispos tinham o direito de ordenar festas para suas dioceses, invocou um sínodo em 1246 e ordenou que a celebração fosse feita no ano seguinte, ao mesmo tempo o Papa ordenou, que um monge de nome João escrevesse o ofócio para essa ocasião. O decreto está preservado em Binterim (Denkwürdigkeiten, V.I. 276), junto com algumas partes do ofício.

Dom Roberto não viveu para ser a realização de sua ordem, já que morreu em 16 de outubro de 1246, mas a festa foi celebrada pela primeira vez no ano seguinte a quinta-feira posterior à festa da Santíssima Trindade. Mais tarde um bispo alemão conheceu os costume e a o estendeu por toda a atual Alemanha.

O Papa Urbano IV, naquela época, tinha a corte em Orvieto, um pouco ao norte de Roma. Muito perto desta localidade está Bolsena, onde em 1263 ou 1264 aconteceu o Milagre de Bolsena: um sacerdote que celebrava a Santa Missa teve dúvidas de que a Consagração fosse algo real., no momento de partir a Sagrada Forma, viu sair dela sangue do qual foi se empapando em seguida o corporal. A venerada relíquia foi levada em procissão a Orvieto em 19 junho de 1264. Hoje se conservam os corporais -onde se apóia o cálice e a patena durante a Missa- em Orvieto, e também se pode ver a pedra do altar em Bolsena, manchada de sangue.

O Santo Padre movido pelo prodígio, e a petição de vários bispos, faz com que se estenda a festa do Corpus Christi a toda a Igreja por meio da bula "Transiturus" de 8 setembro do mesmo ano, fixando-a para a quinta-feira depois da oitava de Pentecostes e outorgando muitas indulgências a todos que assistirem a Santa Missa e o ofício.

Em seguida, segundo alguns biógrafos, o Papa Urbano IV encarregou um ofício -a liturgia das horas- a São Boa-ventura e a Santo Tomás de Aquino; quando o Pontífice começou a ler em voz alta o ofício feito por Santo Tomás, São Boa-ventura foi rasgando o seu em pedaços.

A morte do Papa Urbano IV (em 2 de outubro de 1264), um pouco depois da publicação do decreto, prejudicou a difusão da festa. Mas o Papa Clemente V tomou o assunto em suas mãos e, no concílio geral de Viena (1311), ordenou mais uma vez a adoção desta festa. Em 1317 é promulgada uma recopilação de leis -por João XXII- e assim a festa é estendida a toda a Igreja.

Nenhum dos decretos fala da procissão com o Santíssimo como um aspecto da celebração. Porém estas procissões foram dotadas de indulgências pelos Papas Martinho V e Eugênio IV, e se fizeram bastante comuns a partir do século XIV.

A festa foi aceita em Cologne em 1306; em Worms a adoptaram em 1315; em Strasburg em 1316. Na Inglaterra foi introduzida da Bélgica entre 1320 e 1325. Nos Estados Unidos e nos outros países a solenidade era celebrada no domingo depois do domingo da Santíssima Trindade.

Na Igreja grega a festa de Corpus Christi é conhecida nos calendários dos sírios, armênios, coptos, melquitas e os rutínios da Galícia, Calábria e Sicília.

Finalmente, o Concílio de Trento declara que muito piedosa e religiosamente foi introduzida na Igreja de Deus o costume, que todos os anos, determinado dia festivo, seja celebrado este excelso e venerável sacramento com singular veneração e solenidade; e reverente e honorificamente seja levado em procissão pelas ruas e lugares públicos. Nisto os cristãos expressam sua gratidão e memória por tão inefável e verdadeiramente divino benefício, pelo qual se faz novamente presente a vitória e triunfo sobre a morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.