quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Adorar-Te e encontrar-Te em Teu altar

“Adorar-Te e encontrar-Te em Teu altar
E encontrar-me a mim a verdade que sou eu
Contemplar o Teu olhar..no meu pobre olhar.
e entender que nada sou diante de Ti

E meus desejos e anseios por Ti em minh’alma adentrar
Meus pensamentos, razões que se dobram perante Teu amar
E me faz ver mais alem do que os olhos podem ver
Sobre o véus desse amor... Teu mistério de luz
E não há nada maior do que essa presença a me embalar
Os meus tormentos, sofreres, angustias aos Teus vão se juntar
Tudo pra Te consolar Imolado quero estar
Estando unido a Ti no sacrifício da Cruz

Adorar-Te e encontrar-Te em Teu altar
E encontrar-me a mim a verdade que sou eu...
Adoramos o Verbo, Encarnado, eterno...
Nos prostramos aqui para Te adorar

Adoramos o Verbo Encarnado Eterno
Que se da em alimento
Corpo e Sangue para nos alimentar”

“A primeira que comungou foi a Virgem Maria
A primeira que recebeu Jesus no coração
A primeira que anunciou foi a Virgem Maria
E gerou na fé o Profeta que de Isabel nasceu
Foi por ela que aconteceu a primeira adoração
E quando os magos a encontraram houve a primeira grande exposição
Mãe capela do Santíssimo Sacrário do amor
Expoe para nós Teu filho
Expõe para nós teu filho
Mãe capela do Santíssimo
Morada do Senhor
Expõe para nós teu filho
Expõe para nós teu filho
Primeiro ostensório do Senhor
A primeira que anunciou foi a Virgem Maria
A primeira que recebeu Jesus no coração
Foi por ela que aconteceu a primeira adoração
E quando os magos a encontraram houve a primeira grande exposição”


“Mostra-me os Teus caminhos
Senhor o que queres de mim?
Dá-me o que me mandas,
E mandas o que queiras de mim
Quero entrar em Tua casa
Nos Teus braços descansar
Sentir os Teus carinhos
E repousar o meu olhar no Teu olhar
Dá-me Tua graça
Para que eu possa prosseguir
E a Tua força pra que eu não possa desistir
Pois sou Teu, e Tu és meu
Só Tu és dono de mim.”

domingo, 11 de novembro de 2007

Do humilde sentir de si mesmo

1. Todo homem tem desejo natural de saber; mas que aproveitará a ciência, sem o temor de Deus? Melhor é, por certo, o humilde camponês que serve a Deus, do que o filósofo soberbo que observa o curso dos astros mas se descuida de si mesmo. Aquele que se conhece bem despreza-se e não se compraz em humanos louvores. Se eu soubesse quanto há no mundo, porém me faltasse a caridade, de que me serviria isso perante Deus, que me há de julgar segundo minhas obras?

2. Renuncia ao desordenado desejo de saber, porque nele há muita distração e ilusão. Os letrados gostam de ser vistos e tidos por sábios. Muitas coisas há cujo conhecimento pouco ou nada aproveita à alma. E mui insensato é quem de outras coisas se ocupa e não das que tocam à sua salvação. As muitas palavras não satisfazem à alma, mas uma palavra boa refrigera o espírito e uma consciência pura inspira grande confiança em Deus.

3. Quanto mais e melhor souberes, tanto mais rigorosamente serás julgado, se com isso não viveres mais santamente. Não te desvaneças, pois, com qualquer arte ou conhecimento que recebeste. Se te parece que sabes e entendes bem muitas coisas, lembra-te que é muito mais o que ignoras. Não te presumas de alta sabedoria (Rom 11,20); antes, confessa a tua ignorância. Como tu queres a alguém preferir-te, quando se acham muitos mais doutos do que tu e mais versados na lei? Se queres saber e aprender coisa útil, deseja ser desconhecido e tido por nada.

4. Não há melhor e mais útil estudo que conhecer-se perfeitamente e desprezar-se a si mesmo. Ter-se por nada e pensar sempre bem e favoravelmente dos outros, prova é de grande sabedoria e perfeição. Ainda quando vejas alguém pecar publicamente ou cometer faltas graves, nem por isso te deves julgar melhor, pois não sabes quanto tempo poderás perseverar no bem. Nós todos somos fracos mas a ninguém deves considerar mais fraco que a ti mesmo
( LIVRO 1 - CAPITULO II - Do humilde sentir de si mesmo )

Da imitação de Cristo e do desapego das vaidades do mundo

1. Quem me segue não anda nas trevas, diz o Senhor (Jo 8,12). São estas as palavras de Cristo, pelas quais somos advertidos que imitemos sua vida e seus costumes, se verdadeiramente queremos ser iluminados e livres de toda cegueira de coração. Seja, pois, o nosso principal empenho meditar sobre a vida de Jesus Cristo.

2. A doutrina de Cristo é mais excelente que a de todos os santos, e quem tiver seu espírito encontrará nela um maná escondido. Sucede, porém, que muitos, embora ouçam frequentemente o Evangelho, sentem nele pouco enlevo: é que não possuem o espírito de Cristo. Quem quiser compreender e saborear plenamente as palavras de Cristo, é-lhe preciso que procure conformar à dele toda a sua vida.

3. Que te aproveita discutires sabiamente sobre a SS. Trindade, se não és humilde, desagradando, assim, a essa mesma Trindade? Na verdade, não são palavras elevadas que fazem o homem justo; mas é a vida virtuosa que o torna agradável a Deus. Prefiro sentir a contrição dentro de minha alma, a saber defini-la. Se soubesses de cor toda a Bíblia e as sentenças de todos os filósofos, de que te serviria tudo isso sem a caridade e a graça de Deus? Vaidade das vaidades, e tudo é vaidade (Ecle 1,2), senão amar a Deus e só a ele servir. A suprema sabedoria é esta: pelo desprezo do mundo tender ao reino dos céus.

4. Vaidade é, pois, buscar riquezas perecedoras e confiar nelas. Vaidade é também ambicionar honras e desejar posição elevada. Vaidade, seguir os apetites da carne e desejar aquilo pelo que, depois, serás gravemente castigado. Vaidade, desejar longa vida e, entretanto, descuidar-se de que seja boa. Vaidade, só atender à vida presente sem providenciar para a futura. Vaidade, amar o que passa tão rapidamente, e não buscar, pressuroso, a felicidade que sempre dura.

5. Lembra-te a miúdo do provérbio: Os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos de ouvir (Ecle 1,8). Portanto, procura desapegar teu coração do amor às coisas visíveis e afeiçoá-lo às invisíveis: pois aqueles que satisfazem seus apetites sensuais mancham a consciência e perdem a graça de Deus.
( LIVRO 1 - CAPÍTULO I - Da imitação de Cristo e do desapego das vaidades do mundo )

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

As Sete Meditações sugeridas por Santo Afonso Maria de Ligório


Domingo

Do fim do homem

1. Considera, cristão, que a existência que tens, de Deus a recebeste, criando-te á Sua imagem e semelhança, sem mérito algum da tua parte.Adaptou-te por filho nas almas salutares do Batismo; amou-te mais do que se fosse teu pai, e criou-te com o fim de O amares e servires nesta vida para depois O gozares na glória.de maneira que não nasceste nem deves viver para gozar, para ser rico poderoso, para comer, beber e dormir, como os irracionais, mas somente para amar ao teu Deus e ser dito eternamente.As criaturas foram postas por Deus á tua disposição para que te auxiliem a conseguir tão glorioso fim.Oh! infeliz de mim! que em tudo tenho pensado, menos no fim para que Deus me criou!Meu Pai, pelo amor de Jesus permiti que eu comece vida nova, inteiramente santa e em tudo conforme á vossa divina vontade!

2.Considera que na hora da morte sentirás grande remorso, se não te houveres dedicado ao serviço de Deus.Que aflição a tua quando, ao termo de teus dias naquela hora suprema, chegares a conhecer que todas as grandezas e prazeres, todas as riquezas e glórias não eram mais um pouco de fumo! Ficarás estupefato ao ver que por umas bagatelas, por verdadeiras frivolidades perdeste a graça de Deus e a tua alma, sem poder remediar o mal que fizeste e sem ter tempo para trilhar o bom caminho.Ó desesperação! Ó tormento! Então compreenderás quanto vale o tempo, mas já será tarde; quererás comprá-lo a troco do teu sangue, mas já não te é possível.Ó dia calamitoso para quem não tenha servido e amado a Deus!

3.Considera quanto se descura este fim tão importante.Pensa-se em acumular riquezas, em assistir a banquetes e divertimentos, em passar alegremente os dias; e não se pensa em servir a Deus, nem em salvar a alma.O fim eterno é considerado como coisa insignificante.Por isso uma parte dos cristãos, divertindo-se banqueteando-se e cantando, caem no inferno.Oh! se soubessem o que quer dizer Inferno...Ó homem, fazes tanto para te condenares, e nada queres fazer para te salvares?!Infeliz de mim! (Exclamava ao morrer o Secretário do Rei da França, Francisco I) Infeliz de mim!Para escrever as cartas do meu príncipe, gastei tanto papel; e nem sequer aproveitei uma folha para escrever nela os pecados e fazer uma boa confissão!Oxalá (dizia no mesmo transe Felipe III, Rei da Espanha) que em vez de ser Rei eu tivesse servido a Deus na solidão do deserto! Mas para que servem naquela hora semelhantes suspiros e lamentações, se não para maior desesperação? Aprende na experiência alheia a viver solicito da tua salvação, se não queres experimentar a mesma sorte.Não te esqueças de que quanto fazes, dizes ou pensas, estranho ao que Deus quer de ti, tudo é perdido.Eia pois! Já é tempo de mudar de vida.Quererás por ventura esperar.Para te desenganares, o momento da morte, quando estejas ás portas da eternidade, prestes a cair no inferno, e quando não haja lugar para emenda?Meu Deus, perdoa-me!Amo-Vos sobre todas as coisas.Arrependo-me sumamente de Vos ter ofendido.Maria, esperança minha, roga a Jesus por mim.Amém.

Fruto I. Lembrar-me-ei freqüentemente de Deus e de seus imensos benefícios agradecendo-Lhe de todo o meu coração.

Fruto II. Regularei e empregarei bem o tempo, dirigindo todas as minhas ações em ordem á glória de Deus.


Segunda-Feira

Da importância do fim do homem

1.Considera, ó homem, quanto tens a lucrar na consecução do teu grande fim.Tens a lucrar tudo, porque, se o conseguires, salvar-te-ás, serás para sempre ditoso, gozarás em teu corpo e em tua alma toda a sorte de bens; mas se o malograres, perderás a alma e o corpo, perderás o Céu, perderás a Deus; serás eternamente desgraçado, porque condenar-te-ás para sempre.É por isso que a ocupação das ocupações, a única e importante, a única necessária, é servir a Deus e salvar a alma.Não digas pois, cristão: Agora quero satisfazes meus apetites: depois consagrar-me-ei a Deus, e espero salvar-me.Esta esperança vã tem precipitado no inferno muitos que diziam isto mesmo, e agora estão irremediavelmente condenados.

Qual dos réprobos quereria em vida condenar-se? Nenhum por certo; mas Deus amaldiçoa o que peca fiado em sua misericórdia.Maldito o homem que peca com esperança.Tu dizes: Quero cometer este pecado, e confessa-lo-ei depois.Mas tens a certeza de que não te faltará tempo para isso? Quem de assegura que não morreras repentinamente depois do pecado? É certo que pecando perdes a graça divina: E é igualmente certo que voltarás a recuperá-la? Deus usa de misericórdia com os que O temem, mas não com os que O desprezam.Também não digas: É me indiferente confessar dois pecados ou três.

Não, porque bem pode suceder que Deus esteja disposto a perdoar-te dois, e não a perdoar-te três.Deus sofre com paciência, mas não sofre sempre.Quando se enche a medida, não só não perdoa mas, castiga o pecador com a morte, ou abandona-o, de maneira que este multiplicando os seus pecados precipitar-se-á no inferno.Castigo muito pior que a própria morte.Meu irmão que isto lhes, procede com cuidado, deixa a vida desordenada que levas e consagra-te ao serviço de Deus; teme não seja este o último aviso que Deus te manda; já bastam as ofensas que Lhe tens feito, e que então grande número te tem sofrido; teme não obter perdão para mais algum outro pecado mortal que cometas.Adverte que se trata da tua alma e da tua eternidade.Oh! a quantos não tem feito abandonar o mundo, internando-os nos claustros, nas grutas e desertos, este grande pensamento da eternidade!Ah! Pobre de mim!que vantagens advieram de tantos pecados por mim cometidos?O coração angustiado, a alma presa de dor, e o ter perdido a Deus e merecido o inferno.Ó meu Deus e meu Pai, convertei-me e fazei-me cativo do Vosso Amor.

2.Considera que este negócio é por desgraça o mais descurado de todos os negócios.Em tudo se pensa, menos na salvação.Para tudo há tempo, menos para servir a Deus.Dizei a um homem mundano que freqüente os Sacramentos, que faça ao menos meia hora de oração mental cada dia; responderás: Tenho filhos, tenho família, tenho interesses, tenho outras ocupações.Mas, desgraçado, não tens também tua alma para salvar?Pensas que tuas riquezas, teus filhos, teus parentes te poderão prestar algum auxílio na hora da morte ou livrar-te do inferno, se tens a desgraça de te comandares?Não presumas de poder conciliar Deus com o mundo, O céu o com pecado.A Salvação não é um negócio que se deva tratar com indolência:É preciso que faças violência a ti mesmo, e trabalhes, se queres ganhar a coroa imortal.Quantos cristãos contavam com poder mais tarde servir a Deus e deste modo salvar-se; e não obstante estão agora no inferno!Loucura tão rematada, pensar sempre no que tão depressa acaba, e tão raras vezes no que não terá fim!Ah! Cristão! olha por ti; pensa que em breve as de abandonar este mundo e entrar na eternidade.Pobre de ti se te condenares, porque jamais poderás remediar a tua desgraça.

3.Medita, cristão, e dize contigo mesmo:Tenho uma alma só: se a perco, tenho perdido tudo.Tenho uma alma só: se consigo conquistar o mundo, condenando-a, de que me servirá tão grande conquista?Se chego a ser um homem distinto, mas perco a minha alma, de que me servirá a minha distinção?Se acumulo riquezas, se argumento, os meus haveres, se engrandeço minha família, e não obstante perco a minha alma, de que me servirá tudo isso?Que aproveitaram as riqueza, os prazeres, as vaidades a tantos os que viveram no mundo, quando seus corpos são agora cinza e pó na sepultura e suas almas estão condenadas no inferno?Se pois, minha alma só a mim pertence, se não tenho mais que uma, e se, perdendo-a uma vez, a perco para sempre, devo pensar seriamente em salvá-la.É este um ponto de suma importância, porque se trata de ser sempre feliz ou sempre desgraçado.

No meio da minha confusão, meu Deus, confesso-O: até aqui tenho vivido como cego; afastei-me muito de Vós; não tenho pensado em salvar esta minha única alma.Salvai-me, ó meu Pai, pelo amor de Jesus Cristo.Resigno me a perder tudo, contanto que não vos perca a Vós, ó meu Deus.Maria, esperança minha, salvai-me com a vossa intercessão.

Fruto I. Preparar-me-ei prontamente para a morte com uma confissão.

Fruto II. Aplicar-me-ei com o empenho e fervor aos exercícios de piedade.


Terça-Feira

Do pecado Mortal

1.Considera como, tendo sido criado por Deus para amá-Lo, com infernal ingratidão te rebelaste contra Ele, tratando-O como inimigo, desprezando sua graça e amizade.Tu sabias que com aquele pecado Lhe causavas amaríssimo desgosto, e não obstante cometeste-O.Como procede quem peca? Volta a Deus as costas; deixa de O respeitar, levanta a mão para O ferir, e tortura seu divino coração.O homem, quando peca, diz a Deus com as suas obras: Afasta-Te de mim, não Te quero obedecer, nem servir, nem reconhecer por meu Senhor, nem ter por meu Deus.O meu Deus é o prazer, o interesse, a vingança.Tal foi a linguagem do teu coração, quando preferiste a Deus a criatura.Santa Maria Madalena de Pazzi não podia acreditar que um cristão foste capaz de cometer um pecado mortal com plena advertência.E tu, querido leitor, que dizes!Quantos pecados não tens cometidos já!Perdoa-me, meu Deus, e tende piedade de mim.Eu Vos ofendi, ó Bondade infinita.Detesto os meus pecados, amo-Vos, e arrependo-me de ter caído na torpeza de Vos injuriar, ó meu Deus, digno de infinito amor.

2.Considera como Deus te falava, quando pecavas: Meu filho, eu Sou o teu Deus, que te criei do nada, e remi com o meu sangue: Eu proíbo-te sob pena de incorreres no meu desagrado, que cometas este pecado.Mas tu, pecando, dizias a Deus: Senhor, eu não quero obedecer-Te, quero satisfazer meus apetites, e é me indiferente desagradar-Te, perder a Tua graça.Eis aqui, ó meu Deus, o que eu tenho feito tantas vezes.Como tendes podido sofrer-me?Oxalá eu tivesse morrido antes de Vos ter ofendido.De agora em diante não quero desgostar-Vos mais.Quero amar-Vos, ó Bondade infinita! Dai-me a perseverança, dai-me o Vosso santo Amor.

3.Considera que, quando os pecados chegam a um certo e determinado número, Deus abandona o pecador.Por isso, se te vires tentando a pecar de novo, ó meu irmão, não digas: Confessar-me-ei depois; porque, se Deus te fizer morrer então repentinamente, se Deus te abandonar, é fora de dúvida que não te confessaras; e em tal caso, que será de ti por toda a eternidade!Eis o motivo porque tantos homens se tem condenado.Estes também esperavam o perdão; mas a morte surpreendeu-os, e perderam-se.Teme que te sobrevenha a mesma calamidade, porque não merece misericórdia quem se serve da bondade de Deus para O ofender.Depois de tantos pecados que Deus te tem perdoado, deves com razão temer que não te perdoe mais, se reincidires no caminho do mal.Dai-Lhe graças por haver te esperado até agora, e faze neste momento o propósito firme de sofrer antes a morte que cometer outro pecado mortal, dizendo sinceramente: já bastam, Senhor, as ofensas que Vós tem feito; a vida que me resta não a quero eu empregar em ofender-Vos, a Vós que O não mereceis.Quero empregá-la só em amar-Vos e em chorar as ofensas que vos tenho feito.Arrependo-me, meu Jesus, de todo o meu coração; quero amar-Vos; dai-me forças para Vos amar.Maria, minha Mãe, auxiliai-me.

Fruto I. Farei freqüentemente atos de arrependimentos, dizendo: Misericórdia, ó meu Jesus; arrependo-me de Vos ter ofendido, peço-Vos perdão para os meus pecado.

Fruto II. Examinarei se há em mim algum afeto desordenado que possa afastar-me de Deus, e desterra-lo-ei do coração.


Quarta-Feira

A Morte

1.Considera que esta vida há de acabar.Já está pronunciada a sentença; tens de morrer.A morte é certa; a hora, porém, é incerta.O que será necessário para morrer?Um ataque apopléctico, a ruptura de uma veia no peito, um catarro sufocante, um vomito de sangue, a mordedura de um animal venenoso, uma febre, uma pneumonia, uma chaga, uma inundação, um terremoto, um raio basta para te tirar a vida.A morte te assaltará, quando menos pensares.Quantos se deitaram à noite com saúde, e pela manhã foram encontrados mortos!E não poderá acontecer-te o mesmo a ti?Dos que tem morrido repentinamente, nenhum esperava morrer deste modo; e não obstante assim morreram.Se estavam em pecado, onde estão agora, e onde estarão por toda a eternidade?Seja, porém, como for, é indubitável que chegará uma ocasião em que anoitecerá para ti, e não amanhecerá, ou antes, amanhecerá, e não anoitecerá."Virei como ladrão" diz Jesus Cristo; o que quer dizer: quando menos pensares e ás escondidas.Avisa-te com tempo este teu amante Senhor, porque deseja a tua salvação.Corresponde, pois ao teu Deus; aproveita o aviso; prepara-te para bem morrer, antes de chegar a morte.Então não é tempo de preparação, porque já deve estar feita.É fora de dúvida que hás de morrer.Há de terminar para ti a cena este mundo, e não sabes quando.Quem sabe se será dentro de um ano ou dentro de um mês?Quem sabe se amanhã mesmo ainda estarás vivo?Meu Jesus, ilumine-me, e perdoe-me.

2.considera que na hora da morte assistido de um sacerdote, que fará a encomendarão da tua alma, rodeado de parentes que por ti chorarão, com o Crucifixo á cabeceira e a vela benta aos pés, já prestes a passar á eternidade.Terás a cabeça dolorida, os olhos amortecidos, a língua abrasada, a garganta cerrada, o peito opresso, o sangue gelado, as carnes gastas e o coração transpassado de dor.Ao morrer deixarás tudo; pobre e indigente serás lançado a um sepulcro, e ali apodrecerás.Os vermes e outros animais imundos roerão tuas carnes, e de ti ficarão apenas alguns ossos descarnados, um pouco de pó hediondo e nada mais.Abre uma sepultura, e vê a que ficou reduzido aquele homem opulento, aquele avaro, aquela mulher vaidosa.Assim termina a vida!Na hora da morte ver-te-ás rodeado de demônios que te apresentarão o sudário dos teus pecados, cometidos desde a tua infância.Agora o demônio, para induzir-te a pecar, encobre e desculpa as tuas faltas.Diz que é pequeno mal aquela amizade, aquela vaidade, aquele prazer, aquele rancor que alimentas em teu peito; que não há intenções criminosas naquelas conversações.Mas no momento da morte patenteará a enormidade dos teus pecados; e á luz daquela eternidade em que brevemente terás de entrar, conhecerás a gravidade da pena em que incorreste ofendendo a um Deus infinito.Apressa-te, enquanto é tempo, a remediar o mal que tens feito.

3.Considera que a morte é um momento de que depende a eternidade.Encontra-se o homem já próximo a expirar, e por conseguinte prestes a entrar em uma das duas eternidades.Sua sorte depende daquele último suspiro, imediatamente ao qual a alma é salva ou condenada para sempre.ó momento!Ó último suspiro!ó momento de que depende uma eternidade de glória ou de pena!Uma eternidade sempre feliz ou sempre desditosa!Uma eternidade de toda a espécie de bens ou de males!Uma eternidade, enfim, de Paraíso ou de Inferno! O que quer dizer: que, se naquele momento te salvares, em vez da desventura estarão sempre ao teu lado o contentamento e a felicidade; mas, se errares o golpe, e te condenares, serão teus companheiros inseparáveis e cruéis a aflição e o desespero.Na morte compreenderás o que quer dizer glória, Inferno, Pecado, Deus ofendido, lei de Deus desprezada, pecados calados na confissão, roubo não restituído. "miserável de mim!dirá o moribundo, daqui a poucos momentos hei de comparecer diante de Deus.E quem sabe a sentença que me tocará!Para onde irei?Para o Céu, ou para o inferno? A gozar com os Anjos, ou a arder com os condenados?Serei ou filho de Deus, ou escravo do demônio?Ai de mim!Sabê-lo-ei dentro em pouco, e aonde entrar pela primeira vez ali permanecerei eternamente.Ah!Daqui a poucas horas, daqui a poucos momentos que será de mim?Que será de mim, se não reparar aquele escândalo, se não restituir aquele furto, aquela fama, se não perdoar de coração ao meu inimigo, se não me confessar bem?".Então detestarás mil vezes o dia em que pecaste, o prazer que desfrutaste, a vingança que tomaste! mas demasiado tarde e sem fruto, porque o farás simplesmente por temor do castigo, e não por amor de Deus. - Ah, Senhor!Desde este momento me converto a Vós: não quero esperar pelo momento em que a morte chegue; desde já Vos amo, abraço, e quero morrer abraçado Convosco.Maria, minha Mãe, fazei que eu morra sob o manto da vossa proteção; auxiliai-me naquele derradeiro transe.

Fruto I.Encararei com desprezo a vaidade do mundo e de meu corpo, origem de tantos pecados que tenho cometido.

Fruto II.quando o demônio me tentar para ofender a Deus, direi prontamente: "Considera que hás de morrer".


Quinta-Feira

Sobre o Juízo

1.Considera que, logo que a alma tenha saído do corpo, será conduzida ao tribunal de Deus para ser julgada.O Juiz é um Deus Onipotente, ultrajado por ti, e sumamente irado.Os acusadores são os demônios, teus inimigos; o processo teus próprios pecados; a sentença é inapelável; a pena é o inferno.Ali não há companheiros, nem parentes, nem amigos; a causa será resolvida entre Deus e a tua alma.Então compreenderás a hediondez de teus pecados, e não poderás ser tão indulgente com eles, como agora o és.Responderá por teus pecados de pensamentos, palavras, obras, omissão, escândalo, respeitos humanos: tudo se há de pesar naquela grande balança da justiça divina, e se fores encontrado réu de culpa grave, uma só que seja, estarás perdido.Meu Jesus e meu Juiz, perdoai-me antes de me fazer comparecer em vosso tribunal!.

2.Considera que a justiça divina há de julgar a todos os homens no vale de Josaphat, quando no fim do mundo ressuscitar os corpos para receberem juntamente com as almas prêmio ou castigo, segundo os seus méritos.

Reflete que, se te condenares, tornarás a unir-te a este mesmo corpo, que servirá de prisão eterna á tua alma desgraçada.Naquele encontro desagradável a alma amaldiçoará o corpo, e o corpo por sua vez amaldiçoará a alma; de maneira que a alma e o corpo, que agora correm de mãos dadas em busca de prazeres lícitos, unir-se-ão, em que lhes pese, depois da morte, para ser verdugos um do outro.Ao contrário, se te salvares, esse teu corpo ressuscitará formosíssimo, impassível e resplandecente; e assim irás, em corpo e alma, gozar d vida bem-aventurada.Tal será o fim da cena deste mundo!Afundar-se-ão no nada todas as grandezas, prazeres e pompas mundanas.Tudo acabará: só ficarão as duas eternidades, uma de glória e outra de pena, uma ditosa e outra infeliz, uma de gozos, e outra de tormentos: no céu os justos, no inferno os pecadores.Desgraçado então o que tenha feito do mundo o seu ídolo, e pelos prazeres miseráveis desta terra tenha perdido tudo, alma, corpo, bem-aventurança e Deus!.

3.Considera a sentença eterna.O Juiz eterno, Jesus Cristo, voltar-se-á primeiro contra os réprobos, a quem dirás: "Ingratos, tudo se acabou para vós!Chegou a minha hora, hora de verdade e justiça, hora de indignação e vingança!Criminosos, amastes a maldição; caia sobre vós: sede malditos na eternidade: ide para o fogo eterno, privados de todos os bens e sob o peso de todos os males".Em seguida voltar-se-á para os escolhidos e dirá: "Vinde vós, meus filhos queridos, vinde possuir o reino dos céus, que vos está preparado.Vinde não já para levar a cruz em pós de Mim, mas para partilhar da minha coroa.Vinde como herdeiros de minhas riquezas e companheiros de minha glória.Vinde cantar eternamente minhas misericórdias.Vinde da terra do exílio á pátria, da miséria ao gozo, das lágrimas á alegria, do sofrimento ao descanso eterno".Meu Jesus, eu espero ser também um destes filhos afortunados.Amo-Vos sobre todas as coisas, abençoai-me desde este momento, e abençoai-me também vós, ó Maria minha querida Mãe!.

Fruto I.Farei todas as minhas ações como se devesse comparecer, na ocasião em que as executar, perante o tribunal divino a dar conta delas.

Fruto II.Exercitar-me-ei em obras de misericórdia espirituais e corporais, porque ao que as praticar prometeu Deus uma benção eterna no dia do juízo.


Sexta-Feira

Sobre o Inferno

1.Considera que o inferno é uma prisão hedionda, cheia de fogo.Neste fogo estão submersos os condenados.Neste abismo de fogo que os rodeia por todos os lados, têm chamas na boca, nos olhos, em todas as partes do corpo.Cada sentido tem seu sofrimento próprio: os olhos são atormentados pelo fumo e pelas trevas, e horrorizados pela vista dos outros condenados e dos demônios; os ouvidos ouvem dia e noite contínuos clamores, prantos e blasfêmias.O olfato é atormentado pelo cheiro nauseabundo daqueles inumeráveis corpos corrompidos, e o paladar por ardentíssima sede e fome insaciável sem poder obter uma gota de água nem uma migalha de pão.Por isso aqueles encarcerados infelizes, abrasados pela sede, devorados pelo fogo, torturados por toda a espécie de sofrimentos, choram, clamam, desesperam-se; mas não há nem haverá quem os alivie e console.Ó inferno, inferno!Quantos há que se recusam a crer em ti até o momento em que caem em teus abismos!E tu, querido leitor, que dizes?Se houvesses de morrer agora, para onde irias?Tu, que não podes suportar o ardor de uma centelha de fogo que te salta á mão, poderás estar em um abismo de fogo que te abrase, abandonado de todos por toda a eternidade e sem lenitivo algum?

2.Considera em seguida a pena que tocará ás potências da alma.A memória será sempre atormentada pelos remorsos da consciência.Tal é aquele verme que sem cessar roerá o condenado ao pensar que se perdeu voluntariamente e por um prazer envenenado.Ó Deus!Como avaliará então aqueles momentos de prazer, depois de cem, depois de mil milhões de anos no inferno?Este verme recordar-lhe-á o tempo que Deus lhe deu para expiar suas culpas, os meios que lhe proporcionou para salvar-se, os bons exemplos dos companheiros, os propósitos feitos mas ineficazes.Então verá que já não há remédio para a sua eterna ruína.Ó Deus!Ó Deus!E como estes pensamentos agravarão o seu penar!A vontade estará sempre contrariada: nunca alcançará coisa alguma do que deseja, e sempre terá o que aborrece, isto é, todos os tormentos.O entendimento conhecerá o bem enorme que perdeu: a bem-aventurança e Deus.Meu Deus!meu Deus! Perdoai-me pelo amor de Jesus Cristo, vosso Filho.

3.Pecador, a quem por agora é indiferente perder o céu e perder a Deus, quando vires os bem-aventurados triunfarem e gozarem no reino dos céus, então tu, qual animal hediondo, serás excluídos daquela pátria ditosa e privado da visão beatífica de Deus, da companhia de Maria Santíssima, dos Anjos e dos Santos; conhecerá, ai!Tua espantosa cegueira, e dirás desesperado:"Ó Paraíso de eternas delícias: Ó Deus! Ó bem infinito! Já não sois nem jamais sereis meus! Desgraçado de mim!..." Eia, meu irmão, faze penitência, muda de vida, não te guardes para quando o tempo te faltar.Entrega-te a Deus, principia a amá-lo deverás.

Roga a Jesus, roga a Maria Santíssima que tenham piedade de ti.

Fruto I.Descontarei com alguma mortificação as penas que no inferno tenho merecido.

Fruto II.Quando experimentar algum dissabor, incomodo ou dor, direi a mim mesmo: "Lembra-te que tens merecido cair, e devias ser precipitado no inferno", e tudo sofrerei com paciência.


Sábado

Da Eternidade da Penas

1.Considera que o inferno não tem fim: padecem-se nele todas as penas, e toda são eternas.De maneira que passarão cem anos daquelas penas, passarão mil, e o inferno estará como se então principiasse! Passarão cem mil anos, cem milhões, mil milhões de anos e de séculos, e o inferno continuará a ser o mesmo que no primeiro dia.Se um anjo levasse agora a um condenado a notícia de que Deus queria tirá-lo do inferno quando houvessem decorrido tantos milhões de séculos quantas são as folhas das árvores, as gotas de água do mar e os grãos de areia da terra; tu ao sabê-lo ficarias atônito e horrorizado diante desse prodigioso número de séculos passados nos tormentos.E não obstante é indubitável que aquele condenado acolheria tal notícia com mais satisfação do que tu, se te anunciassem que tinhas sido feito monarca de um grande reino.Sim; porque diria o condenado:"É verdade que hão de decorrer tantos séculos; chegará, porém, um dia em que hão de acabar".Mas ai! passarão todos esses séculos e o inferno estará em seu princípio; multiplicar-se-ão tantas vezes quantas são as gotas de água, os grãos de areia e as filhas das árvores, e o inferno não terá diminuído absolutamente nada.Qualquer condenado contentar-se-ia com que Deus lhe aumentasse suas penas e as prolongasse quanto Lhe aprouvesse, com tanto que afinal tivessem um termo: mas este termo não o terão jamais.Se pudesse ao menos o pobre condenado enganar-se a si mesmo, iludir-se e dizer: "Quem sabe?Talvez Deus um dia tenha piedade de mim, e me tire do inferno!" Mas não: o réprobo terá sempre diante de seus olhos gravada a sentença da sua condenação eterna e não poderá deixar de dizer: "Todas estas penas que sofro agora, este fogo, estas tribulações, estes clamores não acabarão jamais?Não.E quanto tempo durarão?Durarão sempre.Sempre!" Ó sempre! Ó jamais! Ó eternidade! Ó inferno! Como?Os homens crêem em ti e pecam?E continuam sempre vivendo no pecado?

2.Meu irmão, acautela-te; pensa que também para ti há inferno, se pecares.Já está acesa a teus pés aquela formidável fogueira, e agora mesmo, ai! quantas almas estão caindo nela!Reflete que, se tu também lá caíres, não poderás jamais sair.Se alguma vez mereceste o inferno, dá graças a Deus por não te haver precipitado nele, e prontamente remedeia o mal que fizeste, enquanto te é possível.Chora os teus pecados, põe em execução os meios apropriados á tua salvação, confessa-te freqüentemente, lê este ou outro livro espiritual todos os dias, como todos os dias em honra de Maria, por quem deves ter particular devoção, recitarás o Rosário, e jejuarás todos os sábados; resiste ás tentações invocando repetidas vezes os doces nomes de Jesus e Maria, foge das ocasiões de pecar, e se além disto Deus te dá vocação para abandonares o mundo, faze-o prontamente.Tudo quanto se faça para evitar uma eternidade de penas é pouco, é nada.Nunca serão exageradas as nossas precauções para nos assegurarmos uma eternidade feliz.Vê quantos anacoretas, para se livrarem do inferno, se têm internado nas grutas e nos desertos!E tu que fazes, depois de ter merecido tantas vezes o inferno?Que fazes?Não vês que a tua condenação está iminente?Volta-te para Deus e dize-lhe: "Eis-me aqui, Senhor: quero fazer tudo o que de mim quiserdes".Maria, auxiliai-me.

Fruto I.Lembrar-me-ei desta verdade freqüentemente: Tudo acaba e depressa, exceto a eternidade.

Fruto II.Se sentir alguma dificuldade em fazer o bem ou em resistir ao mal, direi a mim mesmo: tudo é pouco para adquirir a felicidade eterna.

OBS: "Retirado do livro Jardim de Devoção para os Bons Cristãos - por - Santo Afonso Maria de Ligório"

Sede Santos


"Deus nos escolheu Nele, antes da criação do mundo para sermos santos e imaculados em sua presença, no amor"."a Santíssima Trindade nos criou a sua imagem de acordo com o exemplar eterno próprio de cada um que Ela possuía em seu seio antes que o mundo existisse", naquele começo sem começo de que fala Bossuet com base em São João; "In principio erat Verbum" (Jo 1,1), "no princípio era o Verbo" pode-se acrescentar: no começo era o nada, porque Deus em sua eterna solidão, já nos trazia em seu pensamento."O Pai contemplasse a si mesmo no batismo de sua fecundidade, e eis que, pelo mesmo ato de se compreender, Ele gera outra pessoa, o Filho, seu Verbo Eterno.O tipo de todas as criaturas, que ainda não tinham saído do nada, residia eternamente Nele, e Deus as via e as contemplava no seu tipo, isto é, em si mesmo.Esta vida eterna que nossos tipos possuem sem nós em Deus, é a causa de nossa criação.

"Nossa essência criada exige o reencontro com seu princípio.O Verbo, esplendor do Pai, é o tipo eterno no qual são desenhadas as criaturas no dia de sua criação.Eis porque Deus quer que, livres de nós mesmos, elevemos os braços para nosso exemplar e que o possuamos, subindo acima de toda as coisas em direção de nosso modelo.Esta contemplação abre horizontes inesperados a alma e ela já possui de certo modo a coroa a que aspira.As imensas riquezas que Deus possui por natureza, nós podemos possuir pela virtude do amor, por sua residência em nós, por nossa residência Nele.É por esta virtude de amor imenso que nós somos atraídos para o fundo do santuário íntimo, onde Deus imprime em nós uma certa imagem de sua majestade.Portanto, é graças ao amor e pelo amor, como diz o Apóstolo, que podemos ser imaculados e santos em presença de Deus e cantar com Davi: "Serei sem mancha e me defenderei da profunda iniqüidade que está em mim".

Segunda oração.

"Sede santos porque eu sou santo".É o Senhor quem fala assim."Qualquer que seja o nosso modo de vida ou o habito que nos cobre, cada um de nós deve ser o santo de Deus.Quem é, pois, o mais santo?É aquele que mais ama, aquele que mais olha para Deus e que atende mais plenamente as exigência de seu olhar".Como satisfazer as exigências do olhar de Deus, senão mantendo-se simples e amorosamente voltado para Ele, afim de que Ele possa espelhar sua própria imagem, como o Sol se espelha através de um puro cristal."Façamos a nossa imagem e semelhança: Tal foi o grande desejo do coração de Nosso Deus"."Sem a semelhança que vem da graça, a condenação eterna nos espera.Desde que Deus nos vê capazes de receber sua graça, sua livre bondade está pronta a nos dar o dom que nos assemelha a Ele.Nossa aptidão para receber sua graça depende da integridade interior com a qual no movemos para Ele.E Deus, comunicando-nos seus dons, pode então dar-se a nós, imprimir em nós sua semelhança, absolver-nos e libertar-nos".

"A mais alta perfeição nesta vida, diz um piedoso autor, consiste em ficar de tal modo unido a Deus, que a alma com todas as suas faculdades e suas potências fique recolhida em Deus; que suas afeições unidas nas alegrias do amor não encontrem descanso senão na posse do criador.A imagem de Deus imprensa na alma é com efeito constituída pela razão, pela memória e pela vontade.Enquanto estas faculdades não trazem a imagem perfeita de Deus, elas não se assemelham a Ele como no dia da Criação.A forma da alma é Deus, que deve imprimir-se ai como o carimbo na cera, como a marca em seu objeto.Ora, isto só se realiza plenamente se a razão estiver plenamente esclarecida pelo conhecimento de Deus; se a vontade estiver presa ao amor do Bem soberano; se a memória estiver totalmente absolvida na contemplação e no gozo da eterna felicidade.E como a glória dos bem-aventurados não é outra coisa senão a perfeita posse desse estado, fica claro que a posse começa desde bens constitui a perfeição nesta vida.Para realizar este ideal, é preciso manter-se recolhido dentro de si mesmo, manter-se em silêncio na presença de Deus, enquanto a alma se abisma, se dilata, se inflama, se derrete Nele com uma plenitude sem limites".

.Fonte: Elisabete da Trindade - Obras completas

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Uma espiritualidade do coração


"Rezar é descer com a mente ao coração e ali ficar diante da face do Senhor, onipresente, onividente dentro de nós" (Teófono, místico russo).

Coração: dia após dia, a cada hora, a cada segundo, ele pulsa em nosso peito. Mesmo quando dormimos o coração está fazendo o seu trabalho. Quando ameaça parar, as coisas complicam e a vida corre risco. Nele, há um princípio vital que nos anima, que faz cada órgão do corpo funcionar.

O ritmo e o pulsar - Não há como falar de uma espiritualidade do coração sem referir-se a esse órgão essencial para a vida. Ele tem ritmo e é responsável por bombear o sangue para todo o organismo. O ritmo da espiritualidade do coração é marcado pelo debruçar-se terno e contemplativo sobre a vida em todas as suas manifestações. Seu lugar privilegiado é o universo. É dali que tira o alimento para sua meditação.

Quem vive uma espiritualidade centrada no coração, sente-o por vezes acelerado: ou porque se extasia diante de alguma experiência de gratuidade ou porque se condói diante da dor presente no mundo. "Jesus, vendo a multidão, ficou tomado de compaixão, porque estava enfraquecida e abatida como ovelhas sem pastor" (Mt. 9, 36).

Viver a partir do coração é bombear vida para todos os membros do Corpo de Cristo e para toda a humanidade. O coração de quem vive assim está sintonizado com aquele Divino Coração, no qual pulsa todo o universo, e por isso pode espalhar amor, ternura e compaixão por onde passa ou, melhor até dizer, onde está, pois não há limites para o alcance desse "divino sangue". Onde houver alguém necessitado de vida, haverá um pouco dessa transfusão. Quanto mais forem as pessoas identificadas com essa espiritualidade, mais vasos intercomunicantes e mais vida se espalhará pelo planeta.

As possíveis cardiopatias - A espiritualidade do coração identifica também as possíveis cardiopatias que ameaçam a qualidade de vida de quem a ela é chamado e a quer viver. Uma delas é a infidelidade, outra a falta de perdão. A infidelidade fere o coração e pode causar uma hemorragia que, se não for medicada, pode levar à morte. O tratamento para essa cardiopatia chama-se conversão. Quanto à falta de perdão e às mágoas, constituem uma obstrução das artérias que levam e trazem a energia amorosa dos outros e de Deus. Para essa cardiopatia o remédio eficaz chama-se perdão: pedir perdão, doar perdão, receber perdão.

O Coração de Jesus - De onde brota essa espiritualidade do coração? Da fonte mesma que é o Coração de Jesus, aberto por nós e para nós. É preciso, portanto,não somente uma devoção ao Coração de Jesus; é preciso tirar dele a prática que ilumina a vida.

O Papa Pio XII, em sua Encíclica sobre o Coração de Jesus (Haurietis aquas in gáudio), mostra-nos como o Coração do Mestre é fonte contínua para vivermos uma espiritualidade centrada no coração: "O adorável coração de Jesus Cristo pulsa de amor ao mesmo tempo humano e divino desde que a virgem Maria pronunciou aquela palavra magnânima: "Fiat". Esse mesmo amor movia o seu coração nas suas contínuas excursões apostólicas, quando realizava aqueles inúmeros milagres, quando ressuscitava os mortos ou restituía a saúde a toda sorte de enfermos, quando sofria aqueles trabalhos, suportava o suor, a fome e a sede; nas vigílias noturnas passadas em oração a seu Pai amado; e, finalmente, nos discursos que pronunciava e nas parábolas que propunha, especialmente naquelas que tratam da misericórdia, como a da dracma perdida, a da ovelha desgarrada e a do filho pródigo. Nessas palavras e nessas obras, como diz Gregório Magno, manifesta-se o próprio coração de Deus. 'Conhece o coração de Deus nas palavras de Deus, para que com mais ardor suspires pelas coisas eternas'".

Autor: Pe. Sérgio Luiz e Silva

Ser santo é deixar a Luz passar!


Descobrir a vida de alguém que se santificou é deixar-se encantar por quem muito concretamente fez do Evangelho sua própria vida.

Lembro-me de meu mestre de noviciado, Pe. Afonso Paschotte, redentorista da Província de São Paulo, falecido alguns anos atrás, que usou uma conceituação de santidade que, pela sua simplicidade e clareza, mais me tocou até hoje: Ser santo é deixar a luz passar!

Como um multicolorido vitral

Ele dava, então, como exemplo, o que acontece com o vitral de uma igreja. Durante o dia, a luz incide sobre ele e a tons multicoloridos banham o interior do templo. À noite, quando as luzes se acendem no seu interior, quem passa por fora é que é brindado com as cores do vitral. Quanto mais limpo for o vitral, mais sua luz poderá passar por ele sem obstáculos.

A santidade é como a luz que vem do sol: é uma dádiva! O vitral não produz a luz, ele a deixa passar. Sem a luz o vitral não se destaca. A luz é a Graça de Deus vindo ao encontro do homem e da mulher. Como acontece com o vitral, que quanto mais límpido facilita a luz por ele, o que podemos fazer, é manter-nos abertos e predispostos para que a Graça divina inunde nosso interior.

À noite, o fenômeno se inverte: havendo agora luz dentro do templo, ela se irradia através dos vitrais, enchendo de beleza e serenidade o ambiente ao redor. Quando a Graça de Deus está presente na pessoa, de seu interior mana luz para iluminar a escuridão de nosso mundo, tão sofrido e conflituoso. Aqueles que estão próximos desta pessoa ficam também iluminados.

Um chamado a todo discípulo de Jesus

Os santos, muito especialmente, deixaram essa luz se irradiar através deles, cumprindo aquilo que diz Jesus no Evangelho: “Assim, brilhe a vossa luz diante dos homens” (Mt. 4, 16ª). Mas este é um chamado a todo cristão, pois, pelo Batismo, todos somos chamados à santidade.

Não pense em coisas excêntricas ou extraordinárias. A santidade é feita da irradiação da luz divina no meio onde você está. Naqueles que chamamos “santos”, essa luz é tão intensa que irradia-se de forma até mesmo miraculosa. Os milagres são apenas uma conseqüência da luz que neles está. O importante não são os milagres que vivenciam, mas a ação da Graça em suas almas. Isso pode e deve acontecer com cada um de nós, discípulos de Jesus. E essa luz não está restrita a uma época determinada. Até hoje sentimos a irradiação da santidade de homens e mulheres de todos os tempos na história da Igreja.

Assim é com São Geraldo. Ele era o santo que “brincava com Deus”, tanta era sua familiaridade com Ele. Muitos milagres o seguiram em sua curta vida entre nós (morreu aos vinte e nove anos). Mas não é isso o que mais se destaca em sua história. Um dos traços mais marcantes na vida desse humilde e grande irmão redentorista foi sua dedicação aos pobres.

Aprendendo com Geraldo a olhar o pobre


Ser devoto de São Geraldo é aprender, entre outras coisas, a olhar o pobre da mesma forma como ele olhou. E ele os olhava como os preferidos de Deus, seus irmãos. Para eles, em especial, dedicou sua vida missionária.

Em um dos retiros que tivemos como Província Redentorista, o pregador, Pe. Bernardo Holmes, redentorista de Fortaleza, contou-nos uma história:

“Nós estávamos chegando à região de Parque São Miguel, periferia de Fortaleza, quando um senhor veio à nossa casa, trazendo um pouco de farinha e alguns tomates, até mesmo meio passados. Perguntei o seu nome e ele disse se chamar Sebastião Esmoler. Sim, “esmoler”, porque vivia de esmolas. Com isso, ele sustentava sua família. Ele nos disse: - Como os senhores estão vindo aqui viver entre a gente, eu vim trazer um pouquinho do que recebo para partilhar com vocês.

“Aos poucos fui travando amizade com ele e sempre fazia um café para ele tomar. Um dia ele disse: - Sabe, seu padre, pedindo esmolas a gente aprende muito sobre as pessoas! Há gente que não vê a gente. Há gente que vê, mas faz que não vê a gente. Há gente que vê a gente e desvia da gente: bate a porta, passa para o outro lado da calçada... Há gente que vê a gente e julga a gente: vai trabalhar vagabundo!... Há gente que vê a gente e usa a gente: para aliviar a sua consciência ou para se mostrar. E há gente que vê a gente como gente: nem tanto porque dá alguma coisa, mas porque olha nos olhos da gente como gente!”

Essa foi a lição dada pelo Francisco e ensinada por Pe. Bernardo. E você, como vê e age com os mais pobres? Como você deixa a luz passar através de você?

Autor: Pe. Sérgio Luiz e Silva

Vivência:

Vivência:

Inspiração: “...prescindindo do passado e atirando-me ao que resta para a frente, persigo o alvo, rumo ao prêmio celeste, ao qual Deus nos chama, em Jesus Cristo.” (Flp 3, 13-14)

Atitude: Prepare bem o seu futuro! Cuide da saúde. Estude. Faça amigos. Sorria. Ore bastante. Não antecipe preocupações desnecessárias.

Diga para si mesmo: Porque meu Senhor vive, posso crer no amanhã. Porque Ele vive, temor não há. Minha vida está nas mãos do meu Jesus, que vivo está!
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Inspiração: “É Jesus a nossa paz, ele que de dois povos fez um só, destruindo o muro de inimizade que os separava... Ele queria fazer em si mesmo dos dois povos uma única humanidade nova pelo restabelecimento da paz, e reconciliá-los ambos com Deus, reunidos num só corpo pela virtude da cruz, aniquilando nela a inimizade.” (Ef 2, 14.15b-17)

Reflexão: Passados dois mil anos da vinda de Jesus e sua mensagem de paz e transformação da pessoa humana e suas relações, o mundo continua em conflito, sem vivenciar a mensagem de amor e perdão que Jesus anunciou. Ele já realizou a sua paz para a humanidade. Ele fez, de fato, “de dois povos um só”.

O real muro que separa as pessoas já foi destruído, quando Ele deu por nós a sua vida na cruz. Mas a ambição e o orgulho enraizado nas culturas continuam separando os povos entre pobres e ricos, além das ideologias que geram tanta morte.

Viver numa perspectiva reconciliadora é também engajar-se em oração para que os povos vivam em paz, numa postura de diálogo e superação dos pontos de conflito, buscando aquilo que une e não o que divide. Não haverá reconciliação entre os povos, enquanto houver o imenso abismo que separa as nações mais ricas do mundo daquelas miseráveis. Reconciliação mundial só é possível com justiça.

Atitude: Ofereça sua oração neste mês, em especial, pelos países que estão em guerra civil ou em conflito com outros povos. Mesmo que você não saiba quais são estes países, sinta-se participante desta mesma obra de reconciliação. Afinal, estamos todos embarcados nesta mesma “nave” que viaja pelo universo: nosso planeta terra.

Diga para si mesmo: Eu coopero conscientemente para que os povos se reconciliem, promovendo a paz ao meu redor!

Mysterium fidei!

Mysterium fidei! Se a Eucaristia é um mistério de fé que excede tanto a nossa inteligência que nos obriga ao mais puro abandono à palavra de Deus, ninguém melhor do que Maria pode servir-nos de apoio e guia nesta atitude de abandono. Todas as vezes que repetimos o gesto de Cristo na Última Ceia dando cumprimento ao seu mandato: «Fazei isto em memória de Mim», ao mesmo tempo acolhemos o convite que Maria nos faz para obedecermos a seu Filho sem hesitação: «Fazei o que Ele vos disser» (Jo 2, 5). Com a solicitude materna manifestada nas bodas de Caná, Ela parece dizer-nos: «Não hesiteis, confiai na palavra do meu Filho. Se Ele pôde mudar a água em vinho, também é capaz de fazer do pão e do vinho o seu corpo e sangue, entregando aos crentes, neste mistério, o memorial vivo da sua Páscoa e tornando-se assim “pão de vida”».

S.S. João Paulo II, Ecclesia de Eucharistia, n.54.

domingo, 4 de novembro de 2007

Todo ser humano é chamado à santidade, assegura o Papa

Afirma no Ângelus da solenidade de Todos os Santos

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 2 de novembro de 2007 (ZENIT.org).- Todo ser humano é chamado à santidade, afirmou Bento XVI esta quinta-feira, dia no qual a Igreja celebrava a solenidade de Todos os Santos.

E a santidade, declarou o Papa, ao rezar a oração mariana do Ângelus junto a vários milhares de peregrinos congregados na praça de São Pedro no Vaticano, «consiste em viver como filhos de Deus».

Nessa tradicional festa de preceito em muitos países católicos, o Papa convidou os crentes a abrirem o coração, «ultrapassando os confins do tempo e do espaço» para ampliar-se «para as dimensões do Céu».

O cristão, reconheceu, «já é santo, pois o Batismo lhe une a Jesus e a seu mistério pascal, mas ao mesmo tempo tem que chegar a ser santo, conformando-se com Ele cada vez mais intimamente».

Por isso, advertiu ante o perigo de cair em um equívoco: «Às vezes pensa-se que a santidade é um privilégio reservado a alguns poucos eleitos – advertiu –. Na realidade, chegar a ser santo é a tarefa de cada cristão, mais ainda, poderíamos dizer, de cada homem!».

«Todos os seres humanos estão chamados à santidade que, em última instância, consiste em viver como filhos de Deus, nessa “semelhança” a Ele, segundo a qual, foram criados», sublinhou.

Segundo o Papa, «todos os seres humanos são filhos de Deus, e todos têm que chegar a ser o que são, através do caminho exigente da liberdade».

«Deus convida a todos a formar parte de seu povo santo. O “Caminho” é Cristo, o Filho, o Santo de Deus: ninguém pode chegar ao Pai se não por Ele», declarou.

Na tarde desta sexta-feira, comemoração dos fiéis falecidos, Bento XVI devia recolher-se em oração nas grutas da Basílica vaticana para rezar, particularmente, pelos sumos pontífices ali sepultados e por todos os falecidos.

No Ângelus do dia precedente havia alentado aos cristãos «a rezar por eles, oferecendo também os sofrimentos e os cansaços cotidianos para que, completamente purificados, possam gozar para sempre da luz e da paz do Senhor».
http://www.zenit.org/article-16611?l=portuguese

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE O PAPA JOÃO PAULO II PARA A QUARESMA DE 2004

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE O PAPA JOÃO PAULO II PARA A QUARESMA DE 2004
Caríssimos Irmãos e Irmãs!
1. Com o sugestivo rito da imposição das Cinzas tem início o tempo sagrado da Quaresma, durante o qual a liturgia renova aos crentes o apelo a uma conversão radical, confiando na misericórdia divina.
O tema deste ano - «Quem acolher em meu nome uma criança como esta, acolhe-Me a Mim» (Mt 18, 5) - oferece a oportunidade de reflectir sobre a condição das crianças; crianças que Jesus continua hoje a chamar a Si e a indicar como exemplo para aqueles que desejam tornar-se seus discípulos. As palavras de Jesus constituem uma exortação a examinar como são tratadas as crianças nas nossas famílias, na sociedade civil e na Igreja; e são também um estímulo a apreciar aquela simplicidade e confiança que o crente deve cultivar, imitando o Filho de Deus que compartilhou a sorte dos pequeninos e dos pobres. A este propósito, Santa Clara de Assis gostava de dizer que Ele, nascido, foi «reclinado numa manjedoura, viveu pobre sobre a terra e ficou despido na cruz» (Testamento, Fontes Franciscanas, n. 2841).
Jesus amou as crianças como suas predilectas pela sua «simplicidade e alegria de viver, a sua espontaneidade e a sua fé cheia de assombro» (Angelus de 18.12.1994). Por isso, quer que a comunidade as acolha, com os braços e o coração abertos, como se fosse a Ele mesmo: «Quem acolher em meu nome uma criança como esta, acolhe-Me a Mim» (Mt 18, 5). E a par das crianças, Jesus coloca os «irmãos mais pequeninos», ou seja, os pobres, os necessitados, os famintos e sedentos, os forasteiros, os nus, os doentes e os presos. A atitude que se tomar para com eles - acolhê-los e amá-los ou, ao invés, ignorá-los e rejeitá-los - é a mesma que se tem com Jesus, o Qual neles se torna particularmente presente.
2. O Evangelho narra a infância de Jesus na casa pobre de Nazaré onde, submisso a seus pais, «crescia em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens» (Lc 2, 52). Quis fazer-Se criança para compartilhar a experiência humana. «Aniquilou-Se a Si próprio; - escreve o Apóstolo Paulo - assumindo a condição de servo, tornou-Se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, humilhou-Se ainda mais, obedecendo até à morte e morte de cruz» (Fl 2, 7-8). Quando, aos doze anos, ficou no templo de Jerusalém, disse aos pais que, angustiados, O procuravam: «Porque razão Me procuráveis? Não sabíeis que Eu tenho de estar na Casa de meu Pai?» (Lc 2, 49). Na verdade, toda a sua existência foi caracterizada por uma confiante e filial submissão ao Pai celeste: «O meu alimento - dizia Ele - consiste em fazer a vontade d'Aquele que Me enviou e em dar cumprimento à sua obra» (Jo 4, 34).
Nos anos da sua vida pública, várias vezes afirmou que só entraria no Reino dos Céus quem conseguisse tornar-se como as crianças (cf. Mt 18, 3; Mc 10, 15; Lc 18, 17; Jo 3, 3). Nas suas palavras, a criança aparece como imagem eloquente do discípulo que é chamado a seguir o divino Mestre com a docilidade de um menino: «Quem for humilde como esta criança, esse será o maior no Reino dos Céus» (Mt 18, 4).
«Tornar-se» pequenino e «acolher» os pequeninos: são dois aspectos dum único ensinamento que o Senhor hoje repropõe aos seus discípulos. Somente quem se fizer «criança» é que será capaz de acolher com amor os irmãos mais «pequeninos».
3. Muitos são os crentes que procuram seguir fielmente estes ensinamentos do Senhor. Gostava de recordar aqui os pais que não hesitam em tomar a seu cuidado uma família numerosa, as mães e os pais que, no cimo das suas prioridades, colocam, não a busca do sucesso profissional e da carreira, mas a preocupação por transmitir aos filhos aqueles valores humanos e religiosos que verdadeiramente dão sentido à existência.
Penso com reconhecida admiração em quantos cuidam da formação da infância em dificuldade e aliviam os sofrimentos das crianças e dos seus familiares, causados pelos conflitos e a violência, pela falta de alimento e de água, pela emigração forçada e por tantas formas de injustiça existentes no mundo.
Contudo, a par de tanta generosidade, deve-se registar também o egoísmo daqueles que não «acolhem» as crianças. Existem menores profundamente feridos pela violência dos adultos: abusos sexuais, aviamento à prostituição, envolvimento na venda e no uso da droga; crianças obrigadas a trabalhar ou alistadas para combater; inocentes marcados para sempre pela desagregação familiar; pequenos sumidos no ignóbil tráfico de órgãos e pessoas. E que dizer da tragédia da SIDA com consequências devastadoras na África? Fala-se já de milhões de pessoas atingidas por este flagelo, e muitíssimas delas contagiadas desde o nascimento. A humanidade não pode fechar os olhos perante um drama tão preocupante!
4. Que mal fizeram estas crianças para merecer tanto sofrimento? Dum ponto de vista humano, não é fácil, antes talvez seja impossível, encontrar resposta para esta pergunta inquietante. Só a fé nos ajuda a penetrar num abismo tão profundo de sofrimento. Jesus, «obedecendo até à morte e morte de cruz» (Fl 2, 8), assumiu sobre Ele o sofrimento humano, iluminando-o com a luz esplendorosa da ressurreição. Com a sua morte, venceu para sempre a morte.
Durante a Quaresma, preparamo-nos para reviver o Mistério Pascal, que ilumina com a esperança a nossa existência inteira, incluindo os seus aspectos mais complexos e dolorosos. A Semana Santa voltará a propor-nos, através dos ritos sugestivos do Tríduo Pascal, este mistério de salvação.
Amados Irmãos e Irmãs, encetemos confiadamente o itinerário quaresmal, animados por uma mais intensa oração, penitência e atenção aos necessitados. Que a Quaresma seja, de modo particular, uma ocasião útil para dedicar maior cuidado às crianças, no seu próprio ambiente familiar e social: elas são o futuro da humanidade.
5. Com a simplicidade típica das crianças, voltamo-nos para Deus, chamando-Lhe - como Jesus nos ensinou - «Abba», Pai, na oração do «Pai nosso».
O Pai nosso! Repitamos frequentemente esta oração durante a Quaresma, repitamo-la com íntimo enlevo. Chamando a Deus «Pai nosso», tomaremos consciência de ser seus filhos e sentir-nos-emos irmãos entre nós. Deste modo, ser-nos-á mais fácil abrir o coração aos pequeninos, de acordo com o convite de Jesus: «Quem acolher em meu nome uma criança como esta, acolhe-Me a Mim» (Mt 18, 5).
Com estes votos, sobre cada um invoco a bênção de Deus, por intercessão de Maria, Mãe do Verbo de Deus feito homem e Mãe da humanidade inteira.
Vaticano, 8 de Dezembro de 2003.
JOANNES PAULUS PP. II ( http://www.fides.org/por/magistero/2004/jpii_mess_290104.html )

: DIA DA INFÂNCIA MISSIONÁRIA

6 DE JANEIRO 2004: DIA DA INFÂNCIA MISSIONÁRIA

COMO OBJETOS VENDIDOS
:
A cada ano, no mundo, mais de um milhão de crianças são vítimas do tráfico de seres humanos. O relatório do Unicef “Stop the traffic” evidencia o fenômeno dos criminais da exploração infantil, que promovem a transferência dos menores dos países em desenvolvimento (África Central e Ocidental e sudeste asiático) rumo a regiões de bem-estar dos países ocidentais.
São os escravos do novo milênio e são explorados pela indústria do sexo, como mão-de-obra de baixo custo ou como domésticos.
Os mais felizardos podem ser adotados, mas não faltam os casos de menores que desaparecem misteriosamente e são assassinados para fornecer órgãos para transplante através de canais ilegais.
A "lista de preços" segue as exigências de mercado: 50.000 euros para um recém-nascido de sexo masculino em boas condições de saúde, 30.000 por um fígado, como denuncia a revista brasileira “Manchete”.
O tráfico ilegal de crianças movimenta 1,2 bi de dólares por ano e poucas vítimas são capazes de denunciar o que acontece a elas: muito pequenos, muito indefesos ou obrigados ao silêncio da morte.
O capítulo da “exploração sexual” é um dos mais dolorosos a serem enfrentados. As campanhas de sensibilização conduzidas de modo eficaz pelo Ecpat (um pool internacional de organizações que trabalha para eliminar a exploração sexual contra menores) revelaram os percursos internacionais do turismo sexual no qual os menores estão envolvidos, denunciando que milhões de crianças em todo o mundo são exploradas, compradas e vendidas como uma mercadoria qualquer a ser transportada de uma região a outra de um país (como no caso de localidades turísticas na Tailândia ou no Brasil) ou levadas para fora dos confins nacionais (as pequenas prostitutas do Camboja e do Nepal) ou ainda encaminhadas para o mercado da pornografia.
A exploração sexual com fins lucrativos tem muitas facetas. Na Tailândia, um estudo sobre a economia ilegal revelou que, de 1993 a 1995, a prostituição representou cerca de 10 a 14% do Produto Interno Bruto e calcula-se que cerca de um 1/3 das mulheres tailandesas envolvidas no mercado da prostituição seja menor de idade.
Vítimas de abusos de todo tipo, os pequenos escravos deste mercado têm muitas vezes a única perspectiva de uma morte por Aids ou por outras doenças sexualmente transmissíveis.
Mas mesmo que conseguissem escapar de seus “donos”, as famílias não as receberiam de volta.

Dados estatisticos da Igreja Católica

Dados estatisticos da Igreja Católica referente a nº de sacerdotes no mundo e também por continentes conforme : http://www.fides.org/index.php - Agencia Fides


Continenti Anno Totale Diocesani Religiosi
Mondo 1997 404.208(-128) 263.521(+622) 140.687(-750)
1998 404.626(+418) 264.202(+681) 140.424(-263)
1999 405.009(+383) 265.012(+810) 139.997(-427)
2000 405.178(+169) 265.781(+769) 139.397(- 600)
2001 405.067 (- 111) 266.448 (+67) 138.619 (-698)
2002 405.058 (-9) 267.334 (+ 886) 137.724 (-895)
2003 405.450 (+ 392) 268.041 (+ 707) 137.409 (- 315)
2004 405.891 (+ 441) 268.833 (+ 792) 137.058 (- 351)
2005 406.411 (+ 520) 269.762 (+ 929) 136.649 (- 409)
Africa 1997 25.279(+600) 14.873(+749) 10.406(- 149)
1998 26.026(+747) 15.535(+662) 10.491(+85)
1999 26.547(+521) 16.371(+836) 10.176(- 315)
2000 27.165(+618) 16.962(+591) 10.203(+27)
2001 27.968 (+ 803) 17.582 (+ 620) 10.406 (+ 203)
2002 29.274 (+1.286) 18.872 (+ 1.290) 10.402 (-4)
2003 30.419 (+ 1.145) 19.559 (+ 687) 10.860 (+ 458)
2004 31.259 (+ 840) 20.358 (+ 799) 10.901 (+ 41)
2005 32.370 (+ 1.111) 21.164 (+ 806) 11.206 (+ 305)
America 1997 120.013(-69) 73.495(+509) 46.518(-578)
1998 120.297(+284) 74.039(+544) 46.258(-260)
1999 120.138(-159) 74..282(+243) 45.856(-402)
2000 120.841(+703) 75.121 ( +839) 45.720 (- 136)
2001 27.968 (+ 803) 17.582 (+ 620) 10.406 (+ 203)
2002 121.394 (+247) 76.760 (+ 994) 44.634 (-747)
2003 121.501 (+ 107) 77.200 (+ 440) 44.301 (- 333)
2004 121.634 (+ 133) 77.756 (+ 556) 43.878 (- 423)
2005 120.995 (- 639) 78.126 (+ 370) 42.869 (- 1.009)
Asia 1997 40.441(+1.037) 23.789(+714) 16.652(+323)
1998 41.456(+1.015) 24.337(+548) 17.119(+467)
1999 42.789(+1.333) 25.175(+838) 17.614(+495)
2000 43.566(+777) 25.716(+541) 17.850(+236)
2001 44.446 (+ 880) 26.309 (+ 593) 18.137 (+ 287)
2002 45.790 (+1.937) 27.274 (+ 1.558) 18.516 (+ 379)
2003 46.800 (+ 1.010) 27.837 (+ 563) 18.963 (+ 447)
2004 48.222 (+ 1.422) 28.497 (+ 660) 19.725 (+ 762)
2005 50.053 (+ 1.831) 29.330 (+ 833) 20.723 (+ 998)
Europa 1997 213.398(- 1.664) 148.595(-1.306) 64.803(-358)
1998 211.827(- 1.517) 147.517(-1.078) 64.310(-493)
1999 210.543(- 1.284) 146.457(-1.060) 64.086(-224)
2000 208.659(- 1.884) 145.268(-1.189) 63.391(- 695)
2001 206.761 (- 1.898) 144.215 (-1.053) 62.546 (- 845)
2002 203.751 (- 3.010) 141.724 (- 2.491) 62.027 (- 519)
2003 201.854 (- 1897) 140.703 (- 1.021) 61.151 (- 876)
2004 199.978 (- 1876) 139.494 (- 1.209) 60.484 (- 667)
2005 198.279 (- 1.699) 138.492 (- 1.002) 59.787 (- 697)
Oceania 1997 5.077(-32) 2.769(-44) 2.308(+12)
1998 5.020(-57) 2.774(+5) 2.246(- 62)
1999 4.992(-28) 2.727(-47) 2.265(+19)
2000 4.947(- 45) 2.714(-13) 2.233(- 32)
2001 4.725 (- 222) 2.576 (- 138) 2.149 (- 84)
2002 4.849 (+124) 2.704 (+ 128) 2.145 (-4)
2003 4.876 (+ 27) 2.742 (+ 38) 2.134 (- 11)
2004 4.798 (- 78) 2.728 (- 14) 2.070 (- 64)
2005 4.714 (- 84) 2.650 (- 78) 2.064 (- 6)
VATICANO - O PAPA BEATIFICA MADRE TERESA: “COM O TESTEMUNHO DE SUA VIDA, MADRE TERESA RECORDA A TODOS QUE A MISSÃO EVANGELIZADORA DA IGREJA PASSA ATRAVÉS DA CARIDADE, ALIMENTADA PELA ORAÇÃO E PELA ESCUTA DA PALAVRA DE DEUS”

Cidade do Vaticano (Agência Fides) – Domingo, 19 de Outubro, às 10 horas, o Santo Padre João Paulo II presidiu a Santa Missa diante da Praça de São Pedro, por ocasião do Dia Mundial das missões, e procedeu a Beatificação da Serva de Deus Madre Teresa de Calcutá (1910-1997). “ Não é talvez significativo que a sua beatificação ocorra no dia em que a Igreja celebra o Dia Mundial das missões?” perguntou o Papa na homilia. “Com o testemunho de sua vida, Madre Teresa recorda a todos que a missão evangelizadora da igreja passa pela caridade, alimentada pela oração e pela escuta da palavra de Deus. Emblemática deste estilo missionário é a imagem que retrata a nova Beata, de mãos dadas com uma criança e segurando o Rosário com outra máos. Contemplação e ação, evangelização e promoção humana: Madre Teresa proclama o Evangelho com a sua vida inteiramente entregue aos pobres, mas ao mesmo tempo, dedicada à oração”.
Estavam presentes na celebração, além dos milhares de peregrinos de todas as partes do mundo, cerca de trinta delegações oficiais, entre as quais, o Presidente da república da Albânia, o Presidente da Macedônia e o Ministro da Justiça da Índia. Segundo o desejo das Missionárias da Caridade, ao lado do altar, tomaram lugar cerca de 2.000 pobres por elas assistidos, que no final da celebração foram convidados para um almoço na Sala Paulo VI. “Sou pessoalmente agradecido a esta mulher corajosa, que sempre senti ao meu lado – disse ainda o Papa durante a homilia. Imagem do Bom samaritano, ela servia a Cristo nos mais pobres entre os pobres. Nem mesmo as fronteiras e as guerras conseguiam detê-la. De vez em quando vinha falar-me de suas experiências a serviço dos valores do evangelho...nas horas mais escuras ela se agarrava com maior tenacidade à oração diante do Santíssimo sacramento. Este duro caminho espiritual a levou a identificar-se sempre mais com aqueles que todos os dias servia, experimentando as suas penas e até mesmo a rejeição. Amava repetir que a maior pobreza é aquela de ser indesejado, de não ter ninguém que cuide de você. Rendamos graças a esta pequena mulher enamorada por Deus, humilde mensageira do Evangelho e incansável benfeitora da humanidade.
No final da missa, introduzindo a oração do Ângelus, o Santo Padre saudou os numerosos peregrinos provenientes da Itália, da Europa e do mundo inteiro, que ocupavam toda a Praça de São Pedro e a Via della Conciliazione: “...recordemos que Maria Santíssima foi sempre o modelo de Madre Teresa, tanto na oração como em sua atividade missionária. Graças à intercessão da nova Beata, a Virgem nos obtenha de progredir no amor a Deus e aos próximo”.
O discurso na integra do Santo padre, em italiano e inglês, está em nosso site www.fides.org.
(S.L) (Agência Fides 20/10/2003 – linhas: 38; palavras: 495)
MARTIROLÓGIO DO ANO 2003

Segundo os dados recolhidos pela Agência Fides, e atualizados em 20 de março de 2004, em 2003 perderam a vida de modo violento 36 entre Arcebispos, sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos. Como sempre nos últimos anos, essa lista não inclui somente os missionários ad gentes mas todo o pessoal eclesiástico assassinado de forma violenta, ou que sacrificou a vida consciente do risco corrido, sem abandonar o próprio compromisso de testemunho e apostolado: são os “mártires da caridade”, como costuma chamá-los o Papa João Paulo II. Alguns destes “mártires” foram encontrados horas ou dias depois da morte, por vezes massacrados com outras pessoas com quem estavam ocasionalmente, ou que se haviam refugiado em suas paróquias ou colaboravam em seu empenho pastoral. Muitas vezes, foram vítimas – pelo menos, aparentemente – de agressões ou furtos perpetrados em contextos sociais de particular violência ou pobreza.

Pe. Dieudonné Mvuezolo-Tovo, da República Democrática do Congo, coordenador das escolas católicas da província de Bas, na República Democrática do Congo, assassinado no dia 11 de março de 2003, por um militar, ao longo da estrada que vai de Tshimpi a Matadi.

Pe. Nelson Gómez Bejarano, colombiano, 52 anos, pároco da Paróquia-Santuário da Medalha Milagrosa, em Armênia (Colômbia). Foi assassinado na casa paroquial, no dia 22 de março de 2003, durante uma tentativa de rapina.
Pe. Martin Macharia Njoroge, do Quênia, 34 anos, falecido no dia 11 de abril de 2003, no hospital de Nairóbi (Quênia), em conseqüência de uma agressão sofrida alguns dias antes, perpetrada por bandidos, na periferia da cidade. Os malfeitores o haviam obrigado a descer de seu carro, haviam disparado alguns tiros contra ele e lhe haviam roubado o veículo, abandonando-o pouco adiante. Ordenado sacerdote havia apenas 4 anos, era responsável pela Paróquia “São Francisco Xavier”, em Parklands. Um irmão de Pe. Martin, ele também sacerdote, fora assassinado em 2000.
Pe. Raphael Ngona, da República Democrática do Congo, assassinado com um tiro, no dia 6 de maio de 2003, nas dependências da sede da Diocese de Bunia, onde se encontrava temporariamente, tendo sido nomeado pároco de Drodro.
Três seminaristas menores seqüestrados em Lachor (Arquidiocese de Gulu, Uganda), na noite de 10 para 11 de maio de 2003. Os rebeldes do ERS (Exército de Resistência do Senhor) seqüestraram, no total, 41 jovens. Três deles foram assassinados, outros conseguiram fugir, e os demais estariam ainda nas mãos dos rebeldes.
Pe. Aimé Njabu e Pe. Francois Xavier Mateso, da República Democrática do Congo, encontrados mortos no dia 10 de maio de 2003, na Paróquia de Nyakasanza, na periferia de Bunia, o primeiro assassinado a golpes de machete, nos seus aposentos, e o segundo, a tiros, no jardim da Paróquia. Também as demais pessoas que se encontravam, naquele momento, na Paróquia, foram encontradas mortas.
Pe. Jairo Garavito, colombiano, 36 anos, assassinado no dia 15 de maio de 2003, por delinqüentes que invadiram a casa paroquial de Yerbabuena de Chia (região de Cundinamarca, Colômbia), com a finalidade de roubar. O sacerdote morreu asfixiado, porque os bandidos o agrediram, amarraram e amordaçaram.
Pe. Manus Campbell OFM, irlandês, assassinado no dia 21 de maio de 2003, por malfeitores que invadiram sua Paróquia, na periferia de Durban (África do Sul). Era missionário no país, há 45 anos.
Ana Isabel Sánchez Torralba, 22 anos, espanhola, voluntária do Voluntariado Missionário Calasanziano, que realizava sua primeira missão no exterior, foi assassinada na Guiné Equatorial (localidade de Mongomo), no dia 1° de julho de 2003, durante um controle da polícia.
Pe. George Ibrahim, paquistanês, 38 anos, assassinado a tiros, no dia 5 de julho de 2003, na sua Paróquia de“Nossa Senhora de Fátima”, na localidade de Renala Khurd, distrito de Okara (Paquistão) por homens armados que, de madrugada, penetraram no complexo paroquial.
Pe. Taddeo Gabrieli, OFM Capuchinhos, 73 anos, italiano, assassinado com duas facadas, no dia 19 de julho de 2003, em Imperatriz (estado do Maranhão, Brasil) por uma pessoa que ele queria ajudar e que, aparentemente, se encontrava sob efeito de álcool ou drogas. Ele dedicara toda a sua vida à missão e à evangelização.
Pe. Mario Mantovani, Missionário Comboniano, 84 anos, italiano, há 45 anos em Uganda, onde prestava assistência aos leprosos, e Ir. Godfrey Kiryowa, ugandense, 29 anos, ele também Comboniano, assassinados durante um roubo de gado, na estrada que vai de Capeto a Kotido (Uganda), no dia 14 de agosto de 2003.
Pe. Alphonse Kavendiambuku, da República Democrática do Congo (Diocese de Matadi), assassinado no dia 26 de agosto de 2003, em Kavuaya, província de Bas Congo, por cinco ex-militares que assaltaram o veículo no qual ele viajava, juntamente com outras duas pessoas: uma foi ferida e a outra nada sofreu.
Pe. Lawrence Oyuru, pároco de Ocero, Diocese dei Soroti, em Uganda, assassinado juntamente com outras 25 pessoas, numa emboscada dos rebeldes do ERS (Exército de Resistência do Senhor), perpetrada entre Soroti e Manasale, no dia 1° de setembro de 2003.
Pe. William de Jesús Ortez, 32 anos, nascido em Jucuapa (El Salvador) pároco da Catedral de Santiago, na Diocese de Santiago de Maria (El Salvador), assassinado a tiros, no interior da igreja, na noite de 5 de outubro de 2003. Também Jaime Noel Quintanilla, 23 anos, sacristão da igreja, foi assassinado juntamente com o sacerdote.
Annalena Tonelli, 63 anos, italiana, voluntária, atingida por tiros no dia 5 de outubro de 2003, quando se encontrava no seu hospital, em Borama (norte da Somália) onde há 33 anos desempenhava sua missão em favor da população local.
Pe. Sanjeevananda Swami, indiano, 52 anos, assassinado em Belur (distrito de Kolar, Diocese de Bangalore, Índia), no dia 7 de outubro de 2003, em conseqüência de uma agressão.
Pe. Saulo Carreño, 38 anos, originário de Guacamayas (Boyacá), pároco de Saravena (Arauca, Colômbia), assassinado a tiros, no dia 3 de novembro de 2003. Também uma funcionária do hospital local, que se encontrava no carro, com o sacerdote, Maritza Linares, foi assassinada. O assassinato de ambos _ obra de grupos que atuam nos limites da lei, para controlar essa zona petrolífera _ ocorreu próximo do Hospital Sarare, ao longo da estrada que liga Saravena a Fortul.
Pe. Henry Humberto López Cruz, originário do Líbano (Tolima), 44 anos, pároco em Villavicencio, capital da região de Meta, na Colômbia central, foi assassinado a punhaladas, na casa paroquial, na noite de 3 de novembro de 2003. Seu corpo, amarrado a uma cadeira, foi encontrado pela empregada doméstica.
Pe. José Rubín Rodríguez, colombiano, 51 anos, pároco de La Salina (Casanare, Colômbia) seqüestrato no dia 14 de novembro de 2003 e assassinado na zona rural de Tame (Arauca, Colômbia). Seu corpo foi encontrado no dia 21 de novembro de 2003.
Pe. José María Ruiz Furlan, 69 anos, guatemalteco, assassinado no domingo, 14 de dezembro de 2003, a tiros, pouco distante de sua Paróquia, em Cidade da Guatemala, numa zona pobre e popular da capital guatemalteca. Era muito conhecido entre a gente local, por sua apaixonada luta em defesa dos direitos humanos e por seu empenho em favor das classes menos favorecidas.
Pe. Anton Probst, 68 anos, alemão, dos Missionários Claretianos, assassinado na noite de 24 de dezembro de 2003, por malfeitores que penetraram no noviciado de Akono, na República de Camarões. Depois da Missa do Galo, ele estava retornando a seus aposentos, quando surpreendeu os ladrões, que o espancaram e amarraram, deixando-o exânime. Estava na República de Camarões há 11 anos, depois de ter transcorrido 24 anos na República Democrática do Congo.
Dom Michael Aidan Courtney, Núncio Apostólico em Burundi, irlandês, 58 anos, assassinado no dia 29 de dezembo de 2003, em Minago, 50 km ao sul da capital, Bujumbura. Quando retornava à capital, depois de uma visita pastoral, o veículo em que viajava foi alvejado por diversos tiros, que o atingiram mortalmente, ferindo um sacerdote que viajava com ele. Dom Courtney faleceu logo depois, no hospital de Bujumbura, sem ter recobrado os sentidos.(Agência Fides 20/3/2004)

Martirológio do ano 2003
1 Arzobispo
20 sacerdotes
3 religiosos
2 religiosas
3 seminaristas
1 catequista
3 voluntarios laicos
2 laicos.

Países de origem
África: 15 (7 R.D. Congo, 5 Uganda, 1 Kenya, 1 Sudan, 1 Nigeria)
América: 11 (6 Colombia, 2 El Salvador, 2 Venezuela, 1 Guatemala)
Europa: 8 (3 Italia, 2 Irlanda, 1 España, 1 Alemania, 1 Polonia)
Asia: 2 (1 Pakistán, 1 India).

Locais da morte
África: 22 (6 Uganda, 8 R.D. Congo, 1 Camerún, 1 Burundi, 1 Sudáfrica, 1 Guinea ecuatorial, 1 Somalia, 1 Kenya, 1 Nigeria, 1 Sudan)
América: 12 (6 Colombia, 2 El Salvador, 2 Venezuela, 1 Brasil, 1 Guatemala)
Asia: 2 (1 India, 1 Pakistán)

domingo, 14 de outubro de 2007

Doenças espirituais

As doenças espirituais que atingem todos são: ira, tristeza e acídia. São visíveis tanto nos iniciantes, como nos que já estão caminhando por mais tempo.

A ira é saudável, a ira de Deus é para nos ajudar, nos corrigir. Jesus é manso e humilde de coração, mas também pegou o chicote e expulsou o povo do templo. Ele é doce e suave, mas morreu numa cruz. Eles crucificaram Jesus porque Ele incomodava, tocava nas feridas das pessoas e amava.

As pessoas que querem leis para impedir os pais de educar seus filhos é uma vergonha.
Temos que saber usar a ira, ela é um dom de Deus. Ele nos deu a ira para nós odiarmos o mal e o pecado. Parem de ser pacifistas porque isso é artimanha de satanás. Eu por exemplo não quero ter armas, mas quero ter o direito de ter.

A tristeza também é um dom de Deus, serve para nós chorarmos e nos arrependermos de pecar, de ‘perder’ Deus. Mas as pessoas usam a tristeza para sofrer pelo pecado e sua destruição. Ai está a doença e a infelicidade, não choramos pelo Deus verdadeiro, mas pelos deuses falsos.

A tristeza está ligada a todas as outras doenças, seja pela gula, pelo dinheiro, pelo sexo. Porque não ficam satisfeitos, estão buscando felicidade onde não tem e aí vem a tristeza.

A acídia é uma doença que tem um caráter ambíguo, parece com a tristeza. O lema dessa doença é quando a pessoa: odeia o que tem e deseja o que não tem. A pessoa acídia não suporta o que é, não se aceita, não se perdoa.

A pessoa adulta que já construiu sua vida começa a reclamar, a rever o que fez e pensar no que podia ter feito, começa a questionar se ainda vai ser feliz, porque cria um sentimento de insatisfação e culpa os outros, porque esperou demais o que não era real. Mas as criaturas não são capazes de nos dá felicidade, infelizmente nós esperamos que ela venha aqui e agora. O mundo está cada vez mais doente de acídia.

Não podemos confiar muito nem em nós mesmos, porque temos uma inclinação para o pecado. O papa nos diz que temos que lutar sempre contra o mal, porque essa é nossa tendência.

Só iremos vencer todas essas doenças na ressurreição. Porque não acontecerá paraíso aqui na terra. Portanto temos que perseverar!

Padre Paulo Ricardo