segunda-feira, 21 de abril de 2008

Rosário

Palavras de João Paulo II sobre a Oração do Rosário

"O Rosário é minha oração preferida. Oração maravilhosa em sua simplicidade e em sua profundidade. Nesta oração repetimos muitas vezes as palavras que a Virgem Maria escutou da boca do anjo e de sua prima Isabel. A estas palavras toda a Igreja se associa.

Podemos dizer que o Rosário é, de certo modo, uma oração-comentário do último capítulo da Constituição "Lumen Gentium" do Vaticano II, capítulo que trata da admirável presença da Mãe de Deus no mistério de Cristo e da Igreja. No fundo das palavras "Ave Maria", passam diante dos olhos do que reza os principais episódios da vida de Cristo, com seus mistérios gozosos, dolorosos e gloriosos, que nos fazem entrar em comunhão com Cristo, poderíamos dizer, através do coração de sua Mãe.

Nosso coração pode encerrar nestas dezenas do Rosário todos os atos que compõem a vida de cada indivíduo, de cada família, de cada nação, da Igreja e da humanidade: os acontecimentos pessoais e os do próximo e, de modo particular, daqueles que mais gostamos. Assim, a simples oração do Rosário pulsa no ritmo da vida humana".

João Paulo II

Como surgiu a oração do Santo Rosário

A oração do Santo Rosário surge aproximadamente no ano 800 à sombra dos mosteiros, como Saltério dos leigos. Dado que os monges rezavam os salmos (150), os leigos, que em sua maioria não sabiam ler, aprenderam a rezar 150 Pai nossos. Com o passar do tempo, se formaram outros três saltérios com 150 Ave Marias, 150 louvores em honra a Jesus e 150 louvores em honra a Maria.

No ano 1365 fez-se uma combinação dos quatro saltérios, dividindo as 150 Ave Marias em 15 dezenas e colocando um Pai nosso no início de cada uma delas. Em 1500 ficou estabelecido, para cada dezena a meditação de um episódio da vida de Jesus ou Maria, e assim surgiu o Rosário de quinze mistérios.

A palavra Rosário significa 'Coroa de Rosas'. A Virgem Maria revelou a muitas pessoas que cada vez que rezam uma Ave Maria lhe é entregue uma rosa e por cada Rosário completo lhe é entregue uma coroa de rosas. A rosa é a rainha das flores, sendo assim o Rosário a rosa de todas as devoções e, portanto, a mais importante.

O Santo Rosário é considerado a oração perfeita porque junto com ele está a majestosa história de nossa salvação. Com o rosário, meditamos os mistérios de gozo, de dor e de glória de Jesus e Maria. É uma oração simples, humilde como Maria. É uma oração que podemos fazer com ela, a Mãe de Deus. Com o Ave Maria a convidamos a rezar por nós. A Virgem sempre nos dá o que pedimos. Ela une sua oração à nossa. Portanto, esta é mais poderosa, porque Maria recebe o que ela pede, Jesus nunca diz não ao que sua mãe lhe pede. Em cada uma de suas aparições, nos convida a rezar o Rosário como uma arma poderosa contra o maligno, para nos trazer a verdadeira paz.

O Rosário é composto de dois elementos: oração mental e oração verbal.

No Santo Rosário a oração mental é a meditação sobre os principais mistérios ou episódios da vida, morte e glória de Jesus Cristo e de sua Santíssima Mãe.

A oração verbal consiste em recitar quinze dezenas (Rosário completo) ou cinco dezenas do Ave Maria, cada dezena iniciada por um Pai Nosso, enquanto meditamos sobre os mistério do Rosário.

A Santa Igreja recebeu o Rosário em sua forma atual em 1214 de uma forma milagrosa: quando a Virgem apareceu a Santo Domingo e o entregou como uma arma poderosa para a conversão dos hereges e outros pecadores daquele tempo. Desde então sua devoção se propagou rapidamente em todo o mundo com incríveis e milagrosos resultados.

As Quinze Promessas da Virgem Maria aos que rezarem o Rosário

1. Aqueles que rezarem com enorme fé o Rosário receberão graças especiais.

2. Prometo minha proteção e as maiores graças aos que rezarem o Rosário.

3. O Rosário é uma arma poderosa para não ir ao inferno: destrói os vícios, diminui os pecados e nos defende das heresias.

4. Receberá a virtude e as boas obras abundarão, receberá a piedade de Deus para as almas, resgatará os corações das pessoas de seu amor terreno e vaidades, e os elevará em seu desejo pelas coisas eternas. As almas se santificarão por meio do Rosário.

5. A alma que se encomendar a mim no Rosário não perecerá.

6. Quem rezar o Rosário devotamente, e tiver os mistérios como testemunho de vida, não conhecerá a desgraça. Deus não o castigará em sua justiça, não terá uma morte violenta, e se for justo, permanecerá na graça de Deus, e terá a recompensa da vida eterna.

7. Aquele que for verdadeiro devoto do Rosário não perecerá sem os Sagrados Sacramentos.

8. Aqueles que rezarem com muita fé o Santo Rosário em vida e na hora de sua morte encontrarão a luz de Deus e a plenitude de sua graça, na hora da morte participarão do paraíso pelos méritos dos Santos.

9. Livrarei do purgatório àqueles que rezarem o Rosário devotamente.

10. As crianças devotas ao Rosário merecerão um alto grau de Glória no céu.

11. Obterão tudo o que me pedirem mediante o Rosário.

12. Aqueles que propagarem meu Rosário serão assistidos por mim em suas necessidades.

13. Meu filho concedeu-me que todo aqueles que se encomendar a mim ao rezar o Rosário terá como intercessores toda a corte celestial em vida e na hora da morte.

14. São meus filhinhos aqueles que recitam o Rosário, e irmãos e irmãs de meu único filho, Jesus Cristo.

15. A devoção a meu Rosário é um grande sinal de profecia.

Bênçãos do Rosário

1. Os pecadores obtêm o perdão.

2. As almas sedentas são saciadas.

3. Os que estão atados vêem seus nós desatados.

4. Os que choram encontram alegria.

5. Os que são tentados encontram tranqüilidade.

6. Os pobres são socorridos.

7. Os religiosos são reformados.

8. Os ignorantes são instruídos.

9. Os vivos triunfam sobre a vaidade.

10. Os mortos alcançam a misericórdia por via de sufrágios.

Benefícios do Rosário

1. Nos eleva gradualmente ao perfeito conhecimento de Jesus Cristo.

2. Purifica nossas almas do pecado.

3. Permite-nos vencer nossos inimigos.

4. Facilita-nos a prática das virtudes.

5. Inflama-nos do amor de Jesus Cristo.

6. Obtém-nos de Deus toda classe de graças.

7. Proporciona a nós com o que pagar todas as nossas dívidas com Deus e com os homens.

Mistérios do Rosário

MISTÉRIOS GOZOSOS (segunda-feira e sábado)

1. A encarnação do Filho de Deus.
2. A visitação de Nossa Senhora a Santa Isabel.
3. O nascimento do Filho de Deus.
4. A Apresentação do Senhor Jesus no templo.
5. A Perda do Menino Jesus e o encontro no templo.

MISTÉRIOS DOLOROSOS (terça-feira e sexta-feira)

1. A Oração de Nosso Senhor no Horto da Oliveiras.
2. A Flagelação do Senhor.
3. A Coroação de espinhos.
4. O Caminho do Calvário carregando a Cruz.
5. A Crucificação e Morte de Nosso Senhor.

MISTÉRIOS GLORIOSOS (quarta-feira e domingo)

1. A Ressurreição do Senhor.
2. A Ascensão do Senhor.
3. A Vinda do Espírito Santo.
4. A Assunção de Nossa Senhora aos Céus.
5. A Coroação da Santíssima Virgem.

MISTÉRIOS LUMINOSOS (quinta-feira)

1. O Batismo no Jordão.
2. A auto-revelação nas bodas de Caná.
3. O anúncio do Reino de Deus convidando à conversão.
4. A Transfiguração.
5. A Instituição da Eucaristia, expressão sacramental do mistério pascal.

rações do Rosário

O Sinal da Cruz
Em nome do Pai, + e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

O Credo
Creio em Deus, Pai- todo-poderoso, criador do Céu e da terra. E em Jesus Cristo seu único Filho, Nosso Senhor, que foi concebido pelo poder do Espírito Santo; nasceu da Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos; foi crucificado, morto e sepultado; desceu à mansão dos mortos; ressuscitou ao terceiro dia, subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica, na Comunhão dos Santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne e na vida eterna. Amém.

Pai Nosso
Pai Nosso, que estais no céu, santificado seja vosso nome. Venha a nós o vosso reino. Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje. Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.

Ave Maria
Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco. Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto de vosso ventre Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores agora e na hora de nossa morte. Amém

Glória
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Salve Rainha
Salve Rainha, Mãe de misericórdia, vida, doçura e esperança nossa, salve. A vós bradamos degredados filhos de Eva. A vós suspiramos gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Eia, pois, advogada nossa: esses vossos olhos misericordiosos, a nós volvei. E depois deste desterro, mostrai-nos Jesus, bendito fruto de vosso ventre. Ó clemente, Ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria! Rogai por nós, Santa Mãe de Deus, para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Depois de cada dezena pode-se recitar a seguinte oração, como indicou a Santíssima Virgem Maria em Fátima:
"Ó meu Jesus, perdoai-nos e livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o céu, e socorrei principalmente as que mais necessitarem da vossa misericórdia".

Como rezar o Rosário

Para recitar o Rosário com verdadeiro proveito deve-se estar em estado de graça ou pelo menos ter a firme resolução de renunciar o pecado mortal.

1. Segurando o Crucifixo, fazer o Sinal da Cruz e em seguida rezar o Credo.

2. Na primeira conta grande, recitar um Pai Nosso.

3. Em cada uma das três contas pequenas, recitar um Ave Maria.

4. Recitar um Glória antes da seguinte conta grande.

5. Anunciar o primeiro Mistério do Rosário do dia e recitar um Pai Nosso na seguinte conta grande.

6. Em cada uma das dez seguintes contas pequenas (uma dezena) recitar um Ave Maria enquanto se faz uma reflexão sobre o mistério.

7. Recitar um Glória depois das dez Ave Marias. Também se pode rezar a oração de Fátima.

8. Cada uma das seguintes dezenas é recitada da mesma forma: anunciando o correspondente mistério, recitando um Pai Nosso, dez Ave Marias e um Glória enquanto se medita o mistério.

9. Ao se terminar o quinto mistério o Rosário costuma ser concluído com a oração da Salve Rainha.

As virtudes e os mistérios do Rosário

Mistérios Gozosos

1- A Anunciação à Nossa Senhora. A humildade
2- A Visitação à Sta. Isabel. A virtude da Caridade
3- O Nascimento de Nosso Senhor. O desapego ao material
4- A Apresentação do Menino. O oferecimento de nosso ser ao Pai
5- A perda no Templo. O Zelo Apostólico

Mistérios Dolorosos

1- A Oração no Horto. A Opção pelo sacrifício
2- A Flagelação do Senhor. O domínio corporal
3- A Coroação de espinhos. A retidão mental
4- Jesus carregando a Cruz. A Paciência
5- A Morte de Nosso Senhor. A aceitação da Vontade Divina

Mistérios Gloriosos

1- A Ressurreição de Jesus. A virtude da Fé
2- A Ascensão do Senhor. A virtude da Esperança
3- O envio do Espírito Santo. O Amor Divino
4- A Assunção de Maria Santíssima. A Boa Morte
5- A Coroação de Nossa Senhora. A intercessão de Nossa Mãe



Credo

O Credo é uma fórmula doutrinária ou profissão de fé. No Cristianismo, também é conhecido como símbolo dos apóstolos. A palavra tem origem na palavra credo que significa creio.

O credo era a princípio uma proclamação batismal enunciada pelo catecúmeno, contendo as proposições objeto da fé na qual estava sendo admitido o batizado. Em 325, passou a ser uma síntese dos dogmas da fé promulgada pela autoridade eclesiástica, através do Concílio de Nicéia (I). A primeira formulação do tipo credo encontra-se no original de uma carta (c. 225) do bispo Marcelo de Ancyra. De uma tradução, com algumas alterações, do credo de Ancyra se deriva o credo latino ainda hoje adotado.

Existem outras variações do credo: o de Santo Atanásio de Alexandria (295-373), o da Igreja bizantina (381), egípcia (370), o de Justino Mártir (150), o Credo Niceno e outros. O papa Bento VIII, no ano de 1020, introduziu o uso do credo na missa.

O Credo Niceno-Constantinopolitano, ou o Ícone/Símbolo da Fé, é uma declaração de fé cristã que é aceite pela Igreja Católica, pela Igreja Ortodoxa Oriental, pela Igreja Anglicana e pelas principais igrejas protestantes. O nome tem a ver com o Primeiro Concílio de Niceia (325), no qual foi adoptado, e com o Primeiro Concílio de Constantinopla (381), onde foi aceite uma versão revista. Por esse motivo, ele pode ser referido especificamente como o Credo Niceno-Constantinopolitano para o distinguir tanto da versão de 325 como de versões posteriores que incluem a cláusula filioque. Houve vários outros credos elaborados em reacção a doutrinas que apareceram posteriormente como heresias, mas este, na sua revisão de 381, foi o último em que as comunhões católica e ortodoxa conseguiram concordar em todos os pontos.

Cremos em um só Deus, Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis.
Cremos em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigénito de Deus, gerado do Pai desde toda a eternidade, Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai; por Ele todas as coisas foram feitas. Por nós e para nossa salvação, desceu dos céus; encarnou por obra do Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e fez-se verdadeiro homem. Por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos; sofreu a morte e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras; subiu aos céus, e está sentado à direita do Pai. De novo há-de vir em glória, para julgar os vivos e os mortos; e o seu reino não terá fim.
Cremos no Espírito Santo, o Senhor, a fonte da vida que procede do Pai; com o Pai e o Filho é adorado e glorificado. Ele falou pelos profetas.
Cremos na Igreja una, santa, católica e apostólica. Professamos um só baptismo para remissão dos pecados. Esperamos a ressurreição dos mortos, e a vida do mundo que há-de vir. Ámen.

Credo Apostólico

Segundo uma antiga tradição, os doze apóstolos, reunidos em Jerusalém, teriam estabelecido em comum os rudimentos da nova fé, cada um ditando seu artigo. Essa versão era recitada pelos novos cristãos no momento do Batismo, e ficou conhecida como credo apostólico.

Oração do "Creio"
Latim Português
Credo in Deum Patrem omnipotentem,
creatorem coeli et terrae,
et in Iesum Christum,
Filium eius unicum,
Dominum nostrum,
qui conceptus est de Spiritu Sancto,
natus ex Maria Virgine,
passus sub Pontio Pilato,
cruxifixus, mortuus et sepultus,
descendit ad inferno (vel ad inferos),
tertia die resurrexit a mortuis,
ascendit ad coelos,
sedet ad dextram Dei Patris omnipotentis,
inde venturus est iudicare vivos et mortuos,
Credo in Spiritum Sanctum,
sanctam Ecclesian catholicam,
sanctorum communionem,
remissionem peccatorum,
carnis resurrectionem,
et vitam aeternam.

Creio em Deus Pai, todo-poderoso,
Criador do céu e da terra.
E em Jesus Cristo,
seu único Filho
nosso Senhor.
Que foi concebido pelo poder do Espírito Santo,
nasceu da Virgem Maria,
padeceu sob Pôncio Pilatos,
foi crucificado, morto e sepultado,
desceu a mansão dos mortos,
ressuscitou ao terceiro dia,
subiu aos Céus
está sentado à direita de Deus Pai Todo-Poderoso,
donde há de vir julgar os vivos e mortos.
Creio no Espírito Santo,
na santa Igreja católica,
na comunhão dos santos,
na remissão dos pecados,
na ressureição da carne,
na vida eterna.



domingo, 6 de abril de 2008

Educação

Tenho ficado impressionado com o número de pais enganados em sua maneira de relacionarem-se com seus filhos.

Muitos, correndo atrás de seu sucesso pessoal, esqueceram que as crianças não podem ser enganadas com presentes que tentam substituir a presença e a atenção dos pais.
Em busca do sucesso pessoal fracassam em cultivar uma família como foi planejada por Deus.

Com o passar do tempo, os filhos vão se distanciando deles desenvolvendo um relacionamento de troca: um presente por uma nota boa na escola.
Outro por informações positivas dos professores, orientadores, vizinhos, etc.
“Papai não pode estar com você mas está mandando sua mesada.”
“Mamãe não conseguirá chegar a tempo, mas está enviando o presente que você pediu…”

É bem por isso que nossa sociedade está colhendo adolescentes e jovens rebeldes, sem limites, sem respeito e sem direção.
Adolescentes e jovens que buscam nas coisas passageiras (dinheiro, bens, etc.) a razão de suas vidas.
Gastam sua existência correndo atrás delas. Porém são coisas que não satisfazem.
Abrem um buraco ainda maior, que exigirá maior esforço para satisfazer.
Alguns destes já encontraram a morte por causa disso…

E você? Deixará a oportunidade de ter uma família realmente feliz e ajustada passar? Relacionamentos só dão certo quando há investimento, compromisso e amor.42-16635787

Elementos que presentes não podem gerar!
Siga o exemplo da Bíblia quando diz que você deve ensinar - de perto, lado a lado - à criança os caminhos, os valores e a vida perenes que existe em Deus.
O trecho termina dizendo: “E quando esta criança crescer não se esquecerá deles.” Viverá com sentido real, sabendo que está aqui para algo muito maior que nascer, crescer, produzir, gerar recursos para adquirir coisas que vão desaparecer rapidamente, como a própria vida.

Você está vivendo o verdadeiro amor em sua família?

Você está vivendo o verdadeiro sentido de existir que se encontra em Deus (Bíblia)?

Desejo que sim…



Terapia do Amor - Dr Nasser

Todos nós somos exigentes em matéria de Amor. Quando vamos a uma festa e não somos amados pelo olhar da dona da festa, saímos profundamente magoados. Pois somos exigentes em matéria de Amor! Nascemos para Amar! Nascemos para experimentar o Amor que se doa, que faz, que toma a decisão, que ousa, que nada exige, nada cobra…Dá de graça aquilo que de graça recebeu…Este Amor eu não tenho, você não tem para me dar…Mas Deus que é Amor, Ele sim infunde em nós, como uma água viva transbordante, que vem através do meu coração para o seu…Transcende em mim em sua direção .

Cura interior é retirar do nosso interior, subsconciente, inconsciente e consciente todas as barreiras que nos impede de sermos totalmente AMADOS por Deus. Sim, o ateu é a pessoa que não deixa Deus amá-lo…Na porta do coração do ateu estará assim escrito: Eu não deixo você vir morar em mim!

As crianças não nascem amando…Vão aprendendo a medida que o tempo passa ( Piaget ). Uma criança amada, naturalmente ela se desenvolve, se experimenta, se doa, se envolve, se liga, se transcende e acha o outro…É luz para tudo que está em sua volta…Fala de uma forma que nos surpreende, pois as palavras fluem com uma delicada suavidade de seus lábios que chega a nos comover.

Contudo precisamos atingir na nossa adolescência a consciência de que não adianta crescer apenas, é preciso amadurecer…Para amarmos verdadeiramente os nossos amigos, e nossos opostos, precisaremos antes de tudo amadurecermos. Somos seres imperfeitos para dependermos do Amor de Deus. Primeiro ponto importante…Onde eu sou fraco? Preciso reconhecer este ponto dentro de mim o mais rápido possível, pois se não eu caio no risco de ser atraído para amigos e namorados apenas por eles terem em si as fortalezas que eu não tenho. Eles se encaixam em mim e me dominam. Daí eu não entendo porque eu não consigo viver sem aquela pessoa, e tudo aquilo que ela fala tem poder sobre mim. E eu aos poucos vou me sentindo dominado, preso, amarrado a alguém que não me faz bem. É por isto que o Amor verdadeiro nos faz buscar incessantemente Autoconhecimento…Onde está a minha fraqueza? Quando as determino em mim, pela graça do discernimento, posso com a ajuda deste Deus Vivo, pela ação do Seu Santo Espírito me fortalecer, São Paulo nos ensinou isto ( 2Cor12-8-10).

Como é lindo ter consciência de suas limitações e fraquezas e de suas forças. Como é bom e agradável ter amigos maduros. Maturidade é ter sua vida baseada em valores. Para o mundo de hoje, é o negócio mais urgente. Ser maduro para não cairdes à toa. Isto mesmo. O ser maduro não se altera estando com os perturbados. Não se desespera, estando no meio dos desesperados, não se perde estando com os perdidos. Jesus ía sempre ao encontro dos desvalidos porque ele sabia bem quem Ele era. Assim Ele nos convida nos dias de hoje a experimentar esta íntima relação com Ele para sabermos bem quem nós somos. E ao tomarmos ciência da nossa potencialidade unida a Ele vamos a todos os lugares onde Ele nos envia para Amar!

O efeito imediato se dá nos nossos relacionamentos afetivos. Nada mais de ciúme, traição, brigas inúteis, possessão, pensamentos obsessivos de cobranças e carências sem fim. Por outro lado, deixando o ser amado ser livre, ser realmente verdadeiro para que possamos nos melhorar. Esta é a dimensão do estar verdadeiramente na presença do outro. Finda-se as superficialidades, as facilidades e inicia-se os aprofundamentos e claro as maiores superações. Quando deparamos nos outros aquilo que em nós é ruím, superar esta diferença com coragem e determinação para que ao ultrapassar estaremos sendo curados.

E segue esta oração:

Senhor meu Deus, meu Pai bondoso, infunde em mim o Amor! Seja ele a me guiar de hoje em diante. Visite todas as áreas do meu afeto e da minha emoção. Ordene todos os meus sentimentos e todos os meus pensamentos. Transforma o meu Caos em Cosmos! Veni Creator Spiritus! Vem Espírito Criador!

Pelo PODER do seu nome Jesus, mostrai diante de mim todas as minhs fraquezas. Onde em mim precisa ser amadurecido.

Que eu TE ame, que eu me ame, que eu me deixe ser amado e amando a todos a quem hoje eu preciso professar o meu amor, a fim de que eu seja curado de todas as minhas imaturidades.

Vem Senhor Jesus

Amém

A arte de manter acesa a luz da vida

Enquanto o espírito por si só é invisível, as ações humanas são visíveis e cada ação é motivada e permeada pelo espírito.

Ao se referir ao cuidado com o paciente estamos delegando ao médico apenas o cuidado do corpo? E ao se referir ao sacerdote estamos lhe imputando apenas o cuidado com a alma? E se os médicos fossem ousados no sentido de deixar-se fluir o dom que o próprio Deus o infundiu quando o chamou na sua palavra ( Eclo 38 ).
Sem a exata demarcação entre o campo humano e o espiritual o ser humano acabou sendo compartimentalizado entre o físico e psíquico na mão dos médicos e no espiritual para a igreja, sinagogas ou mesquitas.
Ciência e fé, religião e medicina, não tinham ressonância.
O Papa João Paulo II na Constituição Conciliar Gaudium et Spes – Certas atitudes decorreram de uma visão estreita de ramos da Igreja em não reconhecer o direito autônomo da ciência: Eles têm ocasionado conflitos e controvérsias e têm levado muitos a pensar que fé e ciência são opostas.” Eu espero, disse o Santo Padre, que teólogos, decanos e historiadores, animados por um espírito de sincera colaboração… dirimirão a confusão que ainda se opõe, em muitas mentes, um acordo frutífero entre ciência e fé, ou melhor, entre a Igreja e o mundo!”.
Quando a Igreja se abre a uma nova colaboração com a ciência, a ciência por sua vez se abre cada vez à importância do cuidado espiritual como parte integrante e fundamental na realização de um pleno exercício médico humanizado.
Em Janeiro de 2004 a Universidade de Aberdeen ( Inglaterra) realizou um congresso sobre: Papel da Espiritualidade nas Práticas de Saúde.
A mesma Universidade patrocinou um estudo sério científico através de seu mentor, Professor Sharma, concluindo ser o cuidado espiritual do paciente uma ferramenta fundamental no cuidado médico, após ter-se submetido ao crivo equivalente a qualquer outro procedimento médico cientifico.
Na Escócia, outro país do Reino Unido, a próprio Conselho Nacional de Saúde publicou um documento de orientação sobre a política de acompanhamento espiritual para pacientes internados, baseado na definição estabelecida pela 52nd Assembléia Mundial de Saúde em 1999. Saúde é um estado dinâmico de bem estar físico, mental, espiritual e social e não meramente uma ausência de doença ou enfermidade.
Cabe aqui a distinção entre Cuidado Espiritual e Cuidado Religioso. Cuidado espiritual é normalmente uma relação individual e não leva em conta convicções pessoais ou orientação de vida. Já o Cuidado Religioso é dado no contexto das diversas religiões. O Cuidado espiritual não é necessariamente religioso. Já o religioso é sempre espiritual.
O cuidado espiritual não só é reconhecido, mas também é mandatório a sua aplicação.
Em sua vida, Victor Frankel, experimentando o campo de concentração e vendo todos os seus sendo executados e ele não, concluiu que o que nos manterá sempre vivos é a nossa esperança. E a esperança é uma dimensão teológica, ou seja, espiritual.
John Swinton em seu livro Espiritualidade e Cuidado de Saúde Mental: Redescobrindo uma dimensão esquecida, escreve: “O espírito humano é uma força vital essencial que reveste, motiva e vitaliza a existência humana. Espiritualidade é o caminho específico nos quais indivíduos e comunidades respondem a experiência do espírito. Cumpre-se ressaltar que espírito não é algo impessoal. Como Adrian van Kaan disse:”O espírito humano é uma força dinâmica (dínamus) que mantem uma pessoa crescendo e mudando, continuamente envolvido em um processo superficialização, tornando-se transcendente.
C.W.Ellison que escreve: É o espírito dos seres humanos que capacita e motiva-os a procurar por significados e sentidos na vida, de buscar o sobrenatural ou algum significado que os transcende, sobre suas origens e identidade.
A dimensão espiritual não existe isolada do psyche ou do soma, isto da mente e do corpo, mas promove uma força integradora. É afetado e afeta pelo nosso estado físico, sentimentos, pensamentos e relacionamentos. Se nós estivéssemos espiritualmente saudáveis nos sentiríamos cheios de vida, preenchidos de vida. Mas para isto seria necessário estarmos psicologicamente saudáveis também. Esta relação ela é bidimensional, pois ambas estão intimamente relacionadas no mesmo ser humano. Não há como separá-las.
O mesmo autor afirma que o espírito não é somente uma parte entre outras da pessoa, mas ele é responsável pela integração desta pessoa por completo, corpo, mente e emoções.
Como diz Ashbrook: Nós somos totalmente presentes em cada célula do nosso corpo. Você não pode ter uma alma sem um corpo. A pessoa é um organismo vivo e é o espírito que da vida ao organismo.
Nosso entendimento sobre espiritualidade está diretamente relacionado com nosso conceito de espírito humano. Espiritualidade é o espírito humano expressando por si mesmo na vida através da ação e resposta a cada situação. O espírito pode ser visto como a essência do nosso ser, nossa natureza mais íntima, ou o espírito da vida, nossa alma, nos dada por Deus nosso Criador. Enquanto o espírito por si só é invisível, as ações humanas são visíveis e cada ação é motivada e permeada pelo espírito. - Dr Nasser

Alcançar a Meta

É bom alcançar a meta, porém é melhor ajudar a outros para chegamos juntos.

É bonito dividir, o pão com que tem fome, o teto com aquele, que vive ao léu, a capa com quem tem frio, a amizade com o solitário, a alegria com o triste, as lagrimas com aquele que chora, a angustia do que sofre, a fé com aquele que não acredita.

Compartilhar é conviver; conviver é simplesmente viver, porque uma vida não se compartilha,, não se convive; e, se não se convive, não se vive; e, se não se vive, a gente esta morto. Quantos que pensam estar vivendo e. no entanto, estão mortos.

Todos nós temos a boa vontade de viver, conviver, mas no entanto ofendemo-nos uns aos outros, porque não temos nem os mesmos gotos, nem as mesmas inclinações, nem a mesma maneira de ser.

Daí a necessidade, de caminhar para conviver, buscar ser cada vez mais fraternos, ser compreensivos, saber compreender, saber perdoar de todo o coração. Procurar com sinceridade esquecer os agravos, de não ser aquele que tudo sabe, mas na verdade o que sabe mesmo é criticar.

Aquele que perdoa é digno de ser perdoado. Com a medida com que medirdes, vos medirão, quem compreende com facilidade, será facilmente compreendido; o que é bom com todo mundo, conseguirá que todos sejam bons com ele; o que ama, será amado; não estranhe que aquele que não ama a ninguém, que sua vez ninguém o ame. Não estranhe e não se queixe. Não se queixe e não lance a culpa sobre outros, pois ele é o culpado, o causador da frieza que esta ao redor. Pe Zezinho

domingo, 2 de março de 2008

Resgatar a ritualidade da vida

‘Tua mão desceu sobre mim, e me retirou da escuridão. Deu-me mãos e voz de profeta, deu-me um coração adorador’.‘Desperta tu que dormes’! Quero ressaltar a primeira parte do refrão da música, que é o que Deus faz. É porque Ele desceu a mão, como um gesto ‘violento’ que acorda quem está dormindo.Deus não pode fazer nada para o coração preguiçoso, que não quer ser mudado. O processo humano é difícil. Quanto sangue você tem que ‘suar’ para ser uma mulher e homem de integridade. Aquele que desce a mão, o faz para você melhorar. Não tem como conciliar o cristianismo com a preguiça da vida, esquecendo de como eu poderia ser como pessoa, sem cuidar da minha vida. Coração preguiçoso não tem lugar no céu, porque Deus te quer de pé.

Hoje uma mulher jovem com lágrimas nos olhos me dizia: ‘Deus tem me mantido em pé através da Canção Nova. Eu perdi no mesmo acidente, meu pai, meu esposo e meus filhos’.
Ficar de pé quando tudo deu errado e sentir que a força de Deus lhe alcança! Ficar de pé quando se está no Calvário, onde não é lugar de ficar sentado e sim de pé. Sentir-se de pé mesmo quando o Calvário está ‘armado’ e cheio de curiosos.‘Desperta tu que dormes’. Não dá para ficar parado, ou sentado e fazer de conta que não está acontecendo nada. Que caia por terra toda hipocrisia e toda máscara.O amor é provado no fogo, na dura experiência de dar a vida pelo outro. Caso contrário não é amor, é ilusão. Você sabe que alguém te ama não pelo o que fala, mas pelo o que faz. O amor não sobrevive de teorias. Não adianta falar para seu filho que o ama, se seus gestos não correspondem a esse amor. Palavras sem gestos não edificam.

O Calvário é ladeira acima, em meio a pedras, e não com asfaltos. Nossos passos não deslizam com facilidade. Não se chega ao céu de ‘patins'. São com essas ‘botas’ da dor, difíceis. Ninguém os prometeu que os valores seriam fáceis de serem alcançados. Você sabe muito bem o quanto te custou para chegar até onde chegou, as coisas não vêm tão fácil assim.Nós perdemos os rituais. Como era bom o tempo em que preparávamos nossas refeições. Era um ritual: as crianças descascando milho, as tias cozinhando-os no fogo, outro fazendo a palha, e a família toda em um ritual de alegria fazendo a pamonha.Nós tínhamos rituais de vida. Quando comíamos o porco ou fazíamos um almoço para toda a vizinhança e todo mundo da rua, para comerem juntos. Mas hoje, nossa comida vem toda pronta. Nós não temos mais o ritual de preparar o que nós comemos.'O amor não sobrevive de teorias. Palavras sem gestos não edificam'.

E aquela experiência de zelar por aquilo que é seu, se perdeu. De consertar as coisas da casa, onde o pai sempre chamava o filho para aprender.Hoje tudo é muito prático, e perdemos o valor da realidade simbólica, perdemos a graça do diálogo, das conversas.Às vezes nossos filhos estão loucos para conversar conosco, mas não temos tempo. Nós precisamos construir relações concretas. Às vezes se cuida dos amigos virtuais, mas não cuidam de quem está ao lado. A tecnologia não pode se utilizar de nós, quem manda é você.

Essas coisas que nos escravizam. Temos que abrir os olhos para tudo isso e sair da cegueira. Nós não pensamos nas conseqüências que minam a capacidade de sermos pessoas concretas e reais. Damos muito tempo para as pessoas no computador nos 'messenger´s' e tantas coisas mais, mas não damos uma palavra para um amigo do nosso lado.Se não ritualizarmos a nossa vida nos tornaremos insensíveis. Aí Deus vai ter que descer a mão mesmo, e o 'sopapo' vem. E você percebe que está perdendo o seu filho para as drogas, o pai para o álcool, a mãe para infidelidade. Preste atenção aos ‘tapinhas’ da vida, para não ter um tapa mais forte adiante, podendo ser tarde demais.‘Desperta tu que dormes’. Pessoas que estão dormindo e ficam na preguiça, é como que dar um remédio para aquele paciente que quer morrer.

Quando éramos crianças aprendíamos a tecer bordado e a costurar. Será que o bordado que fazíamos exteriormente não repercutia na nossa alma, interiormente, fazendo-nos pacientes? Cortar o mato com a enxada, não fazemos mais. Não diga ‘Eu posso pagar’. Hoje é tudo muito diferente e podemos pagar para que alguém o faça, mas de vez em quando, faça você mesmo.Todas as mulheres lustram os móveis para ficar bonito, mas ninguém vai saber ‘lustrar’ o rosto de seu filho como você. ‘Desça do salto’ na simplicidade. Ao invés de levar o filho ao restaurante mais saboroso que tem, surpreenda-o com um avental fazendo a comida. Você e seu marido. A comida vai ter o sabor mais gostoso que qualquer outro restaurante.A cura de nossos afetos vem através destes ritos. É uma alegria de chegar em casa e ter a mãe cozinhando.'Desperta, tu que dormes! Seja justo com o que Deus lhe oferece!'

Abra os olhos para o filho que você tem, abra os olhos para a mulher que você tem, não se acostume com o seu marido, abra espaços para as surpresas.
Nossos afetos são construídos dentro de casa. Nada pode ser mais destruidor do que uma palavra do pai e da mãe. Você tem o direito de dizer o que você quiser, mas não tem o direito de dizer do jeito que quiser. Nós traumatizamos na forma como dizemos as coisas.‘Desperta tu que dormes’. Talvez você esteja perdendo a oportunidade preciosa de ser uma esposa, uma mãe, um filho, um marido, e você os trata como se fossem um ‘qualquer’. Cuide do que é seu. O amor requer calma e um olhar vagaroso.Essas coisas são tão boas e tão simples, mas ouvimos pouco sobre elas. Corremos o risco de deixar a vida passar e não vivermos direito com aqueles que amamos.

Da sua casa você é o profeta. Você é convidado a ser o profeta. É você quem tem que mudar.A transformação é na tua vida, no poder de ser profeta no seu ‘território’, em sua casa. Em ser a voz, em nome do amor vivo presente em você.‘Desperta tu que dormes’. Seja justo com o que Deus lhe oferece. A sua casa merece sua coragem. Você está diferente!

Padre Fábio de Melo

Arsenal de infantilidades

“Explico-me: enquanto o herdeiro é menor, em nada difere do escravo, ainda que seja senhor de tudo, mas está sob tutores e administradores, até o tempo determinado por seu pai. Assim também nós, quando menores, estávamos escravizados pelos rudimentos do mundo. Mas quando veio a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, que nasceu de uma mulher e nasceu submetido a uma lei, a fim de remir os que estavam sob a lei, para que recebêssemos a sua adoção. A prova de que sois filhos é que Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai! Portanto já não és escravo, mas filho. E, se és filho, então também herdeiro por Deus” (Gálatas 4; 1-7).

Essa palavra é muito concreta e humana, inicialmente podemos achar um absurdo assemelhar uma criança ao escravo, é simples porque uma criança não é capaz de fazer a separação, a criança é egoísta e o egoísta é aquele que se ocupa do seu mundo, para ele o outro é uma extensão da sua necessidade. As crianças são escravas de suas necessidades.A maturidade de uma criança acontece na medida em que ela vai crescendo. Uma criança é escrava porque ela não sabe a razão da regra, mas submete. Quando ela cresce e obedece a regra porque compreende, ela deixa de ser escrava.

Quantos jogos construtivos, que educa a criança para compreensão de regra, são jogos simples de encaixe entre outros, não videogames que muitas vezes a regra é matar.A palavra de São Paulo é atual. Nós também trazemos as infantilidades nos nossos afetos, insistimos em trazer em nós um arsenal de sentimentos infantis, egoístas, só pensamos em nós e em nossas necessidades. Quando somos afetivamente infantis, nos transformamos em verdadeiros monstros. Uma criança se você não disciplina, se ela é sem regra, ela é um monstro.

Nenhum perdão será concreto se antes você não se perdoar Tudo aquilo que você desconhece se torna soberano sobre você, o desconhecido nos escraviza. Quantas vezes você teme a pessoa desconhecida, e aí está a infantilidade. A birra é o excesso da criança, excesso da infantilidade, e na birra a criança se sente fracassada por não conseguir seu objetivo. Ensine a criança a lhe dar com as impossibilidades. E você, quantas vezes dá sua birra? Quantas vezes, não sabe lhe dar com os limites?

Quantos adultos que não se manifestam, não têm coragem de dá opinião porque são infantis, são escravos de seus medos, isso é mesma coisa de birra. Partilhe, dê opinião. A nossa birra se manifesta na nossa cara feia, nas nossas respostas ríspidas, só não temos a coragem de nos jogar no chão. Quantos adultos com medo de quarto escuro. Eu pergunto: Qual o mau de um quarto escuro? Mas quantas vezes fomos trancados nos quartos e disseram que lá dentro tinha um monstro. Uma criança ela não tem inteligência suficiente para saber que ali não tem um bicho, porque a referência que ela tem é o adulto. E quantos adultos presos nas emoções do passado.

Como você pode curar seu medo de quarto escuro? Traga à sua razão o que te faz sentir medo. Entre no quarto escuro e diga: ‘Este quarto não pode me fazer mau’.Quando somos afetivamente infantis, nos transformamos em monstros. Não importa quantos anos você tem. Sente-se com toda sua maturidade, sente-se com você criança e tenha a oportunidade de se curar dos medos do passado. Olhe para o seu abandono que lhe desespera, fale que quem te abandonou é porque não te conheceu e quem não te conheceu não te amou. Você hoje é adulto, maduro, olhe para as fases da sua vida que precisa ser curada, olhe para você criança, você adolescente. Permita Deus resgatar a sua alma ferida. Muitas vezes é preciso voltar no tempo e reconciliar consigo mesmo. Nenhum perdão será concreto se antes você não se perdoar, nenhum olhar será profundo se você não olhar.

A emoção é burra. Olhe para uma pessoa apaixonado é quase bobo. As emoções são burras.Deus é especialista de curar corações machucados.O que pode nos destruir na vida não é o que os outros fazem para nós, mas o que permitimos que outros façam de nós. O maior consolo que você precisa não é dos outros, é de você mesmo. Não adianta o outro deixar você livre, e você se sentir escravo.
Seja ‘rio’. Pare de dá birra. Pare de lamentar o que você não teve. Seja rio, que quando coloca barreira, ele não deixa de crescer, mas fica mais profundo. Deus ainda prefere os miseráveis. Deus olha para você, e no momento da sua birra Ele se encontra com você.

Autor : Padre Fábio de Melo

sábado, 1 de março de 2008

A arte de ser encontrado por Deus

Você já pode perceber o quanto uma pessoa, na hora da necessidade, se torna fácil? E tem pessoas que têm o dom de nos seduzir. Este Evangelho que eu vou ler aconteceu no mesmo horário em que estamos agora – ao meio dia. E agora vamos ter a oportunidade de vivenciar, porque esta palavra se concretiza, hoje, na nossa vida. (São João 4). Essa mulher foi encontrada talvez no momento em que o corpo mais precisa de um cuidado, porque o meio-dia serve para nos separar daquilo que fizemos na manhã e o que vamos fazer à tarde.

Esta manhã é simbolizada naquele que está cansado do que já viveu e o perigo de fazer da tarde uma repetição daquilo que vivemos no nosso passado. Estou correndo um risco de passar o resto da minha vida sem ser desejado, e o mesmo eu faço com os outros. Uma vida pronta para ser condenada, pois ela tinha tudo para uma condenação escatológica, mas não é desta que estou falando, mas da histórica: "fiz da minha vida um desastre, cometi tantos erros, que eu me tornei um erro nesta vida".

A manhã foi toda errada – ela não alcançou seus objetivos. Então entra aquele por quem eu me apaixonei um dia: Jesus. É Deus que pede um favor para uma mulher que viveu uma manhã sem esperança.
Ela está se recordando da manhã, se reconhecendo não merecedora, totalmente tomando posse da derrota. Só um olhar como de Jesus para nos fazer esquecer tudo aquilo que não deu certo.

Às vezes, tão machucados pela vida, encontramos pessoas que nos fazem esquecer a nossa amargura. Jesus olhou para aquela mulher não para condená-la, mas para uma profunda cura interior.
Profeta não é aquele nos aponta um futuro glorioso, mas que nos aponta para aquilo que precisamos renunciar, para depois assumir o futuro glorioso. E o que aquela mulher precisava fazer era só ter a capacidade de dizer: "Eu sou isso". Diante de Deus, mascaras não funcionam.

Enquanto nós fingirmos para nós mesmos, nós não iremos a lugar algum; enquanto não reconhecermos as nossas necessidades, as nossas lutas, os nossos males, enquanto não dermos nomes aos nossos inimigos e olhar nos olhos deles, ele serão maiores do que nós; enquanto a gente temer os malefícios da manhã, nós não seremos capazes de entrar na tarde com as cores de ressurreição.

Quanto mais você conhece a Deus, mais você se torna exigente. É impossível amar o outro se antes o amor de Jesus não estiver amando em nós, não estiver nos devolvendo o tempo todo a nós mesmos. Quando a gente se ama o que na verdade estamos fazendo não é trazendo o outro para nós – isto é equivoco, isso é manhã que não deu certo. Amor de ressuscitados, amor de homens e mulheres que acreditam em Deus, não é amor que retém, é amor que devolve ele a ele mesmo.

Amor humano é devolução, é restituição. E aquele que aceita qualquer coisa, também será deixado por qualquer coisa. Jesus é a Palavra. Aqui entra o poder redentor de Deus através do seu Filho Jesus. E o poder do olhar que restitui, faz com que aquela mulher possa descobrir as forças que antes ela não sabia que tinha e assumir que a vida não tinha dado certo. Quantos de nós temos que passar pelo duro aprendizado de dizer "não deu certo". Por orgulho a gente mente para o outro. Jesus deu a força para aquela mulher de reconhecer: “Eu não nasci para viver essa condição de miserável eternamente”.

Eu preciso reconhecer que quem me leva para frente é o amor de Deus. Essa é a coragem de olhar para mim e reconhecer: "Não deu certo, mas ainda pode dar". Como eu disse, Deus não facilita as coisas, porque se Ele facilita Ele tira a sua parte, que só você pode realizar. Sempre que eu ouvia esta música, a imagem que me vinha era da minha mãe, e eu fiz um esforço para não mostrar como eu estava frágil. Como é bom encontrar com olhos que nos reinaugura. Na vida de um cristão a vida está sempre recomeçando. Na sua vida você faz a experiência de encontrar e de ser encontrado. Tantas vezes você esbarra naquele irmão que você já não vê há trinta anos, e que você já não sente mais nada. Quantas relações humanas estão falidas porque as pessoas não conseguem mais reinaugurar um ao outro.

Irmãos que há tanto tempo não se encontram, porque não têm a coragem de contar a sede que têm e o outro não sabe que você está sedento. O mundo começa na palavra que a gente diz. Faça a experiência do silêncio e o mundo começará a partir da palavra que você vai dizer daqui a pouco. Sempre tem um "espírito de porco" para nos lembrar o que a gente fez de errado ou daquilo que a gente não fez. E quantas vezes nós somos desumanos. Às vezes, somos especialistas em colocar os olhos somente naquilo que não deu certo em nós. Gente que assume a postura de acusador.

Muitas vezes, a pessoa está fazendo tudo errado, mas o que você não pode esquecer é que o diabo não tem o direito de dizer que você é errado, porque ele só sabe mentir. Por que você é pessoa certa, só que está no lugar errado; pessoas certas vivendo na vida errada. É igual a um diamante que está sujo de barro, mas não deixa de ser diamante. Sabe o que mais me fascinava no padre Léo? A capacidade do padre de não olhar a prostituta, mas de ver a mulher. Ouça: "O mundo será mais santo a partir das miudezas"

Comece pelos pequenos gestos, nem que seja lavando um copinho sujo de café. Eu o desafio agora a estar sentado à beira do poço. Eu sei que você tem realidades muito concretas, nas quais você pode dizer: "Eu não fui fiel, eu não fui irmão e fui pelo caminho da prostituição. Eu corri atrás do retrocesso, ao invés de correr atrás do poço de água limpa, para por atenção na manhã que não deu certo. Confiei em estranho, ao invés de confiar naqueles que me colocaram no mundo. Permiti que muitos me jogassem no barro da indiferença, e me esqueci de quem eu era". Ao invés de um rosto marcado pela revolta, no rosto de Jesus você encontra amor. Você pode correr para Jesus, pois a sua manhã só pode ser esquecida se você fixar o seu olhar neste rosto, neste olhar que pode te reinaugurar e tirar a placa que te dizia "falido". Hoje, receba a placa que diz: reinaugurado por Jesus.

Autor : Pe Fabio Melo

Tomar posse do que sou

O homem e a mulher que traz a arte em si é como uma ‘faca de dois gumes’. Sejamos sinceros, nós não somos muito normais. Vivemos sonhando, somos fácil de sair do discurso concreto para o sonho. Meu corpo esta andando e minha mente está parada ‘sonhando’. O artista tem o seu caminho. Não somos melhores, somos diferentes. A Igreja precisa descobrir como tocar o coração do artista, porque tem um jeito diferente de ser e precisar ser cuidado. O romântico, por exemplo, tem o risco de passar a vida sem viver porque sonha tanto que deixa a vida passar.

Você já viu quando a inveja toma conta de nós e achamos que o outro é melhor? É um risco que o artista tem e o leva a cair. Ele precisa tomar posse daquilo que é, porque se não se vive isso, não é vida.
Ser pessoa é dispor-se de si e depois dispor-se para o outro. Só pode ser disponível quem se dispõe de si. Conversão é tomar posse daquilo que se é. Por isso, Deus não pode trabalhar com uma pessoa mascarada, que não se aceita. Ser pessoa é antes de tudo ter concieência: “Eu sei quem sou eu. Tenho diante de mim minhas dificuldades, mas eu me aceito!' Não existe cristão que não se aceita do jeito que se é. Você é o que você é, e a sua conversão passará por aquilo que você é ! Eu tomo posse daquilo que sou.

Jesus quando viu Maria Madalena, Ele fez com que a aquela mulher voltasse a ver aquilo que ela era, não uma prostituta, mas uma filha de Deus projetada por Ele, e não aquilo que a sociedade criou.
Nós caímos muito nos artifícios que nos são apresentados. Nossa vida se ilumina por novidades e gostamos muito do estético, e seguimos aquilo que é diferença, não somos fã da disciplina.
Corremos atrás de coisas e duas semanas depois vemos que realmente aquilo não é tão bom como parecia.
Por que os artistas não 'duram' muito nos casamentos? É por causa disso. Querem respostas rápidas, românticas, buscam o brilho eterno e acabam desanimando. Então, o outro começa a decidir por nós e ficamos perdidos. Muitas pessoas, ora dão um testemunho que acredita em Deus, e passado um tempo depois, já dizem acreditar em Buda, depois Maomé, na energia... Não ficam presos em nada.

Cuidado em seguir somente as vaidades, esse negócio de usar uma blusa com uma imagem cristã ou uma cruz, mas tudo por vaidade. Sim, nós artistas somos vaidosos, mas não podemos ser levados pela vaidade. Não invente um personagem, seja aquilo que você é. Seja autêntico, assim você provoca autenticidade nas pessoas a seu redor. Eu só posso ser padre na verdade, não posso pedir para que as pessoas finjam para que assim eu goste delas. Entre o que os outros imaginam e o que Deus fez eu prefiro ser o que Deus fez. Deus não vem plantar a sua floresta mas Ele te dá uma semente e você que vai plantar. Procure ser aquilo que Deus te fez. Se você está correndo atrás de porcaria cuidado para não acabar deixando de ser aquilo que Deus fez. Não corra atrás de porcaria, isso é a maior arte. A arte de ser aquilo que nós somos requer arte.

“Não sou perfeito, mas estou correndo atrás daquilo que sou”. Deus acontece plenamente no coração quando nós permitimos ser aquilo que nós somos. A nossa divindade só acontece na participação.
Deus é tudo para mim! Retire-me o Evangelho e eu não sei mais para onde olhar. Se tira-me da mira de tudo aquilo que eu considero santo e sagrado, eu passo a não conhecer mais minha própria identidade. Isso é humano e divino. Apaixone-se por você. Não seja aquilo que dizem que você é. Parece estranho, mas não podemos dar aquilo que não temos.

Se você não descobrir que você é sagrado, você não vai perceber a sacralidade que o outro é ! Ou você vive no amor por você ou você não sabe o que é o amor de Deus. Quem não se ama não sabe amar ninguém. É uma pessoa ausente de si mesmo. Os amores estragados que passaram minou aquilo que se era. Tem pessoas que vemos que não tem amor próprio, e você não tem o direito de perder esse amor. O homem e a mulher que se ama o diabo não tem vez. Quem se ama não traz vícios para si mesmo porque se ama! Por que me drogar? Eu me amo não caio nisso! Não é possível uma pessoa se amar e se destruir. Tome posse do que você é para depois dar-se ao outro. Seja o que você é mesmo que pareça feio, ‘nós damos um banho na lama e vai sobrar um diamante lindo’. Que o seu teatro desperte verdade, a verdade daquilo que nós somos que nos prenda a Deus, porque só quem é preso em Deus é livre no mundo, e é isso que eu gostaria que você fosse.

Autor : Pe Fabio Melo

Realidades essenciais e acidentais

Onde é que você gasta o seu tempo? O que é essencial ou acidental em você? Onde é que você derrama a sua vida? Amar é doer o tempo todo. Você ama um filho e sabe que ele precisa ir para a escola, mesmo que ele fique lá gritando e você saia chorando, porque ele precisa se desprender de você. Na minha infância, eu fazia xixi na calças na escola só para ir para casa ficar com minha mãe. Até que no quarto dia a professora disse que tinha providenciado uma cuequinha. Ali foi o momento em que eu aprendi a perder.

Você, mãe, tem dor de parto para trazer seu filho ao mundo. Mas você vai parturiar esse menino o tempo todo. Mãe que não sabe perder, não sabe educar o filho. Digo tudo isso para falar da sarça ardente e da ordem de Jesus sobre a travessia rumo à nossa conversão. Moisés reconhece a missão de levar o povo a passar pelo deserto. E vê uma sarça que queima sem se consumir. Mas ele tem consciência de aquele momento é acidental em sua vida. Deus poderia ter se manifestado de outra forma. Acidental é aquilo que poderia ser diferente, que não faz falta, que com a ausência a vida continuaria do mesmo jeito.

Voltamos à música. "Eu só peço a Deus que a dor não me seja indiferente, que a morte não me encontre um dia solitário sem ter feito o que eu queria". A morte teria encontrado Moisés se ele pensasse que na sarça ele tinha visto tudo. Deus não nos entrega nada para que morra, mas para ser multiplicado. Qualquer experiência humana não termina ali, mas sempre tem um algo mais. Sarças podem arder tanto para encantar, como para desesperar. Quando você viveu aquele momento de dor e disse que era demais, que não iria suportar. "Não vejo outra perspectiva, não vejo solução". Mas você fez um desafio a si mesmo e não ficou parado com a sarça.

A vida, às vezes, nos faz parar para ver a sua beleza, mas também a sua tragédia. E nada pode nos parar. É a junção do calvário e sepulcro vazio que dão sentido à nossa vida. O que vai fazer a diferença é o modo como você encara o momento que vive. A vida é inteligente o tempo todo. A morte é um processo natural de dar lugar ao outro. Está certo que a gente ama, mas você não pode ficar parado. Não pare naquele momento, porque o definitivo é destrutivo sempre. O definitivo chama-se inferno e quem cai no definitivo corre o risco da arrogância. Amor sobrevive daquilo que não sabemos do outro, mas desconfiamos, estamos descobrindo a cada dia.

"Essa festa está tão boa que eu não queria que acabasse". Mentira. Já está na hora de ir embora. O resto da vida é tempo demais. O pôr do sol só é bonito porque está acabando. Se não fosse passageiro não iríamos prestar atenção nele, pois estaria ali toda hora. Deus nos indica um caminho a percorrer. O que Jesus nos fala é: "Corra atrás do que está em você. Dentro de você há tantos lugares para chegar, tanto pôr do sol. No lugar da trovoada também ter pôr do sol". Você não nasceu para o definitivo das tragédias.

Religião é antes de qualquer coisa a mistura do sagrado e divino em nós. Conhece o que você é, porque assim você saberá trabalhar melhor com você. A gente quer conhecer o outro, mas não quer conhecer a gente mesmo. É luta o tempo todo. Você vai ver o que é atraente, mas também os seus espinhos. E fazer a experiência de caminhar no deserto e ir além. E se Jesus perguntar quem é você? O que você tem feito da sua vida? O que você tem permitido que os outros façam da sua vida? O que na sua vida é essencial? Onde você gasta os seus dias, as suas horas?
A gente está lidando o tempo todo com "abelhas" que nos rondam o tempo todo para extrair alguma coisa de nós. O que sai? Mel ou fel? É muito fácil produzir mel quando tudo está favorável a nós. Mas o desafio está em dar testemunho da nossa fé quando tudo está desarrumado e proclamá-la para aquele que nos fez "descer da árvore".

Você quer ser feliz, acertar, mas corre o risco de chegar lá e dar conta de que não deu certo. Só chega lá quem toma a disciplina de não desistir. O que você gostaria de fazer? O que você gostaria de sonhar diferente? Se hoje você morresse, quais sonhos morreriam junto com você?

Só sobrevive no deserto quem se planeja para fazer uma travessia segura. A coisa mais fácil é perder o rumo da vida, gente. Basta uma luz no foco errado. Cuidado com tudo aquilo que brilha demais, que é muito artificial. Fogos de artifício são passageiros, temporários. Nunca vi um rapaz chorando porque não ganhou o iate que queria. Mas já vi muitos rapazes chorando sem terem coragem de contar que queriam se sentir amados. A falta de amor faz chorar, destrói. Amor é essencial. E muitas vezes nos prendemos para dar aos filhos o que é acidental.

Nós só conseguimos suportar a travessia do deserto se estivermos agrupados. Ninguém chega ao céu ou ao inferno sozinho. Sempre estamos agrupados. Essa música é diferente da outra e nos dá esperança: "Eu preciso de Ti, meu Senhor. Quero caminhar contigo e não mais andar sozinho. Eu preciso de Ti". Se quiser ir longe segure nas mãos desse Deus que se oferece na Eucaristia.

Autor : Pe Fabio Melo

O direito de ser frágil

É uma riqueza insondável este texto de São Paulo (2Cor 12,1-10). São Paulo nos fala que para que o seu espírito não se enchesse de orgulho e vaidade, foi lhe colocado um "espinho na carne".

Não é possível falar de crescimento humano se antes não falarmos de reconhecimento dos nossos limites. O bom treinador é aquele que vai saber salientar a qualidade do atleta, mas, sobretudo, vai saber encaminhá-lo para a superação dos limites. O primeiro passo é reconhecer onde a gente precisa melhorar. É um grande desafio para todos nós porque, lamentavelmente, as pessoas não estão preparadas para nos educar para a coragem. Sabe por quê? Porque muitas vezes os incentivos que nos são dados estão mais voltados para esquecermos as nossas fragilidades. Quando mostramos as nossas fragilidades, há uma série de repreensões diante de nós.

Você já reparou que a gente não deixa a criança chorar? Já reparou que quando o recém-nascido chora, nós fazemos de tudo para calar a boca dele. Fazemos uma série de "cara feia" para ver se a gente cala a criança, para tentar espantar a fragilidade. Nós, humanos, temos uma dificuldade imensa de lidar com a fragilidade do outro – ainda que seja filho da gente. Nós gostamos é de todo mundo feliz. Não estamos preparados para encarar a fragilidade. Parece que a nossa educação está sempre voltada para nos revestir de uma coragem que nos faz esquecer o limite.

Ter coragem é descobrir onde está a nossa fragilidade e ali trabalhar com um empenho um pouquinho maior. É não desconsiderar o que temos de bom, mas é também colocar atenção naquilo que ainda temos que melhorar. Estamos em processo de feitura. Não estou pronto, eu não sou perfeito, estou por ser feito, estou sendo feito aos poucos. E no processo de ser feito aos poucos eu vou descobrindo onde é que dói este espinho. Este espinho muda de lugar. Quanto mais uma pessoa está aperfeiçoada no processo de ser gente, maior é a facilidade de conhecer limites.

Para você retirar um espinho, às vezes, é preciso deixar inflamar. É como se o seu corpo dissesse: “Isso não me pertence”. De qualquer jeito, nós temos que tirar aquilo que não nos pertence. Tem algumas inflamações do espírito, da personalidade que tem gente que é tão aborrecida que a gente não pode nem encostar. São aquelas inflamações que se alastram. E aí é que entra a grande contribuição do Cristianismo, numa proposta antropológica. Porque Deus não quer que você seja um anjinho na terra, mas que você deixe de ser inflamado. Ele quer te mostrar as inflamações para que você lute.

Cara feia, arrogâncias, isso é complexo de inferioridade. Sabe qual é o espinho? O medo, a insegurança. Você já fez a experiência de viver uma palavra que te fez vazar em tudo o que estava estragado? Língua afiada quer dizer: deixar toda a inflamação que está dentro de nós vir para fora. Ter condições de vazar aquilo que antes a gente desconhecia é admitir e reconhecer que somos frágeis. A pior ignorância é aquela que finge que sabe! Temos medo de mostrar que não aprendemos, que somos frágeis. Quantas vezes na nossa vida, por medo, perdemos a oportunidade de aprender.

Às vezes, por medo de expor a nossa fragilidade, porque parece que o mundo de hoje se esqueceu de mostrar a cultura do esforço que se fez para chegar aonde chegamos, perdemos o direito de chorar. E muitas vezes choramos e não sabemos o porquê estamos chorando. O ensinamento de Jesus é sempre o avesso do avesso. Quer ser santo? Assuma que você é fraco. Muitas vezes, neste processo de se conhecer, a gente sangra. E nós precisamos sangrar. Um dos maiores poetas da música diz isso.

Quantas vezes você não se viu traduzido em uma canção de alguém que teve a coragem de sangrar, não teve medo de mostrar as próprias fragilidades. Nós somos todos iguais. Nós, padres, somos todos iguais. Não adianta a gente fingir que é forte, ou ficar fingindo que não sente e que não tem medo. Eu não sei se você tem mais de cinco pessoas que conhecem os seus segredos. Para quantas pessoas você teve coragem de sangrar? Pessoas que te enxergam por dentro são raras.

Conversão é isso. É você educar o seu filho para ele poder te contar onde estão os espinhos. O espinho não é o defeito, mas é a seta que nos mostra onde temos que trabalhar para ser melhor. A vida vai perdendo a graça porque não nos deixamos sangrar. A gente sangra melhor nos momentos de intimidade, onde a gente tem coragem de tirar a couraça. É muito melhor a gente admitir que tem medo. Para as pessoas ,é sempre doloroso ter que tirar os espinhos, de ver vazar as inflamações. Há tantas situações que nos deixam com o “coração na boca”. Às vezes, nós colocamos muito mais atenção naquilo que as pessoas estão achando de nós, do que no que nós pensamos de nós mesmos. Examine-se, você é uma pessoa que consegue levar o outro à cura. Em última instância, o que vai sobrar de nós é a nossa vontade de amar. Vamos descobrir o que hoje em nós está "infeccionado", porque é preciso sangrar, é preciso reconhecer-se frágil.

Autor : Pe Fabio Melo

Sabor do Espírito Santo

“Portanto, eis o que digo e conjuro no Senhor: não persistais em viver como os pagãos, que andam à mercê de suas idéias frívolas. Têm o entendimento obscurecido. Sua ignorância e o endurecimento de seu coração mantêm-nos afastados da vida de Deus. Indolentes, entregaram-se à dissolução, à prática apaixonada de toda espécie de impureza. Vós, porém, não foi para isto que vos tornastes discípulos de Cristo, se é que o ouvistes e dele aprendestes, como convém à verdade em Jesus. Renunciai à vida passada, despojai-vos do homem velho, corrompido pelas concupiscências enganadoras. Renovai sem cessar o sentimento da vossa alma, e revesti-vos do homem novo, criado à imagem de Deus, em verdadeira justiça e santidade” (Efésios 4, 17-24).

O tempo do Espírito é o tempo da Igreja. O tempo da Igreja é o tempo de criar a estrada que nos leva a plenitude daquilo que já nos foi revelado. Enquanto Cristo está com os discípulos Ele é o responsável por essa propriedade, Ele é o cumprimento da promessa que o povo esperava: a terra que corre leite e mel, o lugar do nosso descanso, onde podemos reclinar a nossa cabeça. O lugar demarcado para o encontro é também paraíso. Esse texto fala da Igreja, mas não é discurso para multidão, ele nos atinge em particular.

“Não persistais em viver como os pagãos, que andam à mercê de suas idéias frívolas”. Esse texto nos abre olhos que a partir do momento que nos entregamos a Deus não podemos viver como pagão. Nós podemos muitas vezes achar que estamos seguindo Jesus e estarmos como telespectadores.

Nossa inteligência muitas vezes não nos leva a nada, refletimos, mas agimos como pagão. Nossa inteligência não age a nosso favor cada vez que optamos pela vida sem sabor, fazendo uma opção burra, pois a vida passa rápida e desperdiçamos o tempo. Uma vida no Espírito Santo é uma vida de sabor, de alegria e que sempre tem espaço para a luta. Aquilo que mais te faz feliz é aquilo que você precisou lutar muito, aquilo que vem muito fácil não tem muito sabor. Viver como pagão é você dizer que não tem sabor.

A vida pagã vai retirando de nós toda disposição para qualquer coisa. Jesus era um homem que reinaugurava as pessoas todos os dias. Você precisa descobrir que rotina você precisa colocar um tempero todo dia. Assim como precisamos do pão nosso de cada dia precisamos do sabor de cada dia. Se você comer arroz, feijão e couve todos os dias você enjoa, precisamos mudar o sabor. Por isso não podemos viver como pagão. Ninguém agüenta religião por obrigação, precisa ter sabor. A força do Espírito Santo coloca em nós a alegria de que vale a pena seguir os passos de Jesus. Cristianismo é também dever, mas se você mergulhar nele você verá que ele tem mais sabor do que qualquer outra coisa.

Não podemos associar que a vida em Deus é só sofrimento, não! Ela tem sabor, pois você vê Deus mudando sua forma de ver o mundo, Deus está tentando por sabor na sua vida. Deus amplia seu olhar para o mundo para que você não seja vítima de olhar as coisas com o olho torto com uma visão preconceituosa. Imagina se Jesus olhasse o povo com uma visão preconceituosa, ninguém teria uma chance com Ele. Nossa visão muitas vezes é preconceituosa porque é sem sabor. A coisa mais pesada que tem é a gente colecionar preconceito. Ele fecha a porta para muitos acontecimentos em nossa vida. Essa visão pagã está dentro de nós. E conversão é isso, é abertura da nossa mente para vermos as coisas com mais inteligência. Um coração endurecido é um coração ignorante.

Qual a primeira ação do Espírito em nós? Libertar-nos da ignorância. Ele retira de nós o endurecimento do coração e tudo que nos impede de crescer. O principal ato de ignorância é quando a gente não sabe e finge que sabe. Precisamos reconhecer que não sabemos. Sair da ignorância é muito difícil. A gente prefere ensinar que aprender. Para sair da ignorância é preciso ter calma. O processo de Deus e do Espírito Santo é lento dentro de nós, dura a vida inteira.

Como você supera o medo? Eu nunca vi uma pessoa que tem mais medo de defunto do que eu? E eu tenho que ir nos velórios, sou padre. Não encosto em nada em ninguém, fico agoniado. São traumas que ficam no inconsciente. Pois quando eu era pequeno escutava várias estórias sobre defunto antes de dormir, então cresci com medo de defuntos. O Espírito Santo é quem nos modifica de todas essas coisas que em nós precisa ser mais saudável.

Deus te faz um homem livre cada vez que você permite que o Espírito Santo te leve a casa sua. É preciso que tomemos posse. A promessa que o Espírito Santo faz a Igreja é: “eu farei novas todas as coisas”. Por isso precisamos sempre acolher a graça que nos cabe. Nós vamos chegar àquilo que temos de mais sagrado quando nossos olhos estiverem pregados na sedução de Jesus. Mas se seu olhar estiver pregado na sedução do demônio você se transformará num ser humano desprezível, mesquinho. Mas olhando para Jesus você poderá proclamar desde já a vitória em Jesus, a propriedade é sua, toma posse quando quiser.

Autor : Pe Fabio Melo

Alquimia da dor

Hoje nós temos a alegria de ter duas leituras que acabam sendo um complemento de toda a reflexão que fizemos pela manhã. Quando nós dizíamos que a configuração ao Cristo que acontece em nós por força do Espírito Santo não é apenas a prática de uma religião infértil, não é apenas seguir um ritual religioso, mas, sobretudo é a gente descobrir que a nossa identidade sofreu modificações.

É tão fácil a gente cair na religião do mito – Jesus já nos alertava o tempo todo para o culto dos ídolos – e a idolatria é um dos principais problemas religiosos no mundo. Esse é um risco que todos nós corremos, quando a nossa admiração por alguém, ou por uma pessoa se torna essencial, colocada acima, em termos de importância do que aquele que a pessoa anuncia. Decepcione-se comigo, mas que a sua decepção comigo não seja uma decepção por Aquele a quem eu anuncio. Decepcionar com o humano, porque é frágil, tem sono, fica mal-humorado, tudo bem, mas não confunda a minha pessoa com Aquele a quem eu anuncio.

Temos que viver uma religião que seja capaz de mexer com as estruturas da nossa consciência, a ponto de nos fazer acordar para tudo aquilo para o qual nós dormíamos e que não sabíamos que existia dentro de nós. Já estávamos inconscientes e acostumados com o nosso jeito ciumento de amar, jeito ciumento de possuir as pessoas, achando que isso era amor; eu já era desonesto nas pequenas coisas e já estava acostumado. Até que um dia uma palavra profética varou as estruturas da minha vida e me incomodou.

Uma palavra profética tem o poder de fazer algo, de acordar os surdos e aqueles que estão dormindo e que já não escutam mais nada, num sono letárgico, ou até mesmo num cumprimento de rituais inférteis que já não servem de nada para a nossa salvação. É a continuidade da Santa Missa que nos salva, é a história que fica diferente em cada comunhão comungada, cada mesa partilhada, cada confissão realizada, é o que se segue dali que nos salva. O sacramento não é a mágica de um momento, mas é a continuidade da vida que vai sendo incorporada, porque o sacramento aconteceu em mim.

É disso que Jesus fala: “Não venha me dizer o que você fazia antes, não me importa o que você fazia. Importa-me o que você era. O que faz diferença para mim é o quanto a minha Palavra conseguiu transformar o seu coração a ponto de transformá-lo numa pessoa melhor”. De você olhar para trás e dizer: “Antes eu era assim, e pela força da Eucaristia, do Evangelho, do terço, eu mudei” – todas as manifestações religiosas que você pode ter e viver. Você percebe que a sua vida não é mais a mesma, porque você mudou o seu jeito de pensar, modificou o seu jeito de ser.

A religião que Jesus quer de nós é esta: que você fixe os olhos céu, que você busque o céu. Quer saber o que vai lhe causar dor? Descubra o processo de saber como educar. Nós somos capazes de seguir uma regra a partir do momento em que a conhecemos. O Deus que nós anunciamos não é uma ameaça.

Se cada um de nós hoje tivesse a oportunidade de contar o que passamos, de escrever a nossa história, tudo o que tivemos de suor, sofrimento e sangue, não teria editora suficiente para tantos livros. Alegria é plantada na dor. Descubra as cicatrizes da sua alma, e saberemos o quanto você é feliz a partir delas.

Nesse calvário, você tem duas opções: ou esquece o peso da cruz ou olha que tem um Cirineu do seu lado. Religião que só nos mostra a cruz é uma religião infértil, porque eu não sou filho do calvário, eu sou filho do Ressuscitado - e quem eu anuncio sempre é o Ressuscitado.

Você não pode ficar parado no "calvário da sua vida" - todos nós passamos todos os dias por ele. Humanidade é isso, é trazer a luz do Ressuscitado para nós e ver que há muito para ser limpo em nós. O anúncio do Evangelho é para nós aprendermos que não temos que ficar com as nossas poeiras, e impurezas.

Você acha que a gente vai ser santo sem sacrifício? Quando eu acendo uma vela com fé, eu acendo a fé dentro de mim também. A gente tem que fazer o sacrifício sim. Quando eu deixar de comer algo é para eu ser melhor. Tem gente que espera a Quaresma inteira sem beber, mas não vê a hora de ela acabarpara "encher a cara" de novo. Se a nossa religião não colocar um pouco de sorriso em nós não vai adiantar de nada.

Eu sei das minhas lutas, mas estou satisfeito, porque eu não me prendo àquilo que eu não posso, mas sim àquele que me anima. A dor sinaliza que alguma coisa precisa ser cuidada. Nós queremos a ressurreição, mas não queremos o calvário.

A dor é o preparo. A semente passa por todo um processo de crescimento, mas ela sabe que se não deixar de ser o que é, não atingirá seu objetivo. Não desista, está apertado, está achando que está difícil, mas a dor faz parte do processo. A sua dor não pode ser em vão. O que você faz com a sua dor? Faz um quadro? Faz música? A genialidade está em transformar a lata velha em ouro. Ou a dor me destrói, ou eu a transformo em processo de ressurreição.

"Me bateu uma tragédia terrível!" Mas eu não paro. Vou buscar força, eu não posso mudar os fatos, mas posso mudar o jeito de ver através dos fatos. Na nossa vida espiritual é assim. Às vezes, a gente quer chegar sem ir. Não se chega a lugar nenhum sem dar o primeiro passo. Nossa vida é um desafio diário e não tem tréguas. É um "lapidar" constante, tirando tudo o que é excesso em nós.

Não tem jeito de amar sem sofrer. Quem ama está o tempo todo querendo cuidar. Se eu não tivesse sofrido do jeito que eu sofri, se eu não tivesse amado do jeito que eu amei, eu não teria nada para contar a vocês. Não sinta vergonha de nada que você sofreu, porque depois que passou por aquele momento, você sabe o que você sofreu para chegar onde chegou.

Autor : Pe Fábio de Melo

Amor : processo de continuidade

Sempre que escutamos a Palavra do Senhor, por aquilo que Deus é, podemos ter um pouco de dificuldade, mas a Palavra do Senhor tem força. A palavra do outro pode passar pela falsidade, mas a Palavra de Deus não, pois é o Caminho. É como ir a um lugar sem ter um caminho a seguir, caso contrário, nos perderemos.

Se quiser ser de Deus, terá que viver as duas vias do Senhor: ‘Amarás ao Senhor teu Deus e ao próximo como a ti mesmo’.
O que você entende por esta palavra 'amor'?

É impressionante o quanto o amor de Deus nos toca diferentemente e a experiência concreta de cada um. Os poetas sempre tentaram decifrar o amor, mas nunca conseguiram. Assim como Luiz de Camões em seu poema: ‘O amor é um fogo que arde sem se ver, é ferida que dói e não se sente, é um contentamento descontente, é dor que desatina sem doer’.
O amor não se poetiza: 'ferida que dói e não se sente'. Quantas vezes sentimos o amor e não sabemos onde realmente dói? O amor é revelação, inauguração, tem o poder de ser novo com aquilo que estava velho.

Jesus sabe da capacidade de olhar as coisas miúdas da vida. As que não damos valor e aquelas que ninguém havia visto antes. Colocando os pés ao seguimento de Cristo, ouvimos a Palavra para olhar a vida diferente: ‘Amar a Deus sobre todas as coisas’. E o que significa amar o meu próximo?

O que significa olhar para o meu irmão e saber que nele tem uma sacralidade que não posso violar? Como posso descobrir este convite de Deus a me abrir os olhos às pessoas? No dia de hoje, lhe proponho que acabe com os 'achismos' do amor. Por muitas vezes em nome do amor nós fazemos absurdos: seqüestramos, matamos, fazemos guerra, criamos divisões. A primeira coisa que Deus precisa curar é o que nós achamos do amor.

O amor nos dá uma força que nem nós mesmos sabíamos que tínhamos. É a capacidade que o amor tem de nos costurar. Quantas vezes olhamos para a objetividade do outro que nos motiva a sermos melhores. É o amor com suas clarezas e suas confusões.

Hoje tem um jeito comum de trazer o que você tem de mais precário em sua vida e dar ao outro. Muitas vezes em nome do amor tratamos as pessoas como ‘coisas’.

Quando Deus entra em nossa vida e entramos na vida de outras pessoas, temos que entrar como Deus, agregando os meus melhores valores. Caso contrário é melhor que eu fique de fora, porque você é um território que merece respeito.

Essa Palavra de Deus é comprometedora. É fazer as pessoas amarem a Jesus pelo seu testemunho a partir do momento em que você permite transmiti-lo. Nesta realidade do dia-a-dia, ao acordar e dormir.

Na passagem da sarça ardente (Ex 3,2ss ) Deus se manifesta em uma árvore que pega fogo mas não é consumida. Esse é o amor de Deus: quanto mais nos amamos, mais somos consumimos, e se estamos esgotados é porque amamos ‘de menos’.

Nós vamos ficando sem o vigor, mas a sarça queima sem se consumir. O fogo do amor não queima, pois é um fogo que faz outro fogo, e a experiência do amor de Deus é feita pelo amor de um para o outro. Amar o outro é levar prejuízo. Quantas vezes você passou noites inteiras acordadas pelo seu filho? Quanto sono perdido? Isso é por amor.
Você vai saber que é amor quando você se consome, mas não se esgota. Você nunca vai dizer que está cansado de amar o seu filho. Você está cansada dos problemas causados pelo filho, mas não de amá-lo.
Qual é o caminho que nos leva ao amor?

Quantas pessoas que procuram e estão necessitadas do amor, mas em sua busca correndo atrás das micaretas e baladas? A busca do amor está aguçada. Está todo mundo querendo saber o que é o amor, e todos precisando de cura. Quantas pessoas foram amadas erroneamente, trazendo as marcas de um amor estragado.

Quando alguém nos ama com um amor estragado, só se percebe em longo prazo. Como comer uma comida podre que vai dar um problema sério no o futuro. Aquele desaforo, aquela traição, aquela mentira e o que você fez com tudo aquilo? Como aquilo repercutiu em você? Aquela experiência ruim que sofreu, onde está?

Quando digo que amo a Deus, estou dizendo no avesso desta frase que amo a mim também. Nenhuma pessoa pode amar a Deus se não se ama. Nenhuma pessoa pode ter uma experiência com Deus se não for pelo amor a si próprio, pelo respeito por si mesmo.
O amor a Deus passa o tempo todo pelo cuidado que eu tenho com a minha vida, com a minha história.

Deus nos quer cuidados. Você precisa redescobrir a graça de se amar.
Quanto você se ama? O que você ainda espera de você mesmo? Como você ainda se cuida?
O quanto você ama a Deus? O que você faz por Ele? Quanto do seu tempo dedica a Ele?

As mesmas respostas das primeiras perguntas valem para as segundas. O tempo em que você dedica a Deus dedica a você mesmo. Porque a obra que Ele quer restaurada é você.

‘Se quiser entrar em minha vida retira as sandálias, pois esse solo é santo’. O amor que tenho a meu Deus é um amor a mim mesmo. Deus quer ser glorificado através de mim.
Não haverá a possibilidade de sermos santos se não retirarmos de nós as podridões. Tenha coragem de tirar as histórias do passado que doem e que você as carrega até o dia de hoje.

O alvo deste acampamento, não é o amor que você tem a Deus, mas é o amor que você tem a você mesmo, que é determinante para saber a sacralidade do outro. A gênese da nossa capacidade de amar o outro, está na incapacidade de não me amar.
A conversão é um movimento contrário, para amar a si mesmo. É impossível uma pessoa que se ama se drogar ou deixar uma outra pessoa jogar para dentro de si uma substância letal.
Como sou capaz de amar o próximo como a mim mesmo, se ainda não me amo?

Faça caridade a você primeiro. Os seus amigos irão agradecer por você se amar.
Quando o amor nos atinge, seremos mais felizes. Vamos experimentar da graça e dar a graça ao outro também.

Um povo que se ama é um povo que sabe aonde vai. O amor a Deus e ao próximo é um amor a si mesmo. Eu ainda acredito no que Deus pode em mim. Volte a gostar de você!

Autor : Pe Fabio Melo

Amor : processo de continuidade

Sempre que escutamos a Palavra do Senhor, por aquilo que Deus é, podemos ter um pouco de dificuldade, mas a Palavra do Senhor tem força. A palavra do outro pode passar pela falsidade, mas a Palavra de Deus não, pois é o Caminho. É como ir a um lugar sem ter um caminho a seguir, caso contrário, nos perderemos.

Se quiser ser de Deus, terá que viver as duas vias do Senhor: ‘Amarás ao Senhor teu Deus e ao próximo como a ti mesmo’.
O que você entende por esta palavra 'amor'?

É impressionante o quanto o amor de Deus nos toca diferentemente e a experiência concreta de cada um. Os poetas sempre tentaram decifrar o amor, mas nunca conseguiram. Assim como Luiz de Camões em seu poema: ‘O amor é um fogo que arde sem se ver, é ferida que dói e não se sente, é um contentamento descontente, é dor que desatina sem doer’.
O amor não se poetiza: 'ferida que dói e não se sente'. Quantas vezes sentimos o amor e não sabemos onde realmente dói? O amor é revelação, inauguração, tem o poder de ser novo com aquilo que estava velho.

Jesus sabe da capacidade de olhar as coisas miúdas da vida. As que não damos valor e aquelas que ninguém havia visto antes. Colocando os pés ao seguimento de Cristo, ouvimos a Palavra para olhar a vida diferente: ‘Amar a Deus sobre todas as coisas’. E o que significa amar o meu próximo?

O que significa olhar para o meu irmão e saber que nele tem uma sacralidade que não posso violar? Como posso descobrir este convite de Deus a me abrir os olhos às pessoas? No dia de hoje, lhe proponho que acabe com os 'achismos' do amor. Por muitas vezes em nome do amor nós fazemos absurdos: seqüestramos, matamos, fazemos guerra, criamos divisões. A primeira coisa que Deus precisa curar é o que nós achamos do amor.

O amor nos dá uma força que nem nós mesmos sabíamos que tínhamos. É a capacidade que o amor tem de nos costurar. Quantas vezes olhamos para a objetividade do outro que nos motiva a sermos melhores. É o amor com suas clarezas e suas confusões.

Hoje tem um jeito comum de trazer o que você tem de mais precário em sua vida e dar ao outro. Muitas vezes em nome do amor tratamos as pessoas como ‘coisas’.

Quando Deus entra em nossa vida e entramos na vida de outras pessoas, temos que entrar como Deus, agregando os meus melhores valores. Caso contrário é melhor que eu fique de fora, porque você é um território que merece respeito.

Essa Palavra de Deus é comprometedora. É fazer as pessoas amarem a Jesus pelo seu testemunho a partir do momento em que você permite transmiti-lo. Nesta realidade do dia-a-dia, ao acordar e dormir.

Na passagem da sarça ardente (Ex 3,2ss ) Deus se manifesta em uma árvore que pega fogo mas não é consumida. Esse é o amor de Deus: quanto mais nos amamos, mais somos consumimos, e se estamos esgotados é porque amamos ‘de menos’.

Nós vamos ficando sem o vigor, mas a sarça queima sem se consumir. O fogo do amor não queima, pois é um fogo que faz outro fogo, e a experiência do amor de Deus é feita pelo amor de um para o outro. Amar o outro é levar prejuízo. Quantas vezes você passou noites inteiras acordadas pelo seu filho? Quanto sono perdido? Isso é por amor.
Você vai saber que é amor quando você se consome, mas não se esgota. Você nunca vai dizer que está cansado de amar o seu filho. Você está cansada dos problemas causados pelo filho, mas não de amá-lo.
Qual é o caminho que nos leva ao amor?

Quantas pessoas que procuram e estão necessitadas do amor, mas em sua busca correndo atrás das micaretas e baladas? A busca do amor está aguçada. Está todo mundo querendo saber o que é o amor, e todos precisando de cura. Quantas pessoas foram amadas erroneamente, trazendo as marcas de um amor estragado.

Quando alguém nos ama com um amor estragado, só se percebe em longo prazo. Como comer uma comida podre que vai dar um problema sério no o futuro. Aquele desaforo, aquela traição, aquela mentira e o que você fez com tudo aquilo? Como aquilo repercutiu em você? Aquela experiência ruim que sofreu, onde está?

Quando digo que amo a Deus, estou dizendo no avesso desta frase que amo a mim também. Nenhuma pessoa pode amar a Deus se não se ama. Nenhuma pessoa pode ter uma experiência com Deus se não for pelo amor a si próprio, pelo respeito por si mesmo.
O amor a Deus passa o tempo todo pelo cuidado que eu tenho com a minha vida, com a minha história.

Deus nos quer cuidados. Você precisa redescobrir a graça de se amar.
Quanto você se ama? O que você ainda espera de você mesmo? Como você ainda se cuida?
O quanto você ama a Deus? O que você faz por Ele? Quanto do seu tempo dedica a Ele?

As mesmas respostas das primeiras perguntas valem para as segundas. O tempo em que você dedica a Deus dedica a você mesmo. Porque a obra que Ele quer restaurada é você.

‘Se quiser entrar em minha vida retira as sandálias, pois esse solo é santo’. O amor que tenho a meu Deus é um amor a mim mesmo. Deus quer ser glorificado através de mim.
Não haverá a possibilidade de sermos santos se não retirarmos de nós as podridões. Tenha coragem de tirar as histórias do passado que doem e que você as carrega até o dia de hoje.

O alvo deste acampamento, não é o amor que você tem a Deus, mas é o amor que você tem a você mesmo, que é determinante para saber a sacralidade do outro. A gênese da nossa capacidade de amar o outro, está na incapacidade de não me amar.
A conversão é um movimento contrário, para amar a si mesmo. É impossível uma pessoa que se ama se drogar ou deixar uma outra pessoa jogar para dentro de si uma substância letal.
Como sou capaz de amar o próximo como a mim mesmo, se ainda não me amo?

Faça caridade a você primeiro. Os seus amigos irão agradecer por você se amar.
Quando o amor nos atinge, seremos mais felizes. Vamos experimentar da graça e dar a graça ao outro também.

Um povo que se ama é um povo que sabe aonde vai. O amor a Deus e ao próximo é um amor a si mesmo. Eu ainda acredito no que Deus pode em mim. Volte a gostar de você!

Autor : Pe Fabio Melo