Imagine estar diante de uma 'varanda' onde janelas e portas estão abertas esperando por voce para a partilha de reflexões sobre tudo aquilo que vivo em Deus e sei que valerá a pena dividir com você. Vamos nos unir ainda mais no amor de Cristo como irmãos, seremos sustento uns para os outros, vamos rir, vamos chorar, vamos rezar, e com certeza testemunharemos as experiências de fé que o próprio Deus providenciará para nós. Com carinho, Darley.
sábado, 1 de março de 2008
Alquimia da dor
É tão fácil a gente cair na religião do mito – Jesus já nos alertava o tempo todo para o culto dos ídolos – e a idolatria é um dos principais problemas religiosos no mundo. Esse é um risco que todos nós corremos, quando a nossa admiração por alguém, ou por uma pessoa se torna essencial, colocada acima, em termos de importância do que aquele que a pessoa anuncia. Decepcione-se comigo, mas que a sua decepção comigo não seja uma decepção por Aquele a quem eu anuncio. Decepcionar com o humano, porque é frágil, tem sono, fica mal-humorado, tudo bem, mas não confunda a minha pessoa com Aquele a quem eu anuncio.
Temos que viver uma religião que seja capaz de mexer com as estruturas da nossa consciência, a ponto de nos fazer acordar para tudo aquilo para o qual nós dormíamos e que não sabíamos que existia dentro de nós. Já estávamos inconscientes e acostumados com o nosso jeito ciumento de amar, jeito ciumento de possuir as pessoas, achando que isso era amor; eu já era desonesto nas pequenas coisas e já estava acostumado. Até que um dia uma palavra profética varou as estruturas da minha vida e me incomodou.
Uma palavra profética tem o poder de fazer algo, de acordar os surdos e aqueles que estão dormindo e que já não escutam mais nada, num sono letárgico, ou até mesmo num cumprimento de rituais inférteis que já não servem de nada para a nossa salvação. É a continuidade da Santa Missa que nos salva, é a história que fica diferente em cada comunhão comungada, cada mesa partilhada, cada confissão realizada, é o que se segue dali que nos salva. O sacramento não é a mágica de um momento, mas é a continuidade da vida que vai sendo incorporada, porque o sacramento aconteceu em mim.
É disso que Jesus fala: “Não venha me dizer o que você fazia antes, não me importa o que você fazia. Importa-me o que você era. O que faz diferença para mim é o quanto a minha Palavra conseguiu transformar o seu coração a ponto de transformá-lo numa pessoa melhor”. De você olhar para trás e dizer: “Antes eu era assim, e pela força da Eucaristia, do Evangelho, do terço, eu mudei” – todas as manifestações religiosas que você pode ter e viver. Você percebe que a sua vida não é mais a mesma, porque você mudou o seu jeito de pensar, modificou o seu jeito de ser.
A religião que Jesus quer de nós é esta: que você fixe os olhos céu, que você busque o céu. Quer saber o que vai lhe causar dor? Descubra o processo de saber como educar. Nós somos capazes de seguir uma regra a partir do momento em que a conhecemos. O Deus que nós anunciamos não é uma ameaça.
Se cada um de nós hoje tivesse a oportunidade de contar o que passamos, de escrever a nossa história, tudo o que tivemos de suor, sofrimento e sangue, não teria editora suficiente para tantos livros. Alegria é plantada na dor. Descubra as cicatrizes da sua alma, e saberemos o quanto você é feliz a partir delas.
Nesse calvário, você tem duas opções: ou esquece o peso da cruz ou olha que tem um Cirineu do seu lado. Religião que só nos mostra a cruz é uma religião infértil, porque eu não sou filho do calvário, eu sou filho do Ressuscitado - e quem eu anuncio sempre é o Ressuscitado.
Você não pode ficar parado no "calvário da sua vida" - todos nós passamos todos os dias por ele. Humanidade é isso, é trazer a luz do Ressuscitado para nós e ver que há muito para ser limpo em nós. O anúncio do Evangelho é para nós aprendermos que não temos que ficar com as nossas poeiras, e impurezas.
Você acha que a gente vai ser santo sem sacrifício? Quando eu acendo uma vela com fé, eu acendo a fé dentro de mim também. A gente tem que fazer o sacrifício sim. Quando eu deixar de comer algo é para eu ser melhor. Tem gente que espera a Quaresma inteira sem beber, mas não vê a hora de ela acabarpara "encher a cara" de novo. Se a nossa religião não colocar um pouco de sorriso em nós não vai adiantar de nada.
Eu sei das minhas lutas, mas estou satisfeito, porque eu não me prendo àquilo que eu não posso, mas sim àquele que me anima. A dor sinaliza que alguma coisa precisa ser cuidada. Nós queremos a ressurreição, mas não queremos o calvário.
A dor é o preparo. A semente passa por todo um processo de crescimento, mas ela sabe que se não deixar de ser o que é, não atingirá seu objetivo. Não desista, está apertado, está achando que está difícil, mas a dor faz parte do processo. A sua dor não pode ser em vão. O que você faz com a sua dor? Faz um quadro? Faz música? A genialidade está em transformar a lata velha em ouro. Ou a dor me destrói, ou eu a transformo em processo de ressurreição.
"Me bateu uma tragédia terrível!" Mas eu não paro. Vou buscar força, eu não posso mudar os fatos, mas posso mudar o jeito de ver através dos fatos. Na nossa vida espiritual é assim. Às vezes, a gente quer chegar sem ir. Não se chega a lugar nenhum sem dar o primeiro passo. Nossa vida é um desafio diário e não tem tréguas. É um "lapidar" constante, tirando tudo o que é excesso em nós.
Não tem jeito de amar sem sofrer. Quem ama está o tempo todo querendo cuidar. Se eu não tivesse sofrido do jeito que eu sofri, se eu não tivesse amado do jeito que eu amei, eu não teria nada para contar a vocês. Não sinta vergonha de nada que você sofreu, porque depois que passou por aquele momento, você sabe o que você sofreu para chegar onde chegou.
Autor : Pe Fábio de Melo
Amor : processo de continuidade
Se quiser ser de Deus, terá que viver as duas vias do Senhor: ‘Amarás ao Senhor teu Deus e ao próximo como a ti mesmo’.
O que você entende por esta palavra 'amor'?
É impressionante o quanto o amor de Deus nos toca diferentemente e a experiência concreta de cada um. Os poetas sempre tentaram decifrar o amor, mas nunca conseguiram. Assim como Luiz de Camões em seu poema: ‘O amor é um fogo que arde sem se ver, é ferida que dói e não se sente, é um contentamento descontente, é dor que desatina sem doer’.
O amor não se poetiza: 'ferida que dói e não se sente'. Quantas vezes sentimos o amor e não sabemos onde realmente dói? O amor é revelação, inauguração, tem o poder de ser novo com aquilo que estava velho.
Jesus sabe da capacidade de olhar as coisas miúdas da vida. As que não damos valor e aquelas que ninguém havia visto antes. Colocando os pés ao seguimento de Cristo, ouvimos a Palavra para olhar a vida diferente: ‘Amar a Deus sobre todas as coisas’. E o que significa amar o meu próximo?
O que significa olhar para o meu irmão e saber que nele tem uma sacralidade que não posso violar? Como posso descobrir este convite de Deus a me abrir os olhos às pessoas? No dia de hoje, lhe proponho que acabe com os 'achismos' do amor. Por muitas vezes em nome do amor nós fazemos absurdos: seqüestramos, matamos, fazemos guerra, criamos divisões. A primeira coisa que Deus precisa curar é o que nós achamos do amor.
O amor nos dá uma força que nem nós mesmos sabíamos que tínhamos. É a capacidade que o amor tem de nos costurar. Quantas vezes olhamos para a objetividade do outro que nos motiva a sermos melhores. É o amor com suas clarezas e suas confusões.
Hoje tem um jeito comum de trazer o que você tem de mais precário em sua vida e dar ao outro. Muitas vezes em nome do amor tratamos as pessoas como ‘coisas’.
Quando Deus entra em nossa vida e entramos na vida de outras pessoas, temos que entrar como Deus, agregando os meus melhores valores. Caso contrário é melhor que eu fique de fora, porque você é um território que merece respeito.
Essa Palavra de Deus é comprometedora. É fazer as pessoas amarem a Jesus pelo seu testemunho a partir do momento em que você permite transmiti-lo. Nesta realidade do dia-a-dia, ao acordar e dormir.
Na passagem da sarça ardente (Ex 3,2ss ) Deus se manifesta em uma árvore que pega fogo mas não é consumida. Esse é o amor de Deus: quanto mais nos amamos, mais somos consumimos, e se estamos esgotados é porque amamos ‘de menos’.
Nós vamos ficando sem o vigor, mas a sarça queima sem se consumir. O fogo do amor não queima, pois é um fogo que faz outro fogo, e a experiência do amor de Deus é feita pelo amor de um para o outro. Amar o outro é levar prejuízo. Quantas vezes você passou noites inteiras acordadas pelo seu filho? Quanto sono perdido? Isso é por amor.
Você vai saber que é amor quando você se consome, mas não se esgota. Você nunca vai dizer que está cansado de amar o seu filho. Você está cansada dos problemas causados pelo filho, mas não de amá-lo.
Qual é o caminho que nos leva ao amor?
Quantas pessoas que procuram e estão necessitadas do amor, mas em sua busca correndo atrás das micaretas e baladas? A busca do amor está aguçada. Está todo mundo querendo saber o que é o amor, e todos precisando de cura. Quantas pessoas foram amadas erroneamente, trazendo as marcas de um amor estragado.
Quando alguém nos ama com um amor estragado, só se percebe em longo prazo. Como comer uma comida podre que vai dar um problema sério no o futuro. Aquele desaforo, aquela traição, aquela mentira e o que você fez com tudo aquilo? Como aquilo repercutiu em você? Aquela experiência ruim que sofreu, onde está?
Quando digo que amo a Deus, estou dizendo no avesso desta frase que amo a mim também. Nenhuma pessoa pode amar a Deus se não se ama. Nenhuma pessoa pode ter uma experiência com Deus se não for pelo amor a si próprio, pelo respeito por si mesmo.
O amor a Deus passa o tempo todo pelo cuidado que eu tenho com a minha vida, com a minha história.
Deus nos quer cuidados. Você precisa redescobrir a graça de se amar.
Quanto você se ama? O que você ainda espera de você mesmo? Como você ainda se cuida?
O quanto você ama a Deus? O que você faz por Ele? Quanto do seu tempo dedica a Ele?
As mesmas respostas das primeiras perguntas valem para as segundas. O tempo em que você dedica a Deus dedica a você mesmo. Porque a obra que Ele quer restaurada é você.
‘Se quiser entrar em minha vida retira as sandálias, pois esse solo é santo’. O amor que tenho a meu Deus é um amor a mim mesmo. Deus quer ser glorificado através de mim.
Não haverá a possibilidade de sermos santos se não retirarmos de nós as podridões. Tenha coragem de tirar as histórias do passado que doem e que você as carrega até o dia de hoje.
O alvo deste acampamento, não é o amor que você tem a Deus, mas é o amor que você tem a você mesmo, que é determinante para saber a sacralidade do outro. A gênese da nossa capacidade de amar o outro, está na incapacidade de não me amar.
A conversão é um movimento contrário, para amar a si mesmo. É impossível uma pessoa que se ama se drogar ou deixar uma outra pessoa jogar para dentro de si uma substância letal.
Como sou capaz de amar o próximo como a mim mesmo, se ainda não me amo?
Faça caridade a você primeiro. Os seus amigos irão agradecer por você se amar.
Quando o amor nos atinge, seremos mais felizes. Vamos experimentar da graça e dar a graça ao outro também.
Um povo que se ama é um povo que sabe aonde vai. O amor a Deus e ao próximo é um amor a si mesmo. Eu ainda acredito no que Deus pode em mim. Volte a gostar de você!
Autor : Pe Fabio Melo
Amor : processo de continuidade
Se quiser ser de Deus, terá que viver as duas vias do Senhor: ‘Amarás ao Senhor teu Deus e ao próximo como a ti mesmo’.
O que você entende por esta palavra 'amor'?
É impressionante o quanto o amor de Deus nos toca diferentemente e a experiência concreta de cada um. Os poetas sempre tentaram decifrar o amor, mas nunca conseguiram. Assim como Luiz de Camões em seu poema: ‘O amor é um fogo que arde sem se ver, é ferida que dói e não se sente, é um contentamento descontente, é dor que desatina sem doer’.
O amor não se poetiza: 'ferida que dói e não se sente'. Quantas vezes sentimos o amor e não sabemos onde realmente dói? O amor é revelação, inauguração, tem o poder de ser novo com aquilo que estava velho.
Jesus sabe da capacidade de olhar as coisas miúdas da vida. As que não damos valor e aquelas que ninguém havia visto antes. Colocando os pés ao seguimento de Cristo, ouvimos a Palavra para olhar a vida diferente: ‘Amar a Deus sobre todas as coisas’. E o que significa amar o meu próximo?
O que significa olhar para o meu irmão e saber que nele tem uma sacralidade que não posso violar? Como posso descobrir este convite de Deus a me abrir os olhos às pessoas? No dia de hoje, lhe proponho que acabe com os 'achismos' do amor. Por muitas vezes em nome do amor nós fazemos absurdos: seqüestramos, matamos, fazemos guerra, criamos divisões. A primeira coisa que Deus precisa curar é o que nós achamos do amor.
O amor nos dá uma força que nem nós mesmos sabíamos que tínhamos. É a capacidade que o amor tem de nos costurar. Quantas vezes olhamos para a objetividade do outro que nos motiva a sermos melhores. É o amor com suas clarezas e suas confusões.
Hoje tem um jeito comum de trazer o que você tem de mais precário em sua vida e dar ao outro. Muitas vezes em nome do amor tratamos as pessoas como ‘coisas’.
Quando Deus entra em nossa vida e entramos na vida de outras pessoas, temos que entrar como Deus, agregando os meus melhores valores. Caso contrário é melhor que eu fique de fora, porque você é um território que merece respeito.
Essa Palavra de Deus é comprometedora. É fazer as pessoas amarem a Jesus pelo seu testemunho a partir do momento em que você permite transmiti-lo. Nesta realidade do dia-a-dia, ao acordar e dormir.
Na passagem da sarça ardente (Ex 3,2ss ) Deus se manifesta em uma árvore que pega fogo mas não é consumida. Esse é o amor de Deus: quanto mais nos amamos, mais somos consumimos, e se estamos esgotados é porque amamos ‘de menos’.
Nós vamos ficando sem o vigor, mas a sarça queima sem se consumir. O fogo do amor não queima, pois é um fogo que faz outro fogo, e a experiência do amor de Deus é feita pelo amor de um para o outro. Amar o outro é levar prejuízo. Quantas vezes você passou noites inteiras acordadas pelo seu filho? Quanto sono perdido? Isso é por amor.
Você vai saber que é amor quando você se consome, mas não se esgota. Você nunca vai dizer que está cansado de amar o seu filho. Você está cansada dos problemas causados pelo filho, mas não de amá-lo.
Qual é o caminho que nos leva ao amor?
Quantas pessoas que procuram e estão necessitadas do amor, mas em sua busca correndo atrás das micaretas e baladas? A busca do amor está aguçada. Está todo mundo querendo saber o que é o amor, e todos precisando de cura. Quantas pessoas foram amadas erroneamente, trazendo as marcas de um amor estragado.
Quando alguém nos ama com um amor estragado, só se percebe em longo prazo. Como comer uma comida podre que vai dar um problema sério no o futuro. Aquele desaforo, aquela traição, aquela mentira e o que você fez com tudo aquilo? Como aquilo repercutiu em você? Aquela experiência ruim que sofreu, onde está?
Quando digo que amo a Deus, estou dizendo no avesso desta frase que amo a mim também. Nenhuma pessoa pode amar a Deus se não se ama. Nenhuma pessoa pode ter uma experiência com Deus se não for pelo amor a si próprio, pelo respeito por si mesmo.
O amor a Deus passa o tempo todo pelo cuidado que eu tenho com a minha vida, com a minha história.
Deus nos quer cuidados. Você precisa redescobrir a graça de se amar.
Quanto você se ama? O que você ainda espera de você mesmo? Como você ainda se cuida?
O quanto você ama a Deus? O que você faz por Ele? Quanto do seu tempo dedica a Ele?
As mesmas respostas das primeiras perguntas valem para as segundas. O tempo em que você dedica a Deus dedica a você mesmo. Porque a obra que Ele quer restaurada é você.
‘Se quiser entrar em minha vida retira as sandálias, pois esse solo é santo’. O amor que tenho a meu Deus é um amor a mim mesmo. Deus quer ser glorificado através de mim.
Não haverá a possibilidade de sermos santos se não retirarmos de nós as podridões. Tenha coragem de tirar as histórias do passado que doem e que você as carrega até o dia de hoje.
O alvo deste acampamento, não é o amor que você tem a Deus, mas é o amor que você tem a você mesmo, que é determinante para saber a sacralidade do outro. A gênese da nossa capacidade de amar o outro, está na incapacidade de não me amar.
A conversão é um movimento contrário, para amar a si mesmo. É impossível uma pessoa que se ama se drogar ou deixar uma outra pessoa jogar para dentro de si uma substância letal.
Como sou capaz de amar o próximo como a mim mesmo, se ainda não me amo?
Faça caridade a você primeiro. Os seus amigos irão agradecer por você se amar.
Quando o amor nos atinge, seremos mais felizes. Vamos experimentar da graça e dar a graça ao outro também.
Um povo que se ama é um povo que sabe aonde vai. O amor a Deus e ao próximo é um amor a si mesmo. Eu ainda acredito no que Deus pode em mim. Volte a gostar de você!
Autor : Pe Fabio Melo
Saber que Deus cuida de nós é muito bom
Vejam as situações que nos jogam para debaixo da mesa, pessoas que são maltratadas nos seus afetos, que são as camadas exteriores, mas muito mais ainda nas interiores. O afeto é muito fácil de ser despertado, o afeto é uma forma de memória, recorda as lembranças que temos. Ao escutar uma música nossa memória faz-nos voltar àquele fato, àquela situação, sendo assim uma memória afetiva, que tem poder sobre nós. A nossa memória afetiva nos remete a não gostar de uma pessoa que acabamos de ver, e não temos razão - não conhecemos sua história, gostos, não convivemos - para não gostar de uma pessoa que acabou de chegar a nossa vida. Esta pessoa tem alguma coisa de você mesmo, que você não gosta. Você olha para ela e lembra-se de uma coisa que você não gosta no seu pai, sua mãe. Mas também tem aquelas pessoas que chegam perto de nós e vamos com a "cara" delas.
Assim como Jesus, que era amável com todos, pois, tinha impelido dentro de si esta graça; cada vez que você se encontra com uma pessoa, formam-se os "nós". Se tivermos uma corda, fazemos um nó, um encontro, assim é o que acontece conosco, e isso nos transforma. Essa é a nossa possibilidade de encontrarmos com o outro, tirando de mim o que tenho de mais precioso, de mais lindo; essa é a empatia que surge quando você encontra com o outro, essa provocação que muitas vezes acontece, do encontro. O que sobra é o resto entre mim e o outro, e tenho que aprender a fazer a digestão dos pensamentos e se não consigo, surge a indigestão emocional.
Os traumas acontecem quando somos traídos e nos fazem ir para debaixo da mesa. Existem dois aspectos da traição: quem traiu - está dando acesso para ser traído - e aquele que fica guardando a traição. Combater os inimigos do lado de fora, é fácil, mas combater a traição a si mesmo, não é nada fácil.
Às vezes caímos de barrancos, e o grande problema não é cair, mas saber como se levantar. Quantas pedras já lhe atiraram, quanta fofoca já machucaram você. Jogam pedras em nós, seguramos as pedras e jogamos novamente, ou nem jogamos. O problema não está na pedra que o outro nos joga, mas, quando seguramos a pedra e ficamos agarrados, indo para debaixo da mesa.
Levou prejuízo? Levanta! Sacode a poeira e dê a volta por cima. Tem gente que recebe uma pedra e fica decorando a vida com ela. A melhor coisa que tem é jogar a pedra fora, não permita que o seu agressor jogue a pedra e você fique com ela na mão. Quantos afetos estragados dentro de nós, coisas que deveríamos jogar fora e não jogamos.
No momento em que o seu coração se ocupa do ódio, você não será capaz de amar ninguém. Só seremos capazes de amar, se sairmos debaixo da mesa e entendermos o que para nós é valor.
A sociedade nos faz acreditar que os vícios são comuns, as famílias vão sendo roubadas delas mesmas, é o vício roubando a originalidade deles mesmos. Os "seqüestradores" estão viciando os nossos filhos e os matando em vida.
Uma idéia boa substitui uma idéia ruim, um pensamento ruim, por um pensamento bom. Por isso que em meio ao sofrimento procuramos dentro do nosso afeto respostas fáceis, respostas refinadas, mas temos que aceitar as respostas integrais. Muitas vezes preferimos os afetos refinados, aos integrais; pois os integrais dão trabalho para serem aceitos, exigi de nós muito mais estrutura, muito mais trabalho e organização.
Como os alimentos, preferimos aquele que será digerido mais rápido para não dar muito trabalho ao estômago, e cada vez mais se fica gordo por não deixar o estômago trabalhar. Temos de aprender a comer alimentos integrais para não deixar o nosso estômago preguiçoso. Assim também acontece com os nossos afetos, temos que aceitar e saber como administrar os afetos.
Não viva um personagem. Você tem que ser você mesmo e deixar que o outro descubra o seu verdadeiro "eu". E para que o outro não seja aquilo que eu quero que ele seja, buscando no outro uma idealização de uma pessoa perfeita. Se precisamos aprender sobre Deus, precisamos também aprender sobre nós mesmos.
Escrevi uma música a partir do testemunho de uma mulher que me dizia que iria ficar em casa uns 10 dias porque o marido havia batido muito nela, estava toda marcada com hematomas roxos. Se não bastasse a agressão física, também a moral. Vemos o quanto se tem desvalorizado a figura da mulher. Cada vez que você mulher, estiver prestes a apanhar de seu marido, peça para ele retirar a sandália dos pés, pois você é templo santo, é templo de Deus.
Autor : Pe Fabio Melo
O desafio de ser pessoa
Nós temos que tomar posse do que somos. Está aí dentro de você. Quantas coisas você possui e ainda não tomou posse? O amor é a capacidade de descobrir no outro o que ele ainda não viu que tem.
É como se você tivesse uma grande propriedade e não tivesse a capacidade de andar por ela para demarcá-la, e não a conhece na totalidade. Mas aos poucos vai sendo dono daquilo que já é seu. Ser pessoa é ser dono de você e saber lidar com seu jeito de ser, de amar, de sentir, de pensar, de ter suas limitações e saber o que você pode. Quantas vezes você se dispôs a ser o que não era, dizendo ‘sim’ onde era para dizer ‘não’? Você não teve consciência do que não podia.
È o que Jesus sempre fez com as pessoas. Fazendo-as tomarem posse do próprio território, de si mesmas. 'Eu sou dono de mim, e não abro mão. '
Quem é o ‘prefeito’ de sua ‘cidade’? Tenha coragem de dizer aos inimigos: ‘Aqui nesta cidade tem prefeitura (eu), e aqui não tem lugar para os bandidos. Eu não abro mão do meu território’.
E é aqui que Deus trabalha em nós, para celebrar a Eucaristia, é para Deus nos entregarmos de novo,. Eu sou pessoa, e me recebo de Deus o tempo todo. E Ele diz: ‘Cuide do que você é. Você não tem o direito de deixar as pessoas lhe roubar’.
E tem pessoas que te ‘devolvem’. A experiência com Deus sempre diz: 'eu lhe devolvo'.
Não tenha preguiça de conhecer seu ‘território’ e saber quem você é realmente. O total desconhecimento de si, não pode acontecer. A pessoa que não é ‘pessoa’, não tem assunto e sabe tudo o que acontece na vida do outro, mas não sabe de si mesma.
As pessoas que vivem preocupadas com as novelas da vida se desgastam com pessoas que nem conhecem. Não é fácil compreender o território humano. Se investigar e conhecer o ‘por que’ de algumas reações. O ‘por que’ aquela raiva foi tão grande naquela hora, ‘por que’ eu explodi com aquela pessoa. É descobrir o ‘por que’ do afeto que tenho dentro de mim. Você deixa de ser explosiva demais quando toma posse do que é. Tudo isso porque você está em processo de construção.
Deveríamos estar com placas dizendo: ‘Estamos em obra, cuidado’. É o seu processo de ‘feitura’ de ser pessoa.
Enquanto você viver haverá partes deste ‘território’ para conhecer. Tantas coisas nos foram entregues, mas se elas não vêm à tona, e nem as investigarmos, tudo o que temos dentro de nós fica sem uso. Quanta coisa preciosa você tem dentro de você e não sabe por que fica só na superficialidade do conhecimento de si?
Quando é que você sabe que uma pessoa se ama? Você só sabe que ela se ama quando ela se cuida, quando tem disciplina. Que você não morra com seus valores ‘engavetados’, pois Deus lhe dá talentos para que você os use, e não para deixar guardado.
Eu sou um dom de Deus. Tenha esta vontade dentro de você e mude esta situação. Todos os dias há alguma coisa para você ir atrás e descobrir. Você se recebe de Deus, Ele que me deu esta obra todos os dias. Temos que ser bom naquilo que a gente faz, para nos colocar à serviço dos que necessitam. Uma pessoa só é pessoa quando se disponibiliza aos outros. Aquilo que recebo de Deus coloco à disposição dos outros.
E nisso temos a integração de uma personalidade saudável. Ser pessoa não é só contemplar o que sou e tenho de melhor, mas ser pessoa é descobrir e cultivar o que tenho de melhor para que outros sejam beneficiados. Como Jesus fazia o tempo todo em sua capacidade de se doar e ensinar, é preciso se doar também.
É necessário tomar cuidado para outra pessoa não tomar posse do que você é, pois a partir daí você não terá mais domínio sobre o que é seu. Se não sou capaz de tomar conta de mim, perco meus talentos e não me possuo mais.
Quantas vezes você foi machucado nesta vida e pessoas lhe roubaram?
Quando não me possuo, tenho dificuldade de ser para o outro, e corro o risco de não ser o que devo ser.
Estabeleça o seu limite. Seja firme!
Autor: Pe Fabio Melo
Saia debaixo da mesa
Deus só pode alguma coisa em nós quando somos capazes de olhar as situações com amor.
Na sua infância você já quebrou alguma coisa de sua mãe e ficou com medo de que ela descobrisse; e se enfiou debaixo da mesa para poder esconder? Comigo isso sempre acontecia. Quantas vezes nos escondemos das situações debaixo da mesa. O medo é tão maior do que o que pode acontecer conosco, que preferimos nos esconder. Mas vai chegar um momento em que teremos que enfrentar as dificuldades, as nossas fraquezas, os nossos erros.
Lembro-me de minha mãe diante do presépio que havia ganhado de minha avó, aquilo era de muito valor para ela, pois foi minha avó que lhe tinha dado. Quando o presépio estava pronto, nunca podia tocar, mas quando eu estava maiorzinho, minha mãe permitiu que eu pegasse o Menino Jesus. Um dia na sua ausência me achei cheio de autoridade para carregar o Menino Jesus e saí para mostrar ao meu vizinho. No meio do caminho comecei a correr e deixei o Menino Jesus cair e na ânsia, na pressa, peguei-o do chão, e continuei a minha empreitada para chegar à casa do meu vizinho. E quando mostrei a ele, disse-me que era bonito, mas estava sem a cabeça. Desesperado, voltei ao lugar onde tinha caído e procurei pela cabeça, sendo ajudado pela minha prima, colamos e coloquei o Menino Jesus no presépio.
Quando minha mãe chegou em casa olhando para mim, percebeu algo estranho e perguntou o que havia acontecido. Logo abracei as pernas dela comecei a chorar e disse que havia quebrado o Menino Jesus. Ela olhando para mim, levantou-me e deu um sorriso dizendo que não havia problema. Percebi naquele momento o verdadeiro valor da misericórdia, que nenhum livro de teologia me ensinou, aprendi ali, na simplicidade de minha mãe.
Na vida somos engaiolados com os nossos medos, nossas inseguranças.
Outro dia tive com minha amiga que teve sua irmã seqüestrado por 20 dias, imagine 20 dias uma pessoa sendo tratada como um nada, no escuro. Ali ela devia imaginar: “Será que eles vão pagar o meu resgate? Será que tenho este valor”?
A vida humana gira em torno do valor, a fonte de todos os desejos do ser humano é o desejo de ser desejado sempre.
O tempo todo passamos da experiência de sair da multidão e ser reconhecido como único. Ninguém deseja ser visto como uma multidão, mas individual. No momento do seqüestro isto vem à tona, será que valho o valor que está sendo cobrado? Os maus tratos do cativeiro minam os conceitos que temos sobre nós mesmo. Não falo do seqüestro do corpo, mas do seqüestro da subjetividade, quando você depara com suas fragilidades e não sabe negociar, e vive como vítima seqüestrada. Quantas pessoas nos metem medo só no olhar, isso não é amor. Quantas pessoas nos reprovam e nos levam para debaixo da mesa, para o cativeiro.
Há pessoas que nos roubam, que nos mandam para debaixo da mesa.Quantas vezes a vida lhe levou para debaixo da mesa? Quantas pessoas estão debaixo da mesa porque não tiveram coragem de enfrentar o “seqüestrador”, de enfrentar os seus erros e fracassos. Se você não enxergar os seus erros e vê neles oportunidades de mudança você vai permanecer debaixo da mesa.
Quando você está no escuro e precisa de luz você olha a beleza da vela, ou se ela tem pavio? Pare de prestar atenção no que a vida vai fazer. Deixe a cera, olhe o pavio, olhe o essencial. O essencial é o pavio, é você, sua história. Pare de olhar a cera destruída, arranhada, olha o pavio que está pronto para iluminar, para queimar. E o que queima é vida nova. Ame-se! Não importa o que tenha acontecido em sua vida. Não olhe para aquilo que você perdeu, aquilo que foi estragado, olhe para o pavio
Deus não olha para multidão, Deus olha você. O olhar de Deus não desviou da sua vida nenhum instante.
Pode ser que hoje você tenha um passado horrível para ser arrumado, talvez você tenha medo de sair debaixo da mesa, mas Deus te convida a sair do seu cativeiro. Deus rompe todos os cativeiros possíveis."
Autor : Padre Fábio de Melo
domingo, 27 de janeiro de 2008
Vamos firmar o caminho ... mãos a obra e corações ao alto !
Neste primeiro mês do ano, veio-me a inspiração de inspirar-te em teu caminho durante 30 dias. Brotaram-me do coração realidades, sentimentos, palavras que me orientam, me caracterizam e também me desafiam. A elas ajuntei os textos bíblicos para te aprofundares em tua meditação. Sugiro que as tomes diariamente, lendo também o trecho das Escrituras. Poderás, ainda, fazer este exercício de oração em outros momentos do ano.
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Pe. Sérgio Luiz e Silva |
Eis que faço uma Obra Nova e ela já desponta...
“No princípio, Deus criou os céus e a terra. A terra estava informe e vazia; as trevas cobriam o abismo e o Espírito de Deus pairava sobre as águas.” (Gn 1, 1-2)
INTERIORIZE:
Sou obra das mãos de Deus!
AJA: Olhe ao seu redor e contemple todas as criaturas como obra das mãos de Deus. Tome consciência de que o Espírito Criador é sobre você desde o momento de sua concepção. Agradeça pelas águas dos rios, dos mares e da chuva.
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Eis que faço uma Obra Nova e ela já desponta...” Ef. 43, 19
PRIMEIRA:
Tenha vida interior: no cultivo de si mesmo, descobrindo sua riqueza pessoal.
SEGUNDA:
Conheça sua história: para firmar o que é positivo, construtivo e superar o que lhe amarra.
TERCEIRA:
Tenha vida com Deus: mais do que falar, repetir fórmulas, desenvolva intimidade com Ele em todos os momentos. Escute!
QUARTA:
Estabeleça metas: exeqüíveis, sem exageros que podem levar você a desanimar e desistir.
QUINTA:
Cuide de sua saúde: física, mental, emocional e espiritual. Tenha hábitos saudáveis nestas áreas.
SEXTA:
Crie laços: em níveis diferentes, com pessoas diferentes. É bom contar com alguém ao longo do caminho.
SÉTIMA:
Aprenda sempre algo novo: mesmo que seja uma coisa simples como uma receita nova ao preparar um prato.
OITAVA:
Ouse algo diferente: talvez algo que você nunca fez e sempre teve vontade de fazer, como tomar um banho de cachoeira, parar para ver a lua, fazer um determinado passeio.
NOVA:
Manifeste seus sentimentos: especialmente o amor que está em você. Diga a alguém que gosta dele, que o ama.
DÉCIMA:
Procure novos pontos de vista: não se acomode com o que você pensa, o que já aprendeu ou de onde você olha. Ande, por exemplo, por outra calçada; faça um caminho diferente ao ir para sua casa; coloque-se no ponto de vista do outro.
Pe. Sérgio Luiz e Silva, C.Ss.R.
domingo, 16 de dezembro de 2007
TUDO É UMA CONSTRUÇAO
De tal sorte que biblicamente o homem é aconselhado a edificar seus projetos e sonhos em cima de uma rocha e não sobre a areia, que sendo obrigado a iniciar uma peleja com outro reino, primeiro planeje e avalie as possibilidades reais de custeio e provável vitória, caso contrário negocie, faça acordos e a paz, assim é tudo, sem planejamento estratégico, fica-se a mercê, ao sabor dos ventos e até a náutica nos recomenda usar sabiamente as forças dos ventos a nosso favor para não incorrer em deriva, pois tudo se urge e exige um plano, mínimo e detalhado dos passos, passo-a-passo, a ser ministrado para o fito do sucesso. Tudo é uma construção!
Um projeto nasce primeiro no coração, nos sonhos da pessoa, e a medida que esta vai dando encarnação, fazendo o verbo virar palavra encarnada, ele vai tendo as reais possibilidades de sair do onírico para a realidade vivencial, dando sentido e dimensões de existente, onde se dimensiona as considerações de pôr-se em pé a construção, onde se realiza, inicialmente no desejo e posteriormente na concretude da vida o habite-se, no qual se orgulha de ser o criador, como IAHWEH di-lo-á: “Eis que tudo isso é muito bom”, com certo orgulho de si mesmo e sabedor ser possível edificar os sonhos. Tudo é uma construção!
As vicissitudes por vezes trazem o desânimo, a condição humana ajuda com pensamentos sabotadores do não ser possível tal empreendimento, o meio joga-lhe contra, isso não é para você, somos os maiores inimigos de nós mesmos, esquecemos que tudo é questão de fé, e olha que nem muita só um grão de mostarda, fé a capacidade do antegozar, ver aqui o que só além se terá, ter atitude metafísica no aqui e agora, poder olhar desertos e ver oásis, prisões e ver escolas e praças, campos e ver as colheitas, rios e ver as pontes, somos os únicos responsáveis pelos nossos sonhos, somos os únicos responsáveis pelos nossos projetos. Tudo é uma construção!
Olhaí os lírios dos campos, as aves dos céus, os animaizinhos, tudo para eles está pronto, predeterminado, para o homo planetaris, o sapiens, ao contrário, um desafio constante, um universo em construção e a construir, quem não olha a si-mesmo vendo para-além de si esta fadado ao predeterminismo de vegetar como aves, lírios, animaizinhos, quiçá o consiga, pois não veio o ser a existir para a mediocridade, mas para ser o co-construtor da vida e do viver, produzir uma construção de si e da realidade, em sim tudo existe pelo existir do ser e de sua vontade motriz, construamo-nos-lá. Tudo é uma construção!
Autor: Marlon Lelis de Oliveira - Psicologo
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
Preconceito é uma forma preguiçosa de conhecer!
Preconceito é uma forma fácil de ter opinião. Não requer esforço, não requer pesquisa, empenho, visto que se trata de uma primeira visão que temos acerca de uma determinada realidade.
É óbvio, mas é bom dizer, que a visão preconceituosa, é aquela que resolveu ficar parada no pré-conceito, isto é, no que vem antes da verdade. Um conceito é sempre o fruto de uma elaboração mais trabalhosa da vida, o pré-conceito não. Ele é uma fase primária do conceito. É por isso que quem gosta de pré-conceitos tende a ficar na imaturidade a vida inteira.
O mesmo se deu conosco quando entramos no pré-primário. Já imaginou se não tivéssemos aceitado o desafio de ir para o primário, com suas dificuldades e diferenças do pré?
Somente o passo em direção ao novo nos garante a felicidade das surpresas. A vida é sempre assim. O que agora é alimento, com o tempo, deixa de sustentar. Isto porque estamos num constante processo de superação humana, e o que nos move, é este desejo de irmos além...
É por isso, que me entusiasmo com a dimensão antropológica do cristianismo. As palavras de Jesus nos encorajam para um constante aperfeiçoamento de nossa humanidade e para a constante superação dos nossos limites. E então, passamos a compreender que santificação é o mesmo que dizer humanização. Retirar os excessos, lapidar as arestas, superar as mesquinharias, os modelos superficiais de análises, os ciúmes e os apegos desordenados, são formas concretas de santificar a nossa vida.
Preconceito é também uma forma de aprisionamento. Olhamos o outro e o definimos a partir do que achamos sobre ele. Temos uma série de opiniões que resolvemos construir dentro de nós, e que são frutos de uma primeira visão. Olhamos e encaixotamos o outro no nosso preconceito . Decidimos que ele é assim, mesmo que nunca tenhamos nos aproximado dele para confirmar o que achamos...
Achamos e perdemos. Perdemos por desperdiçar a oportunidade de superar o conhecimento aparente, e assim quem sabe, ganhar um grande amigo, um grande apoio existencial. Achamos muitas coisas sobre ele. E por achar tanto, resolvemos não buscar a verdade fundamental, e assim deixamos de ganhar. Talvez esse seja um dos grandes pecados do nosso tempo. O mundo é superficial nas suas análises. Basta flagrar uma única atitude, para que o mundo entregue o seu parecer preconceituoso e definitivo.
Jesus se opunha radicalmente a esta postura. Ele gostava de ver além. E alertava os discípulos para este constante cuidado. O cristianismo supera o judaísmo justamente neste ponto. Jesus não queria uma religião que parasse na exterioridade, que dispensasse facilmente as pessoas só porque têm uma aparência ou um histórico que num primeiro momento não nos agrade.
A beleza da vida consiste em olhar o mundo com "olhos de terceira margem", com os olhos de Jesus. Eu, nem sempre consigo, mas não quero perder este esforço de vista. Eu ainda vivo o desconcerto das escolhas de Jesus. Fico indignado quando o vejo escolher Zaqueu em meio a tanta gente santa e de boa índole. Ainda me incomoda quando ele diz que as prostitutas podem me preceder na entrada do Reino.
E então me vejo, com minha maneira rasa e infecunda de esbarrar nas pessoas, de condená-las àquilo que acho sobre elas e de impedi-las de me surpreenderem com sua beleza escondida.
A vida é igual garimpo. Não se percebe o diamante numa primeira olhada. Por ser muito parecido com o cascalho, corre o risco de ser jogado fora. Cascalhos e diamantes se parecem. A única diferença é que o diamante esconde o brilho sob as cascas que o revestem. É preciso lapidar. Pessoas são como diamantes. Corremos o risco de jogá-las fora só porque não tivemos a disposição de olhá-las para além de suas cascas. E então, desperdiçamos grandes riquezas no exercício de alimentar pobrezas.
Quando o meu preconceito me impede de ver o diamante, eu me torno cascalho no mundo. Espero que hoje você descubra diamantes por onde passar. Se descobrir, estará sendo semelhante a Jesus...
O seu coração sabe disso !
O seu coração sabe disso, porque certamente já experimentou o amargo sabor da solidão. É no encontro com o outro que o eu se afirma e se constrói existencialmente. O outro é o espelho onde o eu se solidifica, se preenche, se encontra e se fortalece para ser o que é. O processo contrário também é verdadeiro, pois nem sempre as pessoas se encontram a partir desta responsabilidade que deveria perpassar as relações humanas.
Você, em sua pouca idade, vive um dos momentos mais belos da vida. Você está experimentando o ponto alto dos relacionamentos humanos, porque a juventude nos possibilita ensaiar o futuro no exercício do presente. Já me explico. Tudo o que você vive hoje será muito importante e determinante para a sua forma de ser amanhã.
Neste momento da vida, você tem a possibilidade de estabelecer vínculos muito diversificados. Família, amigos, grupos de objetivos diversos, namorados e namoradas. Principalmente esses últimos, que não são poucos. Namora-se muito nos dias de hoje, porque as relações humanas estão cada vez mais instáveis e, por isso, menos duradouras. Parece que o amor eterno está em crise.
Que o seu amor não seja único!
Quando paramos para pensar um pouco, chegamos à conclusão de que o problema está justamente na forma como estabelecemos os nossos relacionamentos.
O grande problema é que geralmente investimos todas as nossas cartas naquela pessoa nova que chegou. Ela passa a centralizar a nossa vida, consumindo nosso tempo, nossos afetos, nossos pensamentos e nossas energias. Tudo passa a convergir para ela e, com isso, vamos reduzindo o nosso círculo de relações. O outro vai tomando tanto nossa atenção que, aos poucos, até mesmo a família vai sendo esquecida.
Porém, quando esquecemos de cultivar estes vínculos que até então faziam parte de nós, vamos criando lacunas afetivas dentro do nosso coração. É nesse momento que a confusão acontece, pois todas as necessidades começam a ser preenchidas pela pessoa enamorada.
Com o passar do tempo, ela começa a carregar um fardo muito pesado, pois passou a exercer a função de pai, mãe, irmão e amigo, quando na verdade ela é apenas um namorado, ou namorada.
Cada forma de amor no seu lugar!
Essa relação começará ser muito pesada para ambos. Será fortemente marcada pela dependência, pelas cobranças e pelo ciúme. Ambos passam a viver uma insegurança muito grande, pois nunca sabem ao certo o papel que exercem na vida um do outro. O amor deixa de ser amor e passa a ser sentimento de posse, como se o outro fosse uma propriedade adquirida, pronta para atender todos nossos desejos.
Quando o coração humano identifica esse sentimento de posse, ele tende a se esconder de si mesmo e, conseqüentemente, dos outros. Teme que alguém venha quebrar o encanto, mostrando que não existe nenhuma história de amor e que ambos viraram sapos. E, o pior, acorrentados.
Mas a mudança é sempre possível. Só é preciso que sejamos honestos. Se por acaso você se identificou com esta possessiva e conturbada forma de amar, vale à pena buscar uma ajuda. Comece a canalizar melhor os seus afetos. Não os direcione a uma única pessoa. Tenha amigos, cultive-os. Redescubra sua casa, seus pais, seus irmãos, mesmo que existam problemas entre vocês.
Deixe aflorar os afetos que ficaram adormecidos dentro de você. Não coloque sobre a pessoa que você diz amar a responsabilidade de ser o centro do seu mundo, nem se sinta deixado de lado o dia em que ela disser que não vai lhe ver, porque precisa ficar com a família. É que existem momentos que o colo da mãe é muito mais necessário do que o seu.
É duro de ouvir isso? Pois é, muito mais duro é não compreender!
O medo
Medo é o avesso da coragem. É por meio dele que eu alcanço algumas vitórias. Quem não tem medo corre o risco de se tornar um herói sem graça, pronto demais.
A vida é bonita justamente por ser inacabada. A metade que falta, o detalhe que ainda não alcançamos, o objetivo que ainda está pela metade. Tudo se torna mais bonito quando visto do avesso.
Os medos também. Há muito tipos e estão por toda parte: medo de não vencer, de não chegar, de não saber, de não consequir, de subir a escada, de errar no tempero, de perder, de morrer...
O avesso do medo é o cuidado redobrado, porque quem tem medo, cuida. Não se expõe ao perigo, mas resguarda.
O medo é bom, porque não nos enche de falsa coragem. O medo nos torna reais, nos mostra quem somos, mensura o tamanho de nossas pernas...
O medo nos coloca no nosso lugar e nos prepara para o sorriso do pódio.
Há medos que nos paralizam. São temores doentios. Eles nos entorpecem, nos amarram e precisam ser vencidos. Precisam ser olhados de frente, para que voltem à condição de medo, apenas... Medo saudável.
Medo que me faz ser humano na medida certa, porque no humano bem medido, o divino prevalece.
Só isso. O resto é lição que a lousa da vida espera por ser escrita.
sexta-feira, 7 de dezembro de 2007
Não desista de amar !
O universo infantil é feito de heróis, não se chama atenção de uma criança com coisas simples. As crianças gostam de coisas extraordinárias, inexplicáveis, por isso os super heróis são recheados de personagens através de super poderes...
Por que o super homem é um super-homem? Ele é capaz de voar, de parar o mundo com as mãos, tem uma força q ninguém tem, e o super homem é para a criança um símbolo de sucesso, e ali você tem um pouco dessa educação para o sucesso...
O mágico com sua cartola é capaz de criar situações inexplicáveis, deixando a criança fascinada...
O grande problema do sucesso é que para chegar ao sucesso temos que fazer a experiência do fracasso, não tem como chegar ao sucesso sem o choro, sem a dificuldade...
Aqueles que nos educam para o sucesso esquecem de falar no nosso ouvido que para alcançá-lo teremos que trabalhar muito, e que ao contrário dos super heróis não fomos programados com super poderes. Alcançamos sucesso sim, mas sempre mediante esforço pessoal...lutas...muitas vezes através de dores e sofrimentos...
Quando criamos em nós a sensação de sermos super-heróis, sentimos dificuldade de lidar com aquilo q é frágil dentro de nós...
Porque o que é frágil toma conta de nós e começamos a girar em torno dos nossos defeitos...
Queremos o sucesso, e esquecemos que para chegar nele, muitas vezes teremos que passar por fracassos...
Geralmente quando deparamos com a cruz percebemos que ela tem o mesmo formato de um homem de asas... A cruz é semelhante a um homem de asas...
Quando descobrimos a forca do sofrimento para buscar a redenção que precisamos, percebemos que através da cruz somos capazes de voar, de ir além...
Olhe para Cruz que você tem, onde a angústia toma conta do seu coração, ela é pesada, pense no avião que voa em formato de cruz...
O avião sobe porque faz um esforço, seus motores sofrem para subir e para descer, depois que o avião está lá em cima, manter-se torna-se mais fácil, porém para subir e para descer o esforço é dobrado...
O avião é pesado. Sua cruz também é, o avião sobe e sua cruz pode lhe fazer subir também, Porque se o avião tem o poder de lhe levar ao alto, não duvide de sua cruz, olhe para ela como asas de uma avião, e veja sua cruz de uma maneira diferente. Quando estamos no limite, alguma coisa é transformada em nós...
O momento que você se percebe lutando por algo é só "subir", é só buscar, ir á luta e esperar a vitória...
Por isso não devemos ter medo daquilo que nos faz sofrer, a cruz não pode nos prender a ela, porque na verdade ela é a mola que nos fará voar...
Descubra hoje o que mais lhe faz sofrer e comece a ver os avessos desse sofrimento...
Para que se abater com isso se esse sofrimento pode lhe levar ao alto? Ao sucesso? Não tenha medo de ir além...
Até mesmo o soldado mais forte tem o direito de dizer que está com medo, não tenha medo de contar que está sofrendo, não tenha medo de ter medo...
Você não é super-herói! Você é um ser humano, cheio de fragilidades e nessa mistura bonita faz a vida acontecer...
Não queira ter todas as armas para a vitória, acredite que Deus lhe entrega as graças dia a dia...
No filme "Procurando Nemo", onde os peixes vivem no aquário onde o peixinho "nemo" foi capturado achavam que a vida só existia naquele lugar, e a vida não é apenas um aquário, a vida é mar...
Busque! Vá além! O ser humano não foi feito para se acostumar com realidades mesquinhas. Fomos criados para ir além..
O que você faz da sua vida? Será que você extrai de você o que você tem de melhor?
Ou você se conforma do jeito que está?
Tire o avião do chão! Não se contente em ficar no chão! Você pode muito mais...
Sua viagem pode ser muito longa! Não se limite à pequenas distâncias! Decole! Tire sua cruz do chão e voe, como homens e mulheres que vão nas asas da cruz, porque nessas asas, a vitória é certa...( Pe Fabio Melo)
Volte a gostar de voce !
Digamos que você seja uma grande casa e tudo aquilo que aconteceu na sua vida é a mobilia da sua casa...
Quem dera a gente pudesse se livrar de algumas peças, jogar um sofá velho de desaforo, aquele quadro que lhe recorda aquela traição, porque às vezes as pessoas passam por nossas vidas e não estão preocupadas com o que estão deixando, com o que estão esquecendo em nós e você fica com tudo aquilo e agora precisa fazer a harmonia acontecer...
Você pode jogar fora ou pode tranformar! Existe uma palavra chave que se chama reciclar, reciclagem é o processo de você tornar bonito o que antes estava velho...
Descobrir que há um jeito bonito de transformar seu sofrimento em acontecimentos que valem a pena relembrar, porque você extraiu dele algum ensinamento...
A gente não cresce na alegria, a gente não cresce na fé! Eu me orgulho de ter na parede da minha vida os quadros do meu sofrimento, eles não me fazem sofrer de novo, me fazem lembrar que há uma força que vem de Deus dentro de mim, capaz de olhar pra ele e de dar a ele um novo significado...
O que não podemos fazer é decorar a casa da nossa vida com todos os ressentimentos que guardamos dela, porque senão, você vai se tornar infeliz, cada vez que olhar para parede descobrir que todos os seus olhos estão pendurados ali...
Não faça de sua casa(vida) um lugar dificil de ficar, transforme tudo aquilo que não valeu a pena na sua vida! Recicle, descubra a graça de transformar tudo aquilo que não valeu a pena, que você não soube, que você não acertou... Não guarde ressentimentos...
Uma das coisas mais bonitas em perdoar pecados é que escondido atrás da frase: "Eu te perdoo em nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo" há uma frase simples e escondida que só os sábios sabem escutar...
O que o padre quer dizer é "Volte a gostar de você!", volte a cuidar de você...
Não permita que o seu pecado seja sua primeira notícia, esqueça o que não deu certo, esqueça o que não valeu a pena, esqueça o que foi duro, o que você não soube não tem problema, Deus está lhe dando uma nova página para que você continue escrevendo o texto da sua vida...
Se essa mobília está desagradável ao seus olhos, descubra a graça da reciclagem, coloque novas cores, a aquarela está em suas mãos, e o poder do altíssimo está em potencializar sempre a nossa coragem para que a gente não desista da gente mesmo...
A vida começa aqui, no coração, centro da sua casa, lugar onde o mundo pode recomeçar!
Deus não desistiu de você, Deus continua acreditando em você, e se Ele acredita em você, quem é voce pra duvidar ?
( Pe Fabio Melo )
sexta-feira, 30 de novembro de 2007
O encanto nosso de cada dia
Ainda bem que o tempo passa! Já imaginou o desespero que tomaria conta de nós se tivéssemos que suportar uma segunda-feira eterna?
A beleza de cada dia só existe porque não é duradoura. Tudo o que é belo não pode ser aprisionado, porque aprisionar a beleza é uma forma de desintegrar a sua essência.
Dizem que havia uma menina que se maravilhava todas as manhãs com a presença de um pássaro encantado. Ele pousava em sua janela e a presenteava com um canto que não durava mais que cinco minutos. A beleza era tão intensa que o canto a alimentava pelo resto do dia. Certa vez, ela resolveu armar uma armadilha para o pássaro encantado. Quando ele chegou, ela o capturou e o deixou preso na gaiola para que pudesse ouvir por mais tempo o seu canto.
O grande problema é que a gaiola o entristeceu, e triste, deixou de cantar.
Foi então que a menina descobriu que, o canto do pássaro só existia, porque ele era livre. O encanto estava justamente no fato de não o possuir. Livre, ele conseguia derramar na janela do quarto, a parcela de encanto que seria necessário, para que a menina pudesse suportar a vida. O encanto alivia a existência... Aprisionado, ela o possuia, mas não recebia dele o que ela considerava ser a sua maior riqueza: o canto!
Fico pensando que nem sempre sabemos recolher só encanto... Por vezes, insistimos em capturar o encantador, e então o matamos de tristeza.
Amar talvez seja isso: ficar ao lado, mas sem possuir. Viver também.
Precisamos descobrir, que há um encanto nosso de cada dia que só poderá ser descoberto, à medida em que nos empenharmos em não reter a vida.
Viver é exercício de desprendimento. É aventura de deixar que o tempo leve o que é dele, e que fique só o necessário para continuarmos as novas descobertas.
Há uma beleza escondida nas passagens... Vida antiga que se desdobra em novidades. Coisas velhas que se revestem de frescor. Basta que retiremos os obstáculos da passagem. Deixar a vida seguir. Não há tristeza que mereça ser eterna. Nem felicidade. Talvez seja por isso que o verbo dividir nos ajude tanto no momento em que precisamos entender o sentimento da tristeza e da alegria. Eles só são suportáveis à medida em que os dividimos...
E enquanto dividimos, eles passam, assim como tudo precisa passar.
Não se prenda ao acontecimento que agora parece ser definitivo. O tempo está passando... Uma redenção está sendo nutrida nessa hora...
Abra os olhos. Há encantos escondidos por toda parte. Presta atenção. São miúdos, mas constantes. Olhe para a janela de sua vida e perceba o pássaro encantado na sua história. Escute o que ele canta, mas não caia na tentação de querê-lo o tempo todo só pra você. Ele só é encantado porque você não o possui.
E nisto consiste a beleza desse instante: o tempo está passando, mas o encanto que você pode recolher será o suficiente para esperar até amanhã, quando o pássaro encantado, quando você menos imaginar, voltar a pousar na sua janela.
Quando a missa se torna uma obrigação...
Religião é uma forma de religar. Religa partes, une pontas e diminui distâncias. O sacramento está sempre unido a um símbolo justamente por isso, pois ele é uma forma de concretizar a natureza da religião. Ele é a parte humana que se estende em direção a Deus com o intuito de tocá-lo e experimentá-lo. O símbolo é uma forma de prazer e o sacramento também, pois nele o sacrifício está redimensionado, já tem cores de ressurreição.
A pergunta
O menino chegou e perguntou-me: "Padre, eu sou obrigado ir à missa?". Olhei seus olhos e percebi uma honestidade na questão formulada. Junto da honestidade, havia uma ansiedade que lhe impedia o sorriso. No rosto, não havia alegria. Estava tomado de uma certeza de que a liturgia católica, para ele, estava longe de ser um acontecimento que lhe extraia gratuidade. Era uma obrigação a ser cumprida.
Sua voz parecia me pedir socorro, feito escravo com sua carta de alforria em mãos, a me pedir assinatura.
Naquele momento, fiquei sem palavras. Senti o coração apertado no peito e o desejo de nada responder. Reportei-me à Escritura Sagrada e senti-me como o próprio Abraão, diante do questionamento de Isaac: "Pai, onde está a vítima do sacrifício?" (Gn 22, 7). Pergunta que não tem resposta. Pergunta cheia de ansiedade, de silêncio, de motivos, honesta e plena de razões.
Olhei-o com muita firmeza e resolvi desafiá-lo: "É obrigado visitar alguém a quem se ama?". Ele disse: "Não, não é não, padre". Seguiu-se o silêncio. Calou-se ele, e eu também.
A pergunta que não cala
Algumas horas depois, retomei sua pergunta e fiquei pensando nela. Coloquei-me a pensar na religião que se apresenta ao coração humano como obrigação a se cumprir, feito mochila pesada que se leva nas costas.
Fico pensando no quanto a obrigação pode se opor ao prazer. E o quanto é contraditório fazer a religião ser o local da obrigação. Na expressão: "Deus é amor" (1Jo 4, 8), definição que João nos apresenta em sua carta, está a declaração da gratuidade de Deus.
Deus é o próprio ato de amar. Ele é o amor acontecendo, e a liturgia é a atualização dessa verdade na vida das pessoas. Ir à missa é tomar posse da parte que nos cabe.
Tudo o que ali se celebra e se realiza tem o único objetivo de nos lembrar que há um Deus que se importa conosco, que nos ama e quer nos ver mais de perto. O sacramento nos aproxima de Deus.
Tudo bem, essa é a Teologia, mas e a vida, corresponde à verdade teológica?
Nem sempre. Nosso rito, por vezes, cansa mais do que descansa. É lamentável que a declaração de amor de Deus por nós tenha se tornado uma obrigação.
Sou obrigado a ouvir alguém dizer que me ama?
Se muita gente pensa assim, é porque não temos conseguido "amorizar" a celebração. Racionalizamos o recado de Deus e o reduzimos a uma informação fria e calculada. Dizemos: "Deus nos ama!", da mesma forma como informamos: "A cantina estará funcionando depois da missa!".
A resposta que responde perguntando
Pudera eu ter uma solução! Ou quem sabe uma resposta que aliviasse os corações que se sentem obrigados a conhecer o amor de Deus, como o coração daquele menino.
Talvez, o teu coração também já tenha experimentado essa angústia e essa ansiedade. Gostaria de saber restituir o sabor lúdico das celebrações católicas. Torná-las acontecimentos reveladores, palavras para não serem esquecidas e imagens que despertassem o coração humano para o desejo de descansar ali todas as questões existenciais que o perturbam.
O problema não está no conteúdo do que celebramos, mas, sim, na forma.
A natureza simbólica da vida é o lugar do encanto. Por isso, a celebração é cheia de símbolos. Mas o símbolo, se explicado, deixa de ser símbolo, perde a graça e deixa de comunicar. Talvez seja isso o que tem acontecido conosco. Na ansiedade de sermos eficientes, tornamos a celebração um local de comunicar recados. Falamos, falamos, de maneira ansiosa, cansada e repetitiva. Temos que falar algo, pois também o padre tem a sua obrigação!
E assim vamos celebrando, obrigando o coração e os sentidos a uma espécie de ritual que nos alivia a consciência, mas não nos alivia a existência.
A missa é muito mais do que uma obrigação: é um encontro. Encontro de partes que se amam e se complementam. É só abrir os olhos e perceber!
Creio que possa ser diferente.
O banquete dos miseráveis
Um banquete só tem significado para quem tem fome. Os saciados não desejam a proximidade do alimento. A fome é o elemento chave para que possamos desejar e apreciar o banquete.
Da mesma forma, o hospital não tem significado para quem está são. Somente os doentes carecem de hospitalização.
Essa comparação é simples, eu sei. Mas ela nos aproxima de uma verdade ímpar que Jesus fez questão de nos ensinar.
É desconcertante, mas a Eucaristia é o banquete dos miseráveis. Ela é o momento em que Deus se põe à mesa com os escórias da humanidade, com os últimos, os menos desejados.
Miseráveis, famintos, prostituídos, doentes, legítimos representantes da fome. Fome de pão, fome de beleza, fome de dignidade, fome de amor, fome de companhia.
Corações sufocados pela solidão do mundo, pelo descaso dos favorecidos e pela arrogência dos fortes.
A vida sem cuidados, mostrada nos olhos que já não sabem nutrir grandes esperanças. Olhares que nos fazem lembrar o olhar de Mateus, o olhar de Zaqueu, o olhar de Madalena... Olhares que não se sentem merecedores, e que se já se convenceram de que estão condenados.
E então, quando a vida os surpreende com o sorriso de Deus, olhando-os nos olhos, dizendo que está feliz porque eles reapareceram, e que para comemorar esta alegria um banquete lhes foi preparado.
Roupas limpas, banhos demorados, coisa de quem não faz do amor um discurso teórico. O sabonete, o cheiro bom a nos recordar antigas esperanças.
Alegrias nas taças, toalha branca estendida sobre a mesa, o colorido que tem sabor agradável. O melhor vinho, a melhor música, o melhor motivo a ser comemorado. A ceia está posta.
E então eu me ponho a pensar...
Recordo-me do quanto eu não sei viver a Eucaristia com esta mística. Penso no quanto sou seletivo ao pensar naqueles que Deus anda preferindo.
E então, hoje, nesta fração de tempo que passa, em que seus olhos se encontram com meu coração de padre, aqui, nesta tela fria de computador, eu fico desejando lhe convencer do quanto você é amado por Deus.
Ainda que seus dias sejam marcados pela rebeldia, pela derrota, pela queda, não desista! Religião só tem sentido se for para congregar, recordar a miséria como condição que nos torna preferidos...
É simples de entender. Pense comigo: uma mãe geralmente tende a cuidar de forma especial do filho que é mais frágil. Concorda comigo? Pois bem. O que é frágil será sempre velado, cuidado e amado.
Assim é você. Um miserável que tem entrada garantida na última ceia de Jesus.
Não venha com muitos pesos. Traga apenas uma pequena lembrança para o Mestre que o espera. Uma florzinha, um pedacinho de doce, não sei. Você é criativo e saberá escolher melhor.
Que o presente seja pobre, pois assim você descobrirá que o maior presente que Ele pode receber é o seu coração de volta.
Combinados?
Espero que sim.
O seu nome já foi chamado por Ele. Não o deixe esperando por muito tempo.
A casa é a mesma. O endereço você já sabe!
Pensamentos e oração
Apesar de existirem máquinas que, dizem, detectam a verdade ou a mentira das pessoas, ainda temos uma área reservada para nós mesmos, onde ninguém pode entrar. São os nossos pensamentos. Os outros vão saber somente o que nós deixamos escapar, ou o que decidimos revelar. O resto fica conosco, guardado ou esquecido; curtido, às vezes; outras teimando em voltar contra a nossa vontade. É o patrimônio das emoções, das lembranças e das saudades. Infelizmente, também, das feridas, das humilhações e das tristezas que carregamos. Esse, talvez, seja o nosso tesouro verdadeiramente pessoal, onde estamos a sós com a nossa consciência e que, inclusive, não vamos poder deixar para ninguém. É nosso e basta. Nós e Deus, claro, ao menos, se acreditamos e confiamos nele. Tudo o que lembrei vale também para a nossa oração.
Nos poucos momentos de silêncio das nossas liturgias, surpreendo-me perguntando-me o que as pessoas estão pensando e rezando. Todos nós ouvimos a mesma Palavra de Deus, a mesma explicação, cantamos os mesmos cantos, recebemos a mesma Eucaristia, mas cada um carrega no seu coração a própria história, a própria personalidade e a própria fé.
Imagino a oração simples e confiante das crianças, repetindo palavras ouvidas e correndo com o pensamento, já, lá fora, nas brincadeiras com os colegas, nos pequenos objetos guardados com ciúme. Imagino também a oração dos idosos, carregadas de lembranças, de rostos e de momentos vividos. Alguns devem agradecer pelo dom da vida, outros devem pedir mais uns dias, outros se preparando ao grande encontro. Todos, com certeza, rezam por suas famílias e por aqueles que os acompanham. Que bom quando a pessoa idosa se sente amada e até mimada!
Deve ter, pois, a oração dos pais, preocupados com a família, com os filhos,, com o trabalho, com as contas para pagar. Animados com o desejo de sair da igreja e ser um pouco mais sorridentes e amigos dos que encontrarem nos caminhos da vida. No meio de tantas confusões, um pouco de serenidade, de esperança e de alegria são bens preciosos a serem protegidos e sempre renovados a cada celebração da vida e da fé.
Fico também pensando como deve ser a oração dos empresários, dos executivos, dos políticos, dos comerciantes. Será que sabem deixar um pouco de lado os negócios e pensar em Deus? Come se sentem, perante o Altíssimo, na posição social tão importante e vertiginosa que ocupam?
Não posso esquecer a oração dos nossos irmãos com deficiências; como deve ser a oração de quem não pode andar, de quem não consegue falar e de quem mal sobrevive, carente de pensamentos e sonhos? Talvez seja a melhor; a única que Deus já conhece e acolhe.
Assim Jesus, um dia, falou da oração de dois homens, um fariseu e um cobrador de impostos. O primeiro foi ao templo para se orgulhar da sua honestidade, da sua integridade e obediência mais rigorosa às leis. Infelizmente estava tão cheio de si que acabou desprezando o cobrador de impostos, que estava lá no fundo do templo, de cabeça baixa. Essa não foi oração, coisa nenhuma. Porque aquele homem não precisava de Deus, de tão bom e perfeito que ele se achava. Ao Pai, também, não interessava, e continua não interessando, uma oração assim. Para os filhos, também, é inútil, porque não muda em nada a vida deles: eles são os melhores! Nada mais tem a aprender.
Humilde foi, ao contrário, a oração do cobrador de impostos. Reconhecia-se pecador e não merecer nem levantar os olhos para o alto. Pediu perdão e ajuda para mudar. Entendeu que devia mudar. Desejar ser melhores já é um começo. Abre-se um caminho.
Vamos todos aproveitar para melhorar a nossa oração. No silêncio do nosso coração, só Deus sabe o que estamos pedindo, porque estamos agradecendo ou louvando. Somente Ele, e nós, conhecemos as nossas angústias. O IV Prefácio Comum reza assim: “Eles (os nossos louvores) nada acrescentam ao que sois, mas nos aproximam de vós, por Jesus Cristo, vosso Filho e Senhor nosso ”Enfim, pensamentos e orações, apesar de tão secretos, servem para a comunhão entre nós e com Deus. E a solidão é menos pesada.
Dom Pedro José Conti
Bispo de Macapá (AP)
Nós fazemos as escolhas e as escolhas nos fazem
Diante de tudo o que a vida apresenta sempre nos são confiadas escolhas e opções. Diante dos dissabores que vivenciamos são diversas as possibilidades que temos para reagir: Ou crescemos com as dores – extraindo delas o devido conhecimento, ou estacionamos nelas e acabamos nos tornando pessoas amargas.
A vida é tecida por opções, por escolhas que fazemos e que acabam delimitando o sentido e as cores de nossa história.
A maneira como agimos e reagimos diante de nossas próprias fraquezas também se constitui como realidade que porta em si o poder de determinar o curso de nossa maturidade. Muitas vezes, concluímos que não somos nem temos o que gostaríamos, e isso nos causa dor. Porém, diante de tal insatisfação – tão humana e natural – temos duas opções: Ou passamos a vida inteira nos lamentando por não sermos nem termos o que idealizamos, ou nos assumimos no que somos e fazemos a vida ser feliz a partir do que temos e somos, ou seja, a partir de nosso real.
A feliz decepção de nos descobrirmos frágeis e imperfeitos pode ser motivo de estéril desgosto ou um significativo impulso para nossa maturidade. Depende da opção que fazemos e da forma como reagimos.
A felicidade é uma possibilidade que reside no real, em nossa verdade. Nunca é tarde para ser feliz e para se decidir por isso. Cada segundo que vivemos se constitui como uma possibilidade concreta para começar a construir, com nossas escolhas, nossa felicidade.
A felicidade não acontece de uma hora para outra; ela é fruto de uma construção, de pequenas e grandes escolhas que precisam ser feitas, as quais, aos poucos, edificam na vida a devida maturidade que sabe extrair sabor de tudo, dando sentido ao que se faz e ao que se vive.
Sempre encontraremos situações diante das quais precisaremos nos posicionar. Ninguém pode construir um “futuro” e uma vida feliz se diz “sim” a tudo o que lhe é oferecido.
Não podemos nos permitir ser “levados pela vida”, tampouco podemos viver sem rumo, sem saber o que queremos, porque – querendo ou não – sempre estamos indo para alguma direção. Ou fazemos escolhas conscientes sobre o que queremos ser, ou seremos “construídos” por modismos e idealizações de outros, tornando-nos assim fantoches nas mãos de uma sociedade que não respeita o que essencialmente somos.
A vida foi confiada a nossa responsabilidade. Nem tudo o que vem a nós é bom, e quem precisa decidir diante de cada situação somos nós. Não podemos nos anular entregando a outros tal realidade, a qual somente a nós compete. Não existe vida autêntica sem responsabilidade, sem assumirmos as rédeas de nossa história e sem decidirmos, de maneira coerente, por aquilo que nos tornará mais gente e, conseqüentemente, mais de Deus.
Nós fazemos as escolhas e as escolhas nos fazem... Por isso, para se construir um futuro é preciso escolher, e escolher bem.
Confiemos a Deus o rumo de nossa história, e busquemos n’Ele a força para melhor decidir, e para escolhermos aquilo que nos fará verdadeiramente felizes.
Deus o abençoe!
quinta-feira, 15 de novembro de 2007
Ó vida verdadeira quando viverei só para Ti?
Ó esperança soberana quando chegarei a Ti?
Tesouro infinito, precioso e mais bonito, amor, meu grande amor...
Como e quando desprezar tudo por Ti?
Ó formosura celestial como rejeitar tudo por Ti?
Grandeza misteriosa como compreender a Ti?
Carinho e meu amado, por tantos desprezado, amor, meu grande amor...
Como responder a tal entrega e paixão... ao Teu amor?
Então me entrego, amor divino, ardei em mim, mudai meu ser
Sou ferro, sou frio, põe em mim seu fogo ardente
Vem me abrasar somente em Ti
Ó meu Jesus Menino, meu Deus e meu Destino,
Bem da cruz, meu doce exílio, acolhedor.
Amor meu grande amor...
Faz-me preso ao Teu amor!
Ó vida verdadeira vive em mim."
(Santo Agostinho)
Adorar-Te e encontrar-Te em Teu altar
E encontrar-me a mim a verdade que sou eu
Contemplar o Teu olhar..no meu pobre olhar.
e entender que nada sou diante de Ti
E meus desejos e anseios por Ti em minh’alma adentrar
Meus pensamentos, razões que se dobram perante Teu amar
E me faz ver mais alem do que os olhos podem ver
Sobre o véus desse amor... Teu mistério de luz
E não há nada maior do que essa presença a me embalar
Os meus tormentos, sofreres, angustias aos Teus vão se juntar
Tudo pra Te consolar Imolado quero estar
Estando unido a Ti no sacrifício da Cruz
Adorar-Te e encontrar-Te em Teu altar
E encontrar-me a mim a verdade que sou eu...
Adoramos o Verbo, Encarnado, eterno...
Nos prostramos aqui para Te adorar
Adoramos o Verbo Encarnado Eterno
Que se da em alimento
Corpo e Sangue para nos alimentar”
“A primeira que comungou foi a Virgem Maria
A primeira que recebeu Jesus no coração
A primeira que anunciou foi a Virgem Maria
E gerou na fé o Profeta que de Isabel nasceu
Foi por ela que aconteceu a primeira adoração
E quando os magos a encontraram houve a primeira grande exposição
Mãe capela do Santíssimo Sacrário do amor
Expoe para nós Teu filho
Expõe para nós teu filho
Mãe capela do Santíssimo
Morada do Senhor
Expõe para nós teu filho
Expõe para nós teu filho
Primeiro ostensório do Senhor
A primeira que anunciou foi a Virgem Maria
A primeira que recebeu Jesus no coração
Foi por ela que aconteceu a primeira adoração
E quando os magos a encontraram houve a primeira grande exposição”
“Mostra-me os Teus caminhos
Senhor o que queres de mim?
Dá-me o que me mandas,
E mandas o que queiras de mim
Quero entrar em Tua casa
Nos Teus braços descansar
Sentir os Teus carinhos
E repousar o meu olhar no Teu olhar
Dá-me Tua graça
Para que eu possa prosseguir
E a Tua força pra que eu não possa desistir
Pois sou Teu, e Tu és meu
Só Tu és dono de mim.”
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